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> Se você não constrói o seu sonho, alguém vai te contratar para construir o deles.

Se você não constrói o seu sonho, alguém vai te contratar para construir o deles.

Artigo escrito por André Caldeira

 

Tony Gaskin é autor, palestrante e coach profissional. E também o autor do título deste artigo, já que somente traduzi sua frase: “If you don’t build your dream, someone will hire you to help build theirs.”

Concordo com Tony em gênero, número e grau, até porque vivo há 3 anos as consequências da minha escolha pelo empreendedorismo. No final de 2011, depois de 20 anos de carreira executiva, resolvi empreender e criei a minha própria empresa, uma consultoria especializada em seleção e desenvolvimento de gestores. Antes disso, sempre tive o empreendedorismo como uma referência importante em minha vida. Talvez porque me formei em Odontologia em 1989 e me reinventei (empreendi) profissionalmente muitas vezes: fui dentista e larguei, fui professor de inglês e mudei, fui publicitário e cansei, fui profissional de marketing e quis mais, fui gestor de empresas e resolvi abrir a minha própria. Ou porque sou sócio de uma rede de restaurantes, algo que fiz como um investimento em paralelo há mais de 5 anos, quando já pensava em sair do mercado corporativo e seguir o meu próprio caminho.

Parece lógico quando escrito desta maneira, mas não é. Também parece fácil, como um case de sucesso. Mas não é.

Sair da carreira corporativa e empreender significa, antes de qualquer outra coisa, abrir mão de um salário fixo mensal. Mais do que isso, se você tem uma boa posição como eu tinha, significa abrir mão de um ótimo salário. E nem é bom pensar no famoso bônus anual.

Significa também abrir mão de um sobrenome: o André com cargo “xpto” da empresa “tal”. Uma nova identidade, só sua, quase como uma folha em branco, que começa a ser desenhada, muitas vezes do início.

Outro ponto é a família. A preocupação dos pais, o silêncio da esposa ou marido, o olhar dos filhos, que se já tem idade suficiente perguntam “Pai, quanto você ganha agora? E quanto ganhava antes? “… Fora os amigos e conhecidos desavisados, que quando te encontram perguntam “Agora você está mais tranquilo, não é? “… Como se a vida já estivesse ganha.

Mas o que está ganho, de forma liquida e certa, são as noites de insônia com a cabeça no travesseiro, e os pensamentos sobre as consequências da sua escolha, ora de excitação e sensação de vida, ora de pesadelo e medo do futuro.

Empreender é, antes de tudo, um gesto solitário, corajoso e de fé.

Afinal, a decisão é sua, e as consequências também. Depois de um tempo, seus amigos se acostumam com a sua nova vida, e é você quem fica com as expectativas, as preocupações e as contas para pagar.

Falando em dinheiro, capital é crucial para se empreender, logicamente. Não só para investir na sua ideia ou novo negócio, mas também o que você vai precisar para pagar as suas contas pessoais (por isso, tenha ao menos um ano de reserva financeira para isso; e se for casado e tiver filhos, nem pense em colocar este dinheiro no negócio – você precisa de saúde para empreender; saúde precisa de sono e descanso; sono e descanso precisam de cabeça relativamente fresca para acontecerem).

Já coragem e fé são componentes quase místicos. Empreender pode ser um chamado, uma vocação para tentar parir um projeto, um novo produto ou serviço. Um palpite interno, uma oportunidade percebida, uma crença na possibilidade de fazer algo novo, e diferente. Algo que envolve, além de dinheiro e dedicação, muito trabalho. E muita responsabilidade.

Porém, quando pensamos em quantos empreendedores inquietos fizeram os seus projetos acontecer, em como mudaram o mundo, em como reinventaram a si mesmos e aos que os rodeavam, não conseguimos deixar o chamado de lado.

Um chamado que traz a sensação única de ser dono do próprio nariz, de se sentir um pouco como um grande artista diante de uma nova tela em branco, de se sentir vivo, criativo e protagonista de uma nova historia. Algo que supera, e em muito, o valor de um salário fixo ou de um bônus anual, um sobrenome ou identidade corporativa, a aceitação social, as preocupações financeiras ou familiares e até mesmo a dúvida muitas vezes encontrada no espelho.

O que me traz de volta a Tony Gaskin: se você não constrói seu sonho, alguém vai te contratar para construir o deles.

Qual a sua escolha?

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