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A educação a distancia no Brasil, uma analise histórica e as tendências do futuro

A educação a distancia no Brasil segundo Mais & Mattar, 2007; Marconi, 2010; Rodrigues, 2010; e Santos 2010, teve seu inicio em 1904, sendo a primeira atividade no Jornal do Brasil através de um anuncio que oferece a profissionalização por correspondência para datilógrafo.

Em 1923 foi criada a Radio Sociedade do Rio de Janeiro oferecendo cursos de Português, Frances, Silvicultura, Literatura francesa, Esperanto, Radiotelegrafia e Telefonia. (imagino aprender francês ouvindo radio em 1923, chiado e mais chiado).

Em 1934 foi criada a Radio Escola Municipal do Rio, e neste projeto os estudantes recebiam folhetos e esquemas de aulas por correspondência e ouviam as aulas pela estação de radio.

Em 1939 surge em São Paulo o instituto Monitor, precursor dos cursos profissionalizantes por correspondência.

Em 1941 surge o Instituto Universal Brasileiro fundado por um ex-sócio do Instituto Monitor, também oferecendo cursos profissionalizantes, desde mecânica de automóveis a técnicos em geral. Na década de 70 eu, então apaixonado por carros fiz um curso de mecânica de automóveis por correspondência, e aprendi muito, posso garantir.

Muitas outras iniciativas surgiram após este período, mas até então os cursos estavam no que denomino a primeira geração do EaD.

Em 1970 passamos à segunda geração com cursos utilizando vídeo aulas (fitas cassetes gravadas) e programas de televisão, o famoso Telecurso.

No inicio dos anos 2000 passamos ao que denomino a terceira geração, com aulas ao vivo via satélite, e neste período começam as novas regulamentações desta modalidade de ensino.

No mesmo período o governo Federal incentivava a criação de faculdades particulares em todo o Brasil, tendo percebido que a oferta de cursos superiores no país estava estagnada, nas mãos de universidade públicas que não aumentavam o número de vagas a décadas. Nesta fase o governo decidiu incentivar também a educação superior a distancia, porém ainda sem um entendimento do que era este novo “ser”.

Trabalhava à época em um grupo educacional que estava implementando o ensino a distancia a não existia uma regulamentação específica do setor.

Um exemplo interessante é que ao autorizar o primeiro vestibular do curso tecnólogo em Comercio Exterior, na portaria o MEC autorizou o vestibular em X cidades, em dois Estados da Federação, mas surgiu um problema; não tínhamos Polos em 80% destas cidades e o prazo era exíguo.

Assim nossas equipes saíram a campo visitando escolas de informática, de línguas e até escolas infantis para formar os Polos.

O primeiro vestibular ocorreu utilizando a metodologia tradicional, ou seja, uma redação e um caderno de questões (matemática, física, química, etc) respondidos pelos alunos nos Polos e nossas equipes levaram todo o material impresso aos Polos, aguardavam o encerramento do vestibular e traziam as redações dos alunos e os cartões de respostas.

Aos poucos o MEC foi regulamentando o ensino a distancia no país e criou tantas regras que hoje para os novos interessados em ingressar neste mercado o custo ficou muito elevado.

Alguns exemplos;

  • A Instituição de Ensino Superior deve elencar os Polos e solicitar ao MEC a aprovação individual com visita de uma comissão designada pelo MEC para a aprovação do mesmo. É claro que isto tem um custo, e como EaD significa capilaridade, ter poucos Polos inviabiliza o projeto.
  • A Instituição de Ensino Superior deve ter um funcionário contratado por ela em cada Polo, não importa se este Polo fica a 3.000 km da sede.
  • A Instituição de Ensino Superior deve providenciar a biblioteca para um numero X de alunos para a metade dos cursos que venham a ser aprovados, e esta biblioteca deve estar disponível quando da visita da comissão, mesmo correndo o risco da não aprovação do Polo.
  • Entre outras exigências.

Hoje o ensino a distancia evoluiu e muito, não somente no ensino superior, mas temos cursos de toda a forma, em praticamente todas as áreas.

A metodologia igualmente mudou com os atuais recursos tecnológicos os cursos podem ser baixados em tablets, smartphones, sem a necessidade de grandes investimentos em tecnologia por parte da instituição e ensino.

Isto possibilitou o acesso a todas as camadas da população, assim temos cursos “livres” de fluxo de caixa, por exemplo, sendo oferecidos por R$50,00 ao mercado, mesmo cursos superiores e de pós graduação oferecidos a R$120,00 mensais.

Esta disseminação ou poderíamos chamar de popularização do ensino a distancia deve-se ao fato de que o investimento inicial que antes era muito elevado hoje caiu muito, para se montar um estúdio são necessários menos de US$5.000,00, o que possibilita que muitas pequenas empresas, e até pessoas físicas atuem no setor.

A metodologia EaD comprovadamente atende os anseios de todos hoje em dia, praticidade, a não necessidade de horários rígidos, liberdade para desenvolver atividades a qualquer momento, porém exige do estudante uma dedicação muito maior do que o do ensino tradicional. Hábitos novos aprendidos por todos nós ao manusearmos nossos telefones inteligentes, tablets e notebooks, ao acessarmos as redes sociais, “pesquisar” na internet (particularmente não concordo com o termo pesquisar na internet, uma vez que as fontes são duvidosas), mas principalmente o ensino a distancia remete a velocidade, acessibilidade e praticidade.

Os jovens já estão familiarizados com este novo processo, e os mais velhos estão obrigatoriamente se rendendo a esta nova realidade, assim o caminho é de mão única, o ensino a distancia veio para ficar e vai, cada vez mais, estar presente em nossas vidas. É quase inconcebível alguém passar 4 anos em bancos escolares aprendendo da forma tradicional, fazendo um curso na área de ciências sociais aplicadas, imagine quando o curso de economia era de cinco anos, hoje não existe mercado para um curso assim. Na área superior ainda podemos verificar ainda um certo “ranço” que os cursos tecnólogos trazem, comparativamente aos cursos de bacharelado, tanto presenciais quanto a distancia. Alguns ainda valorizam os cursos de bacharelado, porém os resultados apontados pelas avaliações do ENADE demonstram que os alunos dos cursos de tecnologia na modalidade a distancia, saíram-se melhor do que os de bacharelado presenciais. Isto graças a metodologia utilizada que obriga os alunos a aplicarem os conhecimentos adquiridos no seu dia a dia nas empresas.

Entendo que este é o futuro do ensino a distancia no Brasil, assim como é na Europa principalmente (Espanha, Portugal, Alemanha), um caminho sem volta e para todos os tipos de capacitações, sejam elas de cursos denominados “livres”, ou seja, sem uma certificação de curso superior, como os cursos superiores de graduação a pós graduação.

Sergio Alexandre Centa

Graduado em Administração de Empresas e Direito, Especialista em Planejamento Estratégico e Engenharia Financeira, Mestre em Engenharia da Produção pela UFSC, Doutorando pela Wiscousin International University. Atuou durante 15 anos no sistema financeiro nacional nos bancos Citibank e Nacional, onde atuou como Gerente Regional e Diretor. Professor de Finanças e Planejamento Estratégico em vários cursos de Pós-Graduação e MBA, atua como consultor de empresas no Brasil e Europa. Autor de nove livros na área de Gestão, palestrante em diversos países da América do Sul e Europa.

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