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Os desafios da implementação da Inovação nas empresas familiares

Longe de ser uma novidade, a inovação hoje perpassa todos os setores de uma organização. Com o advento da Revolução Industrial 4.0, a inovação antes confinada aos setores de marketing e pesquisa e desenvolvimento, agora precisa ter seu espectro projetado de forma a transpassar a empresa como um todo, a fim de promover, antes de mais nada, uma mudança cultural.

É bem verdade que a inovação é um processo não linear e que pode ocorrer de formas diferentes em diferentes contextos. Mas, dentro das empresas familiares a fase inicial será sempre a mesma: quebrar as barreiras oferecidas pela cultura organizacional já estabelecida.

A quebra desse paradigma é especialmente difícil se considerarmos que inovação requer mudança. A organização sai da zona de conforto e aparente segurança e passa assumir riscos. Riscos que, para muitos, não precisariam ser assumidos.

Estamos falando de empresas construídas em contextos econômicos diferentes, quando as tecnologias disponíveis eram diferentes e, sobre tudo, quando a sobrevida da organização estava baseada em outros fatores.

Pensemos numa empresa familiar que comporta em sua diretoria os fundadores – responsáveis pela formação e consolidação do empreendimento – e uma segunda geração de empreendedores, já habituados ou, ao menos, cientes da necessidade de se adequar ao momento atual.

A principal barreira a ser quebrada, em termos bem práticos, é a resistência oferecida pelos fundadores. Eles precisam entender e aceitar que a mudança, mesmo arriscada, é necessária. Que o modelo que os trouxe até o momento presente e que tem se sustentado “muito bem, obrigado” até aqui, está ficando ultrapassado e algo precisa ser feito a respeito. As coisas mudaram.

Falar sobre inovação é aceitar que as coisas mudam. É saber que tudo tem uma dinâmica inevitável que vai do nascimento ao estabelecimento, passando por um crescimento até amadurecer e se estabilizar, e, finalmente, morrer. E isso inclui a cultura e o modelo de gestão.

Para tanto, é indispensável que a diretoria assuma de forma consciente e estratégica os ônus do processo de inovação. Talvez seja esta a maior contribuição que a cultura organizacional pode oferecer: compreensão de que a inovação é um processo complexo cujas etapas são descobertas e/ou alteradas no caminho.

A força motriz da Inovação

O ser humano é a força motriz da inovação. É do desempenho de suas atividades cotidianas que partem as ideias inovadoras. Muito mais do que o conhecimento puramente técnico a compreensão de detalhes que somente se verificam no exercícios das atividades, as experiências quase que puramente subjetivas vivenciadas pelo agente são quase sempre as responsáveis pela convenção do pensamento inovador.

Mas tais idéias não vão aparecer sem que sejam fomentadas pela organização e jamais serão levadas a conhecimento, caso não haja um ambiente propício. O que pode fazer o “agente de inovação” se calar ou, ainda pior, levar sua idéia para um lugar onde ela encontre terreno fértil para se desenvolver.

Perder capital humano já dotado de tais habilidades pode implicar em um atraso significativo na implementação de qualquer tipo de inovação dentro da empresa.

A melhor forma de fomentar o pensamento inovador, seja na forma de concepção de um projeto novo, seja na forma de engajar-se sem temor na proposta apresentada pela organização, é estabelecer uma cultura que dê ao colaborador autonomia e liberdade para correr riscos.

A adoção de tal postura é algo complexo de ser alcançado, especialmente dentro das empresas familiares forjadas no modelo de hierarquia e atribuições bem definidas no qual cada um é só e inteiramente responsável pela função que desempenha.

Neste caso, como já mencionado, não há como “rodar um piloto”. As chances de implantar com sucesso um projeto inovador no seio de uma organização que não está preparada para recebe-lo são mínimas. Isso se deve ao fato de que, neste contexto, não há margem para erro ou mesmo para reajustes.

Além disso, a postura hesitante da diretoria somada ao medo do desconhecido certamente levará a falta de engajamento e até sabotagens por parte dos colaboradores.

É a diretoria que vai dar o tom da mudança para os demais setores, sendo de suma importância que o pensamento inovador seja passado como uma mensagem institucional, deixando claro que que as novas idéias serão bem vindas e encorajadas.

Infelizmente, dentro de algumas empresas familiares, os fundadores formam um núcleo resistente à mudanças. Para eles, o modelo que os conduziu ao patamar atual é uma receita de sucesso e não há motivo para correr riscos com projetos ou produtos desconhecidos. Tal como um peixe fora do aquário, se debatem desesperados resistindo à ajuda da mão que deseja carrega-los novamente para a segurança da água.

A verdade é que a inovação representa o amanhã. Trata-se da manutenção da competitividade, de continuar atendendo as expectativas dos clientes, e, portanto, de continuar no mercado. E se tem algo que sabemos sobre o amanhã, é que ele chegará. Estejamos preparados ou não. Melhor estarmos.

 

Lidiani Andrade de Mattos

Lidiani é Advogada, Consultora e Sócia da Lynx Factor Consulting, além de possuir quase 10 anos de experiencia em Governança Publica junto a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. Atualmente cursa o MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria na Fundação Getulio Vargas e seus principais temas de interesse são: Governança, Inovação e Finanças.

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