A Importância das Finanças nas Empresas - ISAE / FGV

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07/07/2008

A Importância das Finanças nas Empresas

Por:

 

O que é finanças? Algumas vezes relegada a um plano secundário nas empresas, algumas vezes elevada categoria de oráculo, Finanças Empresariais é hoje reconhecida como a ciência, ou arte, de saber tomar a decisão financeira ótima. Decisão financeira ótima é aquela que visa assegurar que os investimentos realizados em empreendimentos, empresas e projetos, públicos ou privados, atinjam os resultados esperados pelos investidores.

Foi-se o tempo em que alguns achavam que decisões financeiras austeras e sabias interessavam apenas ao setor privado. Hoje, e a cada dia, mais e mais governos e particulares estão cientes que investimentos tem que gerar os resultados esperados. Hospitais devem ficar prontos e funcionar recebendo e atendendo pacientes, estradas, pontes, portos e aeroportos têm que dar vazão ao trafego, e não podem ser superdimensionados nem subdimensionados, pois qualquer desvio representa desperdício. Escolas devem funcionar com alunos e professores, usinas geradoras e linhas de transmissão de energia precisam ficar prontas, gerar energia e suprir os usuários que demandam a energia para suas atividades. Tudo isto dentro dos prazos, orçamentos e custos previstos, de forma a proporcionar os resultados esperados.

Em um mundo globalizado, competitivo e com margens de lucro decrescentes em todos os setores, não há mais espaço para desperdício de recursos financeiros privados e muito menos públicos. Não há mais espaço para executivos que sejam apenas amadores ou curiosos em finanças. Isto significa que somente com o conhecimento profundo e profissional de finanças é possível ao executivo moderno tomar as decisões financeiras acertadas.  Apenas com profissionais de finanças capazes de tomar a decisão ótima é que podemos atuar de forma a garantir para as empresas a sobrevivência, crescimento, operação, geração de empregos e postos de trabalho diretos e indiretos, criação de riquezas, produção de bens, recolhimento de impostos e tributos e não menos importante geração de lucro para seus investidores. Não há mais demanda por parte dos empresas, nem obviamente por parte dos head-hunters para executivos amadores, pelo outro lado a demanda por profissionais especializados e competentes na área de finanças tem disparado junto com os salários, benefícios, prêmios e bônus oferecidos. 

Em épocas de inflação elevada, como as que tivemos no passado, os resultados das aplicações no mercado financeiro eram muitas vezes maiores do que os resultados operacionais das empresas, por esta razão muitas vezes o diretor financeiro era responsável pelos bons (ou maus) resultados da empresa. Freqüentemente prejuízos operacionais eram transformados em lucro. Resultados operacionais baixos ou até mesmo prejuízos, quando somados a gordos resultados das aplicações financeiras colocavam a empresa no verde.  Por esta razão, as operações eram relegadas a um segundo plano onde eficiência, qualidade, presteza e bons produtos não eram a agenda prioritária. A simples disponibilidade do produto já era suficiente, a inflação alta e os resultados obtidos nas aplicações financeiras encobriam erros das operações. 

Com o fim da era das altas inflações, subitamente, as empresas passaram a ter problemas de qualidade, níveis de estoque, eficiência, além de margens de lucro espremidas, e principalmente sem o grande reforço proveniente dos resultados financeiros das aplicações.
Neste ponto, os antigamente venerados gurus financeiros das empresas perderam importância e as preocupações voltaram-se para outros aspectos da empresa.  Logo no início do processo de estabilização da nossa moeda, até diminuiu o número de interessados os cursos de formação de executivos financeiros.  Entretanto, com o passar do tempo as empresas constataram que o departamento de finanças empresariais não trata apenas de aplicações, pelo contrário, possui uma responsabilidade muito maior do que a imaginada anteriormente.

Partindo do princípio que os investimentos em empresas somente existirão se os investidores tiverem uma expectativa de obter retornos adequados ao volume e ao risco envolvidos, os executivos financeiros passaram a se preocupar com índices de retorno, prazos de retorno, taxas de retorno, lucros operacionais, níveis e eficiência no uso dos estoques, custos da matéria prima e da mão de obra, custos com devolução e remanufaturamento de produtos defeituosos, controles, auditorias, analise financeira de projetos novos. Assim, foi possível maximizar os retornos financeiros sobre os investimentos realizados em operações, pois o filão dos retornos não operacionais provenientes das aplicações financeiras chegaram ao fim.

Sem projeções financeiras confiáveis, sem um controle financeiro eficiente, sem uma constante e seqüencial tomada de decisões financeiras ótimas nenhuma empresa terá condições de oferecer para seus clientes o produto desejado, com uma qualidade adequada, a um bom preço, no momento que o mercado demanda. Sem este domínio a empresa perde espaço para a concorrência por falta de vantagem competitiva.  Obviamente finanças não é o único aspecto importante para o sucesso de uma empresa, pois sem boas pesquisas de mercado, sem excelente equipe de vendas, sem profissionais competentes nas operações, sem uma logística competente e profissional, dentre outros aspectos a empresa não terá sucesso. Porém, toda decisão empresarial, no fundo, é antes de tudo uma decisão financeira.

Hoje finanças é reconhecidamente a área para a qual convergem todas as outras, pois sem resultados a empresa não tem lucro e sem lucro a empresa pode fechar, sem a disponibilidade de recursos, novos produtos não podem ser lançados, sem o acompanhamento e a aprovação de competentes e dedicados executivos financeiros, a empresa simplesmente não acontece.  Vem daí a extrema e fundamental importância do conhecimento de finanças por parte dos executivos gestores das empresas modernas.

E como pode um profissional super ocupado e atarefado dedicar tempo integral para aprender finanças em uma faculdade ou em um curso de mestrado?  Felizmente estamos hoje na era da educação continuada.  A Fundação Getulio Vargas, através do programa FGV Management de educação continuada, criou e desenvolveu cursos em nível de pós-graduação para profissionais de quaisquer áreas do conhecimento que queiram se especializar, reciclar ou atualizar, em Finanças, em horários compatíveis com a agenda apertada dos executivos.  Diferentemente dos cursos de mestrado strictu sensu, onde é esperada e exigida dedicação em tempo integral por parte dos alunos.

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José Carlos Franco de Abreu Filho, consultor financeiro e professor do ISAE/FGV

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