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Giro

Giro nos Negócios

Microsoft libera o Windows 8

A Microsoft liberou seu novo sistema operacional, o Windows 8, que traz uma interface totalmente nova, projetada principalmente para uso em telas sensíveis ao toque. Tanto o software avulso como PCs e tablets equipados com o novo sistema já estão à venda. O sistema vem com alguns diferenciais, como ícones vivos, ligado na nuvem e configurado para múltiplos monitores.

 

Parmalat se reposiciona e lança produtos para ganhar mercado

A Parmalat apresentou esta semana o novo posicionamento de marca que será utilizado para suplantar as extensões em suas linhas de produtos. Após quase cinco anos sem investir em ações de Marketing, a empresa pertencente ao grupo LBR Lácteos traz o mote “Porque nós somos humanos”. Com isso, a empresa prepara o terreno para vender novas categorias e deixar de focar basicamente no leite UHT. O posicionamento utilizado até então pela Parmalat, “Porque nós somos mamíferos”, ajudou a construir uma relação emocional entre o consumidor e a marca, posicionando a sua linha de leites entre os mais vendidos do país, com 13% de market share

 

PepsiCo traz programa de apoio a novos empreendedores

A PepsiCo iniciou em setembro uma busca por companhias novatas e candidatos a empreendedor no Brasil para promover projetos de inovação. A companhia americana - que é dona de marcas como Pepsi, Elma Chips, Quaker e Toddy - vai selecionar 25 projetos nas áreas de mobilidade, entretenimento, sustentabilidade e vendas. Um dos critérios mais importantes é que eles possam ser implantados em marcas da companhia. Cada etapa vai durar ,aproximadamente, um semestre. O Brasil foi escolhido por ser um mercado que conta com um perfil de consumidores jovens, que reúnem características de empreendedores.

 

Desemprego na Espanha bate recorde

O desemprego na Espanha aumentou no terceiro trimestre de 2012, em meio a recessão mais de 25% da população está desempregada. No final de setembro, a Espanha tinha 5.778.100 desempregados, 85 mil a mais que no trimestre anterior, um aumento que acelerou após o fim da temporada de verão, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Para reduzir o enorme déficit público, a Espanha iniciou um ambicioso programa de austeridade com o objetivo de cortar 150 bilhões de euros entre 2012 e 2014, sendo 39 bilhões em 2013, o que complica a retomada do crescimento e do emprego.

 

 

Encontro Marcado debateu a gestão do erro

No dia 18 de outubro, o ISAE/FGV realizou mais uma edição do ciclo de palestras “Encontro Marcado”, evento que debate as tendências do mercado. O evento colocou em discussão conceitos como: gestão do erro utilizando o modelo Shell, consciência situacional e o processo decisório, e foi comandado por Fabio Judice, comandante de voos internacionais e coordenador do departamento de gestão operacional e integração da TAM Linhas Aéreas.

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Capa

Women Empowerment

Mulheres garantem seu espaço no mercado de trabalho, mas ainda enfrentam problemas com salários e família

Crédito: Divulgação

À frente da CTS - Consultoria Técnica Atuarial e Seguros, Graciela de Oliveira levou 10 anos para chegar ao atual cargo

Brasilata, Byofórmula, Cultura Inglesa, Ericsson, Instituto Itaú Cultural, IBM, Petrobrás, HP, Laboratório Sabin, Magazine Luiza e Quintiles Brasil. O que todas essas empresas têm em comum? Todas são comandadas por mulheres. Segundo um levantamento feito com base no ranking das Melhores Empresas para Trabalhar, realizado pela empresa de consultoria Great Place to Work, as mulheres estão em 36% dos postos de liderança das cem empresas que ocupam o topo do estudo. Hoje, elas ocupam 19.586 postos de chefia nessas companhias. Número que requer uma especial atenção, uma vez que em 1997, apenas 15 anos atrás, 11% dos cargos de liderança eram ocupados por mulheres.

Mas, ao que se deve esse aumento significativo da presença feminina no topo das companhias? Para Graciela de Oliveira, diretora administrativa da CTS - Consultoria Técnica Atuarial e Seguros, o perfeccionismo e a habilidade de lidar com diversas tarefas ao mesmo tempo são vantagens do público feminino. “As mulheres são muito detalhistas, e isso é uma vantagem quando trazemos esta característica para o mundo coorporativo, pois os detalhes fazem muita diferença na qualidade do trabalho, no desenvolvimento da empresa e na gestão de pessoas. Não podemos deixar de citar a capacidade da mulher em realizar várias ações ao mesmo tempo, característica também muito valiosa em um período de extrema competitividade”, ressalta. Já para a consultora e professora de liderança, Vera Cavalcanti, a sensibilidade feminina é outro fator importante. “A mulher terá, cada vez mais, um papel importante nesse contexto, pela sua competência interpessoal, percepção e sensibilidade para lidar e entender a realidade”.

Preconceito

Outro dado da mesma pesquisa diz respeito à aceitação da liderança por parte dos colaboradores. O levantamento diz que a confiabilidade dos funcionários é maior nas empresas geridas por elas: o índice de confiança é de 83% contra 81% nas chefiadas por homens. Diante deste cenário, o preconceito parece uma característica que tem ficado para trás. “Acredito que a cultura pró-masculino ainda seja uma verdade, porém não confio no desenvolvimento organizacional e de negócios de empresas que mantêm esse posicionamento, portanto o próprio mercado exigirá essa mudança”, ressalta o diretor executivo de recursos humanos, Jorge Cunha.

O próprio Google já percebeu que o baixo número de mulheres em seu alto escalão pode vir a se tornar um problema, uma vez que o Vale do Silício, onde está localizada a sede da empresa, já é conhecido nos bastidores como uma região inóspita para o sexo feminino. Recentemente, Ellen Pao, uma sócia da empresa de capital de risco Kleiner Perkins Caufield & Byers – localizada na empreendedora região da Califórnia - entrou com uma ação de discriminação sexual contra seu empregador. A preocupação de Google só aumentou quando a própria empresa de buscas viu a primeira engenheira da casa, Marissa Mayer, abandonar suas ações após ser preterida pela companhia, para dirigir o Yahoo.

Crédito: Divulgação

A liderança de Jocilene Pelizzer a rendeu o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios - Etapa Paraná, na Categoria Pequenos Negócios

No Brasil, a dúvida quanto à capacidade da liderança feminina também se mostra presente. Em maio deste ano, durante o início de um voo da Companhia Aérea Trip, que partia do Rio de Janeiro para Palmas, um passageiro causou tumulto dentro da aeronave ao descobrir que uma mulher pilotaria o avião. “A companhia deveria ter falado que no posto de comandante estava uma mulher. Já voei com mulher antes e não gostei”, disse ele, segundo testemunhas. Diante da situação, o passageiro teve que ser retirado da aeronave pela Polícia Federal, por causar desordem e gerar risco para os outros ocupantes da aeronave, sob vaias.  A mulher na cabine do avião, motivo da confusão, era Betânia Porto, de 34 anos, com 3 mil horas de voo no currículo e 10 anos de trabalho na Trip.

Apesar de casos como esses, para a vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios - Etapa Paraná, na Categoria Pequenos Negócios, e diretora geral de uma agência de viagens e operadora de turismo, Jocilene Pelizzer, o preconceito dentro das empresas vem diminuindo, mas as mulheres enfrentam agora dificuldades dentro de suas famílias. “No início da criação da empresa, a inserção de uma dona de casa no mercado de trabalho ainda era um problema. Para enfrentar foi preciso coragem, persistência e foco no objetivo final. Hoje, não enfrento mais preconceitos por ser uma mulher à frente dos negócios. Mas, isso acontece na vida pessoal, uma vez que sacrifico muitas vezes atividades familiares, ainda consideradas de responsabilidade feminina, para tratar de assuntos relacionados à empresa”, aponta.

Salários

A conclusão da pesquisa da consultoria Great Place to Work mostra que, apesar da maior participação das mulheres no mercado, ainda existem diferenças relevantes entre os sexos: a mulher ganha menos, leva mais tempo para atingir cargos de liderança e dedica mais tempo ao estudo, formação e aprimoramento profissional.

Um projeto de lei foi aprovado em caráter terminativo, na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, esse ano, na tentativa de evitar a discriminação salarial entre homens e mulheres. O projeto determina que os empregadores que discriminarem as mulheres, ao pagar salários menores, estarão sujeitos à multa que pode chegar a cinco vezes a diferença salarial devida, no período em que a colaboradora esteve contratada. A matéria seguiu para sanção presidencial.

Iniciativas como essa já são práticas comuns. Uma norma aprovada em 2009 pelo Parlamento brasileiro e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou a redação da Lei dos Partidos Políticos (9096/95) ao substituir a palavra reserva de vagas de gênero para preenchimento. Assim, cada partido deve preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% das candidaturas de cada sexo nas listas eleitorais para os cargos das eleições proporcionais, o que garante o espaço feminino no sistema eleitoral. Porém, a tentativa de exigir por lei a participação feminina não é vista com bons olhos e gera polêmica. “Acho que atitudes como essas só reforçam os preconceitos. Não há porque se obrigar a ações que por si só fazem parte da modernidade e da realidade mundial, principalmente em um país onde a Presidência da República é exercida por uma mulher”, garante Cunha. Vera Cavalcanti compartilha da mesma opinião. “Embora esse seja um tema polêmico, tenho a tendência a acreditar que a conquista de uma posição não deve ser uma obrigação, mas um reconhecimento pela competência e pelo seu domínio de  atuação”, ressalta.

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Consumo

Consumo colaborativo em destaque

Prática vem ganhando adeptos pelo mundo e cresce cada vez mais no Brasil

Crédito: Buscala

Trocas de produtos tem crescido no Brasil

Consumir. Esta é uma das palavras que mais marca as campanhas publicitárias e ações de marketing das empresas. Comprar faz parte do cotidiano da população mundial. Mas você já ouviu falar em consumo colaborativo? Esta prática é nada mais, nada menos, que a troca e aluguel de produtos que são pouco ou nada utilizados no dia a dia. Há diversos sites que trabalham com esta modalidade de consumo, como o Descola Aí, de produtos diversos; o Getaround, site norte-americano que estimula o aluguel de carros e o AirBnb, que é voltado para a área de imóveis.

Para o economista Rubens Mazzali, a redução de custo é o grande benefício do consumo colaborativo. “Se compartilhássemos um equipamento como uma furadeira em nossos condomínios ou se os locássemos conforme a nossa necessidade, contribuiríamos com uma economia mais sustentável. Outro benefício econômico é a redução da procura pela aquisição desses bens forçando seus preços para baixo”.

Um dos pioneiros deste serviço no Brasil foi o Inio: I need, I offer (Eu preciso, Eu ofereço, em tradução livre). Gabriel Fernandes Schön, fundador da ferramenta, conta que a iniciativa é um projeto de graduação que acabou se tornando realidade. O site, durante um ano de sua existência, recebeu 8 mil usuários e teve 3 mil produtos cadastrados com cerca de 2.800 mensagens. Segundo Schön, o Inio era focado em escambo, mas as pessoas acabaram perdendo o foco e aos poucos ele foi se tornando um Mercado Livre (site de oferta de venda de produtos), culminando com seu fim. “O escambo teve uma razão para acabar, e isto ficou evidente no Inio”, afirma. Mesmo vendo o que ocorreu com o portal, Gabriel afirma que a vantagem de participar dessa ação é a parte social. “Com esta prática é que nos tornamos pessoas mais sociais. Fazendo isto, nós interagimos com nosso vizinho, amigo, amiga e familia. Isto é colaboração”.

Nos Estados Unidos e em outros países, a troca de produtos é mais comum do que no Brasil, que começou com esta modalidade há menos tempo. Mazzali comenta que no país sempre houve a cultura da propriedade e não a da locação ou compartilhamento. “Percebe-se bem isso nos imóveis. Sempre queremos ter nossa casa própria, diferente de outras culturas que preferem a locação e mobilidade”. 

Já há empresas que estão utilizando o consumo colaborativo para dar rotatividade a diversos produtos, como, por exemplo, locação de malas para aqueles que não têm espaço para guardar as suas em casa, helicópteros, imóveis de temporada, veículos, computadores, além do compartilhamento de informação e conteúdos em blogs, no Twitter, Youtube, Wikipedia. “Vejo com mais potencial os setores com produtos com alto grau de obsolescência ou depreciação tecnológica, tornando a aquisição um risco. O compartilhamento desse tipo de produto reduz o risco e, consequentemente, os custos”, afirma Rubens.

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Publicidade

MBA FGV

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Economia

Economia Criativa

Inovação, criatividade, sonhos e novas ideias agora interagem com a economia

Criatividade como matéria-prima: essa é a base do novo ramo econômico, que já conta com uma movimentação financeira mundial de mais de US$ 3 trilhões, sendo responsável por 10% da economia mundial, com crescimento de 6,3% ao ano.

A economia criativa traz uma nova proposta para o valor dos produtos e serviços nos mais diversos segmentos: design, gastronomia, arquitetura, artes e até na tecnologia. Ela foi empregada de maneira impecável pela Apple, por exemplo. Entenda: um computador simples é avaliado pelas suas peças, softwares e hardwares. Com base no conjunto de materiais, mais a mão de obra de produção, é determinado o preço desse produto. Mas, um MacBook – computador da Apple – tem o seu preço fixado com base em outra série de coisas, como: o design arrojado, seus aplicativos, a criatividade utilizada na hora da produção, originalidade. Ou seja, esse conjunto de características, que agregam mais valor ao computador da Apple, é o que define a economia criativa.

No Brasil, a iniciativa já foi implantada e vem decolando. Segundo estudo da Firjan, a cadeia da indústria criativa já representa 17,8% do PIB do Estado do Rio - R$ 54,6 bilhões - e emprega 82 mil pessoas. Para entender o desenvolvimento do novo segmento, a Revista Perspectiva ISAE conversou com a administradora e membro do Comitê Gestor da Rede de Economia Criativa do Paraná, Schirlei Mari Freder. Confira:

Revista Perspectiva - O que é Economia Criativa?

Schirlei Freder - A economia criativa está situada num rol de áreas que fazem parte da economia baseada no conhecimento, nas ideias e na criatividade, aliados ao desenvolvimento sustentável. É transversal e multidisciplinar, e tem em seu núcleo elementos de inovação, economia da cultura, empreendedorismo, sustentabilidade, entre outras. Para alguns especialistas, trata-se de uma nova economia, pois tem como principal combustível a criatividade e as boas ideias, que são intangíveis, sustentáveis e de grande valor simbólico. O autor inglês John Howkins, em seu livro “The Creative Economy”, entende que a Economia Criativa consiste nas atividades que resultam em indivíduos exercitando a sua imaginação e explorando seu valor econômico, e também afirma que a Economia Criativa sempre existiu, mas, por ter a base no intangível, ficou às margens do sistema econômico tradicional.

Um exemplo é a indústria da moda. Existe o segmento das confecções, onde as roupas são avaliadas de acordo com o tipo de tecido e a força de trabalho utilizada. E existe uma empresa de moda, que envolve design, tecnologia, ciência cosmética, desfiles, lançamento de coleções - que compõe o cenário da Economia Criativa. O evento “São Paulo Fashion Week” demonstra a forma de estruturação da Economia Criativa.

Crédito: Arquivo

Membro do Comitê Gestor da Rede de Economia Criativa do Paraná, Schirlei Mari Freder, explica a aplicação da economia criativa

 

RP - Qual a aceitação no Brasil desta nova forma de economia?

SF - No Brasil, o termo é tratado desde 2004 e vem sendo fortalecido pelo Ministério da Cultura, por meio da recém-criada Secretaria de Economia Criativa – SEC. No final de 2011, a SEC lançou o Plano da Secretaria de Economia Criativa 2011-2014. O Plano aborda quatro princípios norteadores: Diversidade Cultural, Sustentabilidade, Inovação e Inclusão Social, e aponta a importância das articulações interministeriais e das parcerias a serem estabelecidas para a consolidação da Economia Criativa no Brasil. Porém, é necessário compreender que a Economia Criativa não se encerra na área cultural e abrange outros segmentos de mercado, abordados no Plano da SEC, como criações funcionais: moda, design, arquitetura, arte digital. Ainda pode-se complementar com as áreas de turismo, urbanismo, propaganda, publicidade, gastronomia, software, entre tantas outras.

RP - Já temos boas experiências no Brasil?

SF - O Brasil é referenciado por sua criatividade e, embora não se tenham dados acerca do quanto somos criativos, é possível citar ótimas experiências de iniciativas criativas em diversas áreas e em todas as regiões do Brasil. Entre elas:

  • Ñandeva, na região da tríplice fronteira: Brasil, Paraguai e Argentina, é um programa de desenvolvimento do artesanato, que visa ao fortalecimento da identidade cultural da Região Trinacional, por meio da inserção de elementos e ícones que remetem à cultura desses povos. O núcleo gestor da proposta foi o SEBRAE e o Parque Tecnológico Itaipu.

  • Aldeia Coworking, em Curitiba: são escritórios colaborativos que reúnem programadores, criativos, micro empresários, designers, advogados e profissionais de diversas áreas, que se juntaram em uma comunidade, alguns dias por semana, para fugir do isolamento e trocar experiências, além de diminuir custos.

  • Banda “Móveis Coloniais de Acaju”. Banda brasileira avant-garde de pop rock e art rock, com influências do indie rock, pós-punk, garage rock, ska e música típica brasileira. Surgida em 1998, em Brasília, a banda possui um álbum lançado: Idem (2005).  O nome da banda é baseado em um evento histórico fictício: um suposto conflito unindo índios e portugueses contra os ingleses, na Ilha do Bananal.

  • Festivais Temáticos: Festival de Teatro de Curitiba, Gastronomix, Maratona Fotográfica (Curitiba/PR), Paraty em Foco e Feira Literária em Paraty - FLIP (Paraty/RJ), SWU (Paulínia/SP), Festival de Cinema da Lapa (Lapa/PR), Festa do Carneiro no Buraco (Campo Mourão/PR), entre tantos outros.

RP - Quanto se espera movimentar, em termos de recurso?

SF - Os dados mais recentes são de 2011, da FIRJAN, que publicou nota técnica com dados da cadeia produtiva no Brasil. Considerando atividades relacionadas e de apoio ao núcleo criativo, a participação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional pode chegar a 18,2% e equivale à movimentação de R$ 667 bilhões. Na pesquisa foram considerados setores de serviços que têm a criatividade como parte principal do processo produtivo; segmentos de provisão direta de bens e serviços ao núcleo criativo, compostos, em grande parte, por indústrias e empresas de serviços fornecedoras de materiais e elementos fundamentais para o funcionamento do núcleo; e atividades que englobam provisão de bens e serviços de forma indireta.

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Empreendedorismo

Empreendedor antes dos 30

Faixa etária dos empreendedores brasileiros é entre 25 e 30 anos

Quando a jovem Manoella Buffara pensou em abrir seu primeiro negócio, ela tinha apenas 27 anos. A jornalista, que trocou as palavras pela comida, percorreu o mundo antes de se tornar uma das chefs de cozinha mais renomadas da capital paranaense. Há um ano e sete meses, ela comanda o restaurante Manu, com tanta maestria que já coleciona prêmios: Prêmio Guia Brasil 2012 de Chef Revelação, Chef do Ano pela Revista Veja Curitiba e Chef 5 estrelas pelo Prêmio Bom Gourmet. A receita do sucesso é clara para a jovem. “Trabalho. Sempre falo para minha equipe que não gosto de duas palavras: preguiça e cansaço. Acho que sou jovem e me esforço muito para que tudo saia perfeitamente”.

Manu, como ficou conhecida, faz parte do grupo cada vez maior de jovens empreendedores brasileiros. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Sebrae, a faixa etária com maior crescimento no Brasil, em taxas de empreendedorismo, foi a de 25 a 34 anos, com alta de 22%. O levantamento mostra que 32,45% do grupo de empreendedores iniciais são dominados por jovens adultos dessa faixa etária. “Essa é uma geração que busca novos desafios, que vê na rotina do dia a dia uma perda de tempo e que deseja atingir o sucesso rapidamente. Ao mesmo tempo, são pessoas que não tem medo de inovar, que não temem o desconhecido e têm uma forte autoconfiança na capacidade de superar obstáculos”, explica o consultor de empresas e professor da área de Estratégia, Luciano Salamacha.

O currículo de Manu Buffara comprova o perfil definido por Salamacha. Antes dos 27 anos, a jovem já era formada pela “Corso Professionale de Cucina – ICIF”, na Itália e já havia passado pelos restaurantes Alinea, considerado o melhor das Américas, e também pelo dinamarquês Noma, eleito o melhor do mundo pela revista inglesa Restaurant. Mas, se engana quem pensa que a abertura do seu próprio restaurante foi apenas uma consequência. “Montei um plano de negócios e fui buscar ajuda em diversas empresas de consultoria. Encomendei pesquisas de mercado e procurei o Sebrae, que me ajudou muito.  Até fiz o curso Empretec. É fundamental saber onde estamos pisando, antes de abrir o próprio negócio, avaliando os riscos e aprendendo a lidar com os funcionários”, explica.

Ter um negócio próprio é a forma que os jovens encontraram de unir uma boa ideia a uma hierarquia mais flexível e retorno financeiro, é o que explica Salamacha. “Significa que eles desejam responder por eles, em vez de ter que responder para uma chefia. Desejam liberdade, e o empreendedorismo proporciona isso.”

Basta apenas uma boa ideia?

Jovens empreendedores estão atrás de ideias inovadoras. Mas, só isso não basta para empreender. Determinação, espírito de sacrifício, ousadia, persistência, imaginação e, acima de tudo, organização precisam estar presentes no perfil de um jovem empresário. “Houve uma época em que empreendedor era sinônimo de pessoa criativa, visionária e que corria altos riscos para realizar sua ideia. Atualmente, esse conceito foi remodelado e o mercado considera que empreendedor é aquele que demonstra capacidade de planejar, de administrar e mensurar os riscos que corre”, detalha Salamacha.

Sendo assim, apenas uma boa ideia não é suficiente para abrir o próprio negócio. O planejamento também passa ser ferramenta indispensável.  “Costumo brincar que o cemitério de empresas está cheio de pessoas que morreram abraçadas a uma boa ideia. Na verdade, o segredo do empreendedorismo é saber selecionar aquelas ideias que, efetivamente, valem a pena receber atenção e dedicação. Afinal, uma boa ideia, quando mal executada, pode continuar sendo uma boa ideia, mas que não gera resultado algum”, finaliza.

 

Crédito: Mauricio Mercer

Para Manu Buffara “a vida de empreendedor é bem complicada, temos que enfrentar
um mercado extremamente concorrido”

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Economia

A onda dos chineses está baixando

Venda de carros chineses baixa quase 50% em um ano

Crédito: Car and Driver

Queda na venda dos veículos passou dos 50% em um ano

Desde o início de 2011, basta olhar para as ruas que há carros asiáticos por todos os cantos. Os chineses foram os que mais investiram. Marcas como Chery e JAC Motors trouxeram veículos com diversos equipamentos, como ar-condicionado, trava e direção hidráulica, que nos carros brasileiros são apenas opcionais. Hyundai e Kia foram outras marcas que entraram forte no mercado nacional, trazendo carros com os mesmos designs vendidos em outros países.

Para combater esta “invasão”, o governo impôs o aumento de 30% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados que não fossem fabricados na Argentina, Uruguai ou México. A justificativa foi a proteção para a indústria automobilística nacional, que teve que reduzir o valor de seus automóveis para competir com os novos modelos. “Alguns estudos indicam que o setor automotivo (incluindo o setor de peças) é responsável por 20% da produção industrial brasileira”, afirma o economista Rodrigo Kremer.

O acréscimo do IPI, somado com a alta do dólar, fez a onda chinesa desacelerar. Segundo levantamento da revista Quatro Rodas, em julho de 2011, a JAC Motors vendeu cerca de 2.702 unidades, número que caiu para 1.482 unidades em julho de 2012, um decréscimo de 45,2%. Com a Chery não houve muita diferença: em julho de 2011, foram comercializados 2.425 veículos. Em julho de 2012, foram 1.162, uma queda de 52,1% nas vendas.

Segundo Kremer, “o aumento de preços em moeda nacional dos carros importados, derivados do aumento do IPI, afeta o consumidor brasileiro por obrigá-lo a despender uma quantia maior de recursos para adquirir o mesmo bem”. Após o aumento do imposto, muitos recorreram aos carros nacionais, ou até mesmo aos seminovos, que também ficaram mais baratos.

Mas, as dificuldades da indústria nacional não passam apenas pela concorrência de carros importados. Os problemas são mais estruturais. Os principais seriam décadas de protecionismo, além da cultura recente da importância da competição. “Carga tributária complexa e excessiva, a infraestrutura precária e a baixa produtividade do trabalhador brasileiro também são fatores que implicam em problemas”, afima Kremer.

 

Brasileiro continua tradicionalista e desconfiado

Segundo o sociólogo Marcelo Paes, a população brasileira é tradicional com as marcas e ainda tem pé atrás com produtos chineses. “Querendo ou não, alguns produtos têm problemas, mesmo tendo elogios da crítica especializada, como os carros. Por isso, preferem confiar nas marcas que já estão há mais tempo no mercado”. Para o taxista José Silveira, os carros nacionais ainda têm suas vantagens e são competitivos, mesmo sendo um pouco mais caros. “O grande problema dos chineses é a reposição de peças, que nos nacionais é mais fácil. E, também, nós conhecemos as marcas que já estão aqui”, afirma o taxista, que trabalha com um Cobalt, da Chevrolet.

Já a psicóloga Talita Borges, dona de um Jac J3, não vê nenhum problema em apostar em marcas novas. “Gostei do carro quando fiz o test-drive, e o preço também é muito chamativo”, afirma. 

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Estrangeiros

Executivos estrangeiros no Brasil

Para se adaptar ao “jeitinho brasileiro”, profissionais de outros países recorrem ao coaching e a cursos de MBA

Crédito: SXC

 No Brasil, estrangeiros têm que driblar as diversidades culturais

33 mil. Esse é o número de vistos concedidos pelo Ministério do Trabalho para estrangeiros, de janeiro a junho desse ano. Número recorde quando analisamos igual período do ano passado e constatamos que o aumento no índice de solicitações de vistos subiu 25%. O alto número mostra que o mercado local aquecido é o principal atrativo para os trabalhadores de outros países, porém, apesar da facilidade para encontrar um espaço no mercado de trabalho, se adaptar à realidade nacional não é uma tarefa fácil para os estrangeiros. Para driblar o jeitinho brasileiro, eles têm recorrido a algumas alternativas, como o coaching e cursos de especialização.

Português, da cidade do Porto, Rui Alves, veio ao Brasil há três anos a serviço de uma empresa portuguesa. A primeira impressão foi de um povo receptivo, mas após alguns meses percebeu algumas dificuldades no relacionamento interpessoal. “O Brasil é um país de fácil adaptação para todas as pessoas. O povo aqui é aberto e vê o estrangeiro como alguém que vem agregar qualidades ao país, e não propriamente como uma ameaça. Mas, estava acostumado com uma mentalidade e uma forma de trabalho em que as pessoas diziam exatamente o que pensavam sobre um determinado tema. Praticar isso aqui é mais complicado”, conta. Para Rui, além da dificuldade em aceitar uma crítica negativa, os empregadores brasileiros sofrem, geralmente, de miopia gerencial, apresentando uma grande resistência à mudança. “Os empregadores preocupam-se demasiado com o pacote salarial que têm que pagar ao colaborador, sem questionar, primeiramente, o que é que este tem para oferecer à empresa, do ponto de vista da geração de riqueza e de produtividade”.

Para se adaptar as divergências entre os países, uma das saídas encontradas pelo português foi realizar um MBA. “Nas aulas fazia perguntas que, para os brasileiros, parecem esquisitas, e todo o mundo ria, mas aqui é tudo muito diferente. Graças ao curso que fiz no Brasil, hoje, me sinto mais preparado para trabalhar e viver aqui. Mais até do que me sentia quando trabalhava em Portugal. É até engraçado”, ressalta.

Coaching

Dados divulgados pela Fesa, empresa de recrutamento especialista em cargos de alto escalão, mostram que houve um aumento de 26% no envio de currículos de estrangeiros em 2011. Já a companhia CTPartners apontou que a empresa também registrou aumento, só que dessa vez de 70%. São executivos em busca de uma recolocação, frente à enorme crise mundial.

Yann Duzert, coach, palestrante e professor de cursos da FGV, com Pós-doutorado no MIT-Harvard Public Disputes Program, aponta que grande parte desses estrangeiros encontra problemas culturais na hora da adaptação. “Muitos resolvem questões de maneira direta e objetiva, o que aqui, algumas vezes, é visto como arrogância. A linguagem e as políticas do país também são dificuldades que eles enfrentam. O Brasil possui regulações, decisões tributárias e um processo de fiscalização extenso, o que confunde esses executivos”, explica.  Segundo Duzert, durante esse processo de ambientação, o coaching acaba sendo um facilitador que orienta os empresários a lidarem com esses conflitos locais. “Eles possuem problemas até para entender como funciona a divisão de poderes: executivo, legislativo e judiciário”. Para Rui Alves “aqui tem o jeito certo de fazer as coisas, o jeito errado, e 'o melhor' jeito. Encontrar esse ponto de equilíbrio em cada situação é difícil”.

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Pós-Graduação FGV

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Inovação

Inovação: da presidência aos colaboradores

O open inovation - compartilhamento de ideias entre os stakeholders, com o objetivo de produzir conhecimento - tem sido amplamente adotado por empresas globais

No ano passado, a revista americana Forbes divulgou um ranking das empresas mais inovadoras do mundo e, na oitava posição, estava uma empresa brasileira: a Natura. A companhia de cosméticos alcançou, inclusive, resultado próximo aos de empresas líderes na área da inovação, como Apple (5ª) e Google (7º). O que levou a Natura a tal colocação? O investimento em boas ideias!

Mas, engana-se quem acredita que a empresa investe pesado apenas em áreas de desenvolvimento de produtos. “Entendemos inovação em nossos negócios de forma ampla, permeando todas as áreas da empresa - pesquisa científica e desenvolvimento de tecnologias, conceitos e produtos, estratégia comercial e também o sistema de gestão e as novas formas de relacionamento com os públicos”, explica o diretor de Ciência & Tecnologia e Ideias e Conceitos da empresa, Victor Fernandes. E os colaboradores são peças-chave nesse processo. A companhia mantém o Funil de Ideias e Conceitos (FIC), projeto de geração de projetos empreendedores, onde os colaboradores, sozinhos ou em grupos, inscrevem suas ideias e preparam um plano de negócios. Os projetos selecionados são apoiados em sua conceituação e execução. Todo ano, a companhia investe entre 3% e 4% de sua receita em novos produtos. No ano passado, ela investiu 139,7 milhões de reais em inovação.

Iniciativas como a da empresa, de open inovation - compartilhamento de ideias entre os stakeholders, com o objetivo de produzir conhecimento - tem sido amplamente adotado por companhias globais. “Não só os consumidores, mas todos os clientes internos de uma organização estão aptos e ‘devem’ ajudar neste processo. É muito comum, atualmente, as empresas fazerem reuniões (brainstorm) com seus colaboradores, além de caixas de sugestões com gratificações para as melhores ideias. Esse incentivo é importante, pois as empresas perceberam que possuem um valioso capital intelectual interno e começaram a buscar essa gestão do conhecimento”, detalha a professora de inovação e processo de desenvolvimento de produtos da FGV, Yara Buozo.

Clientes atuantes

As empresas têm entendido que restringir a inovação a departamentos internos de pesquisa e desenvolvimento limita todo o processo. As companhias têm adotado o modelo de open inovation e agora passam a contar com a colaboração de toda a sua rede - fornecedores, colaboradores, clientes, universidades e até concorrentes - na hora do desenvolvimento de um novo produto ou serviço. “As melhores ideias surgirão quando a organização atender um desejo não satisfeito de um target específico”, exemplifica Buozo.

Em 2008, a rede de cafeterias americana Starbucks criou o site My Starbucks Idea para coletar sugestões de clientes. O resultado? A página online recebeu 75 mil sugestões. Entre elas, estava a ideia adotada pela cafeteria do "gelo de café", ao invés de água, para que a bebida não perdesse o gosto à medida que o gelo derretia. “Vivemos em uma era de mudanças rápidas. Assim, devemos traçar estratégias constantes de inovação para sempre estarmos à frente de nossos concorrentes. Produtos e serviços ficam rapidamente obsoletos, e o fluxo de novas ideias deve ser constante para um futuro próximo e promissor”, comenta Yara. Melhor ainda quando essas ideias inovadoras partem dos próprios consumidores.

Crédito: Divulgação

A Natura foi eleita pela Forbes a 8ª empresa mais inovadora do mundo

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Tecnologia

No piloto automático

Google e alunos da USP apresentam projetos para carros sem motorista

Crédito: Google

Carro desenvolvido pelo Google já rodou mais de 250 mil km

Quem nunca sonhou em ter um carro que fosse sozinho para casa e não precisasse se preocupar com o trânsito caótico das cidades? Pois bem, isto pode se tornar realidade mais rápido do que se imagina. O Google já testou seu veículo robotizado no estado da Califórnia, Estados Unidos. O carro já percorreu mais de 255 mil km, passando por cidades como São Francisco e Las Vegas, por exemplo.

Mas, não pense que esta tecnologia ficará apenas à disposição dos norte-americanos. No Brasil, já há um grupo de estudantes, do Laboratório de Robótica Móvel da Universidade de São Paulo (LRM – USP), trabalhando nesta ideia.

Segundo Denis Wolf, coordenador do LRM, o projeto CaRINA (Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma) visa o desenvolvimento de um veículo autônomo inteligente, capaz de transitar em ambientes urbanos sem a necessidade de um condutor humano. “O principal objetivo é desenvolver um sistema de auxílio ao motorista, mas também diminuir o número de acidentes, além de aumentar a eficiência do trânsito”, afirma. 

O projeto teve início em abril de 2010, com a aquisição de um veículo elétrico, que foi chamado de CaRINA 1. Ele foi modificado e, em outubro do mesmo ano, o carro realizou os primeiros testes de condução autonôma, no Campus 2 da USP/São Carlos, no qual foram obtidos vários resultados práticos que auxiliaram na continuidade do trabalho.

Em julho de 2011, foi adquirido o CaRINA 2, um Fiat Palio Adventure Dualogic que, após as alterações, pode ser testado em situações de trânsito convencionais e em maior velocidade do que o CaRINA 1. Em abril de 2012, foram realizados os primeiros testes de controle computacional (Drive by Wire). Já em setembro, o veículo foi testado nas ruas do Campus 2 da USP/São Carlos, com controle 100% autônomo.

Crédito: LRM

CaRINA 2: Carro sem motorista desenvolvido pelos alunos da USP.

Wolf revela que o custo aproximado do veículo, com sensores e computadores embarcados, é de R$ 200 mil. Atualmente, o projeto CaRINA conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e é uma das principais linhas de pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC).

Segundo o Google, a previsão para estes veículos estarem transitando pelas ruas é de cinco anos, até mesmo para as pessoas comuns com menos poder aquisitivo. Mas, para Denis, a tecnologia tem que evoluir mais e se tornar mais segura para ir ao mercado. “Calculo que estejam nas ruas entre 15 e 20 anos”, afirma.

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Empresas

O que são empresas ambidestras?

Organizações tentam capacitar seus funcionários para esta filosofia

Crédito: SXC

Empresas procuram fortalecer o conceito

O que é ser ambidestro? Para exemplificar, utilizaremos o futebol. O jogador que é ambidestro, joga futebol pelos dois lados do campo, ou seja, é versátil e pode fazer suas funções com qualquer uma das pernas.

Já no ambito empresarial, ser ambidestro é ser inovador e ter excelência operacional. A organização tem facilidade em implantar novos projetos, mas também tem excelência em gerí-los. Segundo Paulo Benetti, Diretor da Inteligência Natural Consultoria, “uma empresa ambidestra é aquela interessada na sua eficiência, melhorando continuamente os seus produtos e serviços, mas, ao mesmo tempo, procurando desenvolver de forma radical novos produtos, serviços, etc”.

Um dos grandes desafios das organizações é a preparação da equipe para alcançar essa filosofia. O processo tem que começar pela alta gerência da empresa, passando para a gerência e os colaboradores. A capacitação é um importante processo. “Um conjunto de valores que suportem esta decisão deverá ser bastante forte, de forma que seu processo decisório seja bastante proativo”, afirma Benetti.   

Para o administrador de empresas, Luis Oliveira, consciliar a inovação e a excelência operacional é um processo muito árduo e complicado. “Muitas vezes, os profissionais não conseguem consciliar as duas coisas e acabam dando prioridade a uma delas. Por isso, a capacitação e o reforço são muito importantes para que a filosofia fixe na empresa”.

O processo de inovação nas empresas também é um assunto que ganha cada vez mais força. Para se tornarem competitivas no mercado, as organizações recorrem a novas ideias e novas táticas para conquistar o cliente. “Quem não inova, terá problemas para continuar no mercado”, afirma Benetti. Para Luis Oliveira, a inovação não é um problema em alguns setores de sua organização, mas, em outras áreas, há resistência por parte dos funcionários. “Há alguns colaboradores que têm certa aversão a mudanças nos processos e atividades. Por isso, estamos trabalhando mais forte com eles”.

Em algumas empresas, há resistência na hora de inovar, pois muitos acham que a nova ideia pode tomar seu lugar na organização. “Estas pessoas normalmente sentem-se muito inseguras dentro deste ambiente. Elas pensam que a criatividade e a inovação nasceram para tomar sua posição de trabalho”, complementa Benetti.

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Tendência

Caçadores de tendências

O coolhunter observa comportamentos da sociedade para identificar tendências

"Uma tendência pode ser descrita como uma ‘anomalia’ – algo estranho, uma inconsistência ou desvio da forma, que torna-se proeminente após um período de tempo, à medida em que mais pessoas, produtos e ideias passam a fazer parte dessa mudança", essa é a definição da palavra tendência para o pesquisador da consultoria de tendências Future Laboratory,  Martin Raymond. E é a identificação antecipada dessas intensões que as empresas têm buscado para entender os desejos e o comportamento dos seus consumidores.

Antes de um determinado modismo invadir as passarelas e, consequentemente, as vitrines dos grandes maisons, ele certamente foi identificado e trabalhado por um especialista que captou e antecipou uma nova tendência, o coolhunter, ou caçador de tendência. Sim, o termo existe e já está bastante disseminado. “Na verdade, o trabalho do coolhunter é, imensamente, mais profundo do que apenas encontrar coisas legais. Trabalhar com o que é cool é identificar algo bacana e original, que está na mídia, mas é para poucos. Certa dose de inacessibilidade torna algo cool. Hoje, com o acesso de cada vez mais pessoas ao consumo e, consequentemente, a produtos, o cool aparece em experiências únicas”, explica a especialista em Coolhunting em Investigação Qualitativa de Tendências, pela Universidade Ramón Llull, Andrea Krueger.

A definição teve sua origem nos anos 80, época em que empresas de marketing procuravam novos enfoques para os estudos do mercado consumidor. A moda por muito tempo seguiu se fazendo na caça pelas tendências. Hoje, já é possível identificá-la na publicidade, design, gastronomia e até na área automobilística. E, apesar de não ser uma técnica nova, a procura por profissionais especialistas no campo, certamente, está em expansão. “O analista de tendências trabalha em todas as áreas. Moda é apenas o fenômeno mais facilmente observado das mudanças sociais. Já trabalhei com empresas de diversos ramos: alimentação, roupas esportivas, beleza, política e até um consultório de dentista. A pesquisa qualitativa associada à análise de tendências é essencial para qualquer negócio, independente do ramo ou do tamanho. Conhecer os anseios do cliente e cruzá-los com as mudanças sociais fornece subsídios riquíssimos, desvendando diversas oportunidades que poderiam facilmente passar em branco”, identifica Krueger.

Crédito: SXC

coolhunter observa comportamentos da sociedade para identificar tendências

Nos Estados Unidos essa procura por profissionais da área teve sua expansão em 2000. A Shell, companhia de energia e petroquímicos, por exemplo, mantém uma equipe de caçadores que trabalham com possíveis cenários até 2050. No Brasil, a função é nova. Agências mundiais começaram a desembarcar no país e já estão fazendo a sua carteira de clientes. A WGSN, com sedes na Europa, Estados Unidos, America Latina e Ásia, já possui cerca de 200 clientes brasileiros, entre eles a Coca-Cola, Abril e Editora Globo. A Stylesight, com filiais na Europa, América e Ásia, possui uma unidade no Brasil desde 2008, e hoje conta com uma carteira de 2000 contratantes.

Para identificar esses comportamentos que ainda nem surgiram, o coolhunter precisa, acima de tudo, ter sensibilidade e estar de olho no mundo à sua volta, às pistas, sintomas e dados que, quando interpretados, podem ser valiosos para organizações. Mas, para quem pensa que o trabalho é fácil, se engana. A rotina é árdua: parte das ações é no campo, tirando fotos e levantando hipóteses assertivas. Além disso, interpretar esses dados colhidos requer conhecimentos de semiótica, sociologia, marketing, antropologia, política, economia e diversos outros.  A WGSN, por exemplo, conta com um time de 200 colaboradores entre antropólogos, sociólogos, fotógrafos, jornalistas, pessoas formadas em arte e design. “Na sociedade hiperconsumista e hiperconectada em que vivemos, os gostos mudam muito rapidamente. É essencial para qualquer empresa com ambição se antecipar a essas mudanças, combater a imprevisibilidade (responsável pelo fracasso de inúmeros projetos), por meio da investigação, dos anseios dos consumidores que decorrem desses câmbios sociais”, finaliza Andrea.

Quer entender um pouco mais sobre coolhunting? Confira as indicações abaixo:

Fonte: Revista Exame

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GBA ISAE

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Especial

Corrida nas Empresas

Esporte tem aumentado seu número de adeptos, principalmente nas empresas

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Case

Cavaco de ferro pode gerar energia térmica

Projeto vencedor do Prêmio Ozires Silva está sendo desenvolvido nos E.U.A.

Crédito: Divulgação

João e Meron Kovalchuk durante cerimônia do Prêmio Ozires Silva

Já imaginou um sistema que, por meio da reutilização do ferro proveniente de sobras de processos de usinagem, consiga produzir energia térmica e aquecer uma grande quantidade de água ou qualquer tipo de fluido? O mecanismo não só existe, como já está tendo a sua patente disputada por algumas empresas para implantação.

A máquina funciona da seguinte maneira: o calor produzido por reações químicas exotérmicas (quando certas substâncias ou elementos isolados entram em contato com o ar, oxidam e geram calor) de cavacos de ferro, provenientes de restos de matéria prima industrial, é reaproveitado para aquecer tubulações metálicas, pelas quais passam diversos tipos de fluidos. Apesar de complicado na teoria, na prática o projeto é muito simples e tem gerado uma série de benefícios: reaproveitamento de materiais (cavacos de ferro – sucata de alto carbono prejudicial ao meio ambiente), economia de energia para obtenção de água ou outro tipo de fluido já aquecido, alternativa para o aquecimento de água domiciliar e geração de energia térmica.

O sistema para aquecimento de fluidos por meio da oxidação de cavacos de ferro é um projeto de autoria de Meron Kovalchuk e João Kovalchuk. Responsável pela área de inovação tecnológica e desenvolvimento da América Latina da CNH, João contou com o apoio da empresa para colocar o projeto em prática. Atualmente, a máquina de produção de energia térmica está sendo produzida em uma unidade da CNH nos E.U.A., e sua patente está sendo negociada com outra companhia.

Prêmio Ozires Silva

A invenção de pai e filho foi vencedora do último Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável, na categoria ambiental. “Por conta da premiação, fui promovido, dentro da empresa em que trabalho”, conta João Kovalchuk.

As inscrições para a 6ª edição do Prêmio Ozires Silva estão abertas e podem ser realizadas até o dia 16 de dezembro pelo site www.isaebrasil.com.br/premio.

 

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Artigo

Onde sua empresa estará daqui alguns anos?

Rodrigo Kasecker é Administrador de Empresas. Especializado em Gestão e Estratégia Empresarial e possui MBA em Marketing pelo ISAE / FGV. Também é Diretor da KZS – Soluções Empresariais Inteligentes e Consultor nas áreas de Finanças, Marketing e Estratégia.


Quando perguntamos isto a um empresário, parece que estamos fazendo uma brincadeira de mal gosto, afinal, ele não tem bola de cristal para conhecer o futuro. Mesmo assim, independente do porte ou mercado em que a empresa está inserida, afirmo ser possível obtermos esta resposta por meio do Planejamento Estratégico Empresarial.

O planejamento estratégico surge do exército em que generais discutem e “definem” como vão combater e vencer seus inimigos. É imprescindível conhecer muito bem as forças e fraquezas suas e de seus inimigos, assim como as ameaças e oportunidades oferecidas pelo local da batalha. Por meio da busca, análise e entendimento de como estes fatores interagem, eles podem definir o vencedor da batalha.

Esta mesma manobra militar foi adaptada aos processos empresariais para que uma empresa possa perceber quais são suas chances de vencer e conquistar sua fatia de mercado, ornando o mais importante instrumento de gestão de curto, médio e longo prazo. Ao conhecermos todas as características próprias e dos concorrentes, podemos nos antecipar às mudanças e tendências que definem cada mercado.

Michael Porter, um dos mais importantes autores no campo da estratégia, destaca que uma organização sem um devido planejamento “corre o risco de se transformar em uma folha seca, que se move ao capricho dos ventos da concorrência”. Algumas empresas podem até crescer sem um devido planejamento, mas constituem raras exceções que devem reformular imediatamente suas gestões para continuarem a história de sucesso.

Para se tornar uma poderosa ferramenta gerencial, o planejamento estratégico exige cautela, devendo ser realizado por profissionais qualificados para fugir do imediatismo e levar em conta as peculiaridades de cada organização. Embora a realidade esteja repleta de eventos aleatórios, é justamente sobrepondo-se à sorte que você e sua empresa se destacarão.

As oportunidades acontecem para todos, a todo o momento e em todos os lugares, o que faz a diferença é o quanto você está preparado para identificá-las e aproveitá-las. A sua companhia pode estar perdendo oportunidades neste exato momento. Desenvolva o planejamento estratégico de sua empresa para ter confiança de que sabe onde ela estará no futuro.

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Indica

Perspectiva ISAE Indica

 

 

Fator Humano e Desempenho - O Melhor de Peter Drucker sobre Administração. (Peter F. Druker)

Nesta obra, Drucker analisa o que é administração. Suas origens e desenvolvimento, tarefas, funções e dimensões. Além disso, discute o que é um administrador, o que faz, o que o distingue de outros profissionais e indaga o que é uma empresa.

 

 

Mulheres no Poder - Os cinco passos para ter sucesso na vida profissional. (Joanna Barsh e Susie Cranston)

“Mulheres no Poder” mostra um ponto de vista otimista e as ideias únicas a respeito do sucesso. Trata-se da nova "coisa certa" da liderança. Levantando questões instigantes, tais como se as características da liderança feminina (para homens e mulheres) são mais adequadas para esse planeta complexo e, cada vez mais, acelerado.

 

 

 

 

 

Observatório de Sinais - Teoria e Prática da Pesquisa de Tendências (Dario Caldas)

Neste livro se encontra uma análise abrangente e inovadora do tema tendências, um olhar crítico e desafiador sobre verdades tidas como absolutas e há muito sedimentadas nesse universo.

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6º Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável