Falta visão estratégica na logística rodoviária brasileiraSérgio Itamar |
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![]() Falar sobre transportes e logística é falar de um dos segmentos mais dinâmicos e importantes de qualquer economia ou cenário econômico. Estamos vivendo tempos de uma forte agressividade competitiva característica do mundo moderno, onde todas as ferramentas e conhecimento são utilizados para criar diferenciais. É uma questão que vai além de se destacar dos concorrentes, mas envolve, principalmente, a pura e simples sobrevivência no mercado. Essa afirmação toma outro significado quando colocamos nosso olhar critico sob o prisma do que ocorre hoje em nosso país. O Brasil possui características impares quando comparado a outras economias mundiais. Mas existem fatores que fazem com que nossos custos de transporte sejam uns dos mais altos do mundo. A extensão continental do território, a situação precária da malha rodoviária, a disparidade de estrutura disponível entre os modais, a idade avançada de nossa frota, a legislação deficitária, a corrupção, a violência e a insegurança nas estradas são alguns pontos que podemos citar. Além disso, as taxas de seguros insensatas, o uso de anfetaminas nas estradas por motoristas profissionais no combate ao cansaço inevitável depois de 10, 20 horas continuas de direção e acidentes, transformam nossa realidade em uma estrada de espinhos. È neste cenário que nossas transportadoras fazem e desenvolvem seu ofício, com muito mais raça e amor pela profissão do que razão. È um trabalho árduo e fundamental na construção do país, mas infelizmente é tratado como uma tarefa marginal, uma verdadeira insanidade se considerarmos a importância desse segmento para toda economia. Se o transporte parar, o Brasil para junto com ele. Apesar destes desafios e das constantes mutações impostas ao mercado transportador, diariamente, ainda é carente neste segmento uma visão estratégica consolidada em vigor na condução das empresas de transportes. Parece incrível, mas ainda são minoria as empresas de transportes cuja condução baseia-se em estudos de mercado, políticas e estratégias bem definidas. Há uma predominância da administração destas organizações ainda ser feita por meio do modelo tradicional de gestão familiar, reativo e intuitivo, ignorando-se todos os benefícios que uma condução profissional poderia oferecer, deixando-se de lado um modelo baseado na gestão para a excelência ao se adotar modelos ultrapassados de administração empresarial. Esse posicionamento equivocado coloca as empresas frente a frente com o imprevisto, e com muita freqüência e elas acabam por assumir mais riscos do que eventualmente necessitariam admitir. Não é por acaso que o número de falências nesse segmento é alto. Apesar desse fato, isso não é um destino obrigatório. Essa estrada possui caminhos alternativos, mas todos passam pela necessidade da conscientização dos empresários do setor. A aplicação de ferramentas e conhecimento em suas administrações é uma necessidade na busca dos menores custos, maiores resultados, cumprimentos de prazos, fidelização e satisfação dos clientes, sempre visando a consolidação de uma marca que seja vista como referência no setor. Quer seja uma marca familiar ou não, não importa, o que é fundamental é estar preparado para o futuro, sem sustos, estrategicamente posicionado nesse panorama brasileiro, sem igual, que exige cada vez mais de nossas empresas e de nossos empresários. Sérgio Itamar é diretor executivo da Global5 Engenharia de Riscos (link da empresa) e Mestrando em Administração pela Fundação Getulio Vargas. |
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