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Giro nos Negócios

Giro nos Negócios

Pão de Açucar inova nas vendas

No dia 08/01, o Pão de Açucar anunciou o primeiro drive-thru do varejo alimentar no Brasil. O novo modelo foi implantado em uma loja de São Paulo e, caso haja sucesso, deverá ser expandido para outras lojas da rede. O serviço funciona da seguinte maneira: o cliente faz suas compras pela loja online e as retira pelo drive-thru. O cliente ganha no prazo, já que os produtos podem ser retirados três horas após a compra.

McDonald's muda de nome na Austrália

Em virtude das comemorações do Australian Day, celebrado no dia 26 de janeiro, o McDonald´s mudou o nome de suas lojas na Austrália para Macca´s. O nome é uma espécie de apelido local para a rede de fast-food. Os letreiros, o material de apoio e o site da marca no país já mudaram a logo para Macca’s. Em pesquisa realizada pela empresa, 55% dos entrevistados afirmaram preferir o apelido ao nome oficial.


Caixa, MasterCard e TIM oferecerão pagamento móvel

No início de janeiro, a Caixa Econômica Federal, MasterCard e TIM anunciaram uma parceria para lançar, no segundo semestre, a opção de pagamento por meio de telefones celulares. Segundo a Caixa, o assinante TIM poderá comprar e fazer outras transações financeiras utilizando o celular ou um cartão magnético vinculado ao seu número de telefone. A MasterCard ficará responsável pela plataforma de pagamentos móveis, processamento das transações e pela bandeira.

 

IPI 2013 terá aumento gradual

Em dezembro, o Governo Federal decidiu que o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) voltaria a subir gradativamente até junho de 2013 para automóveis, eletrodomésticos, linha branca e móveis. Em julho, as taxas deverão ter seus valores normalizados, de acordo com o que era vigente antes da redução do imposto. As mudanças já estão valendo desde o primeiro dia do ano. Para os veículos, os reajustes serão feitos de acordo com o tipo de motor.

Pedidos de falência no país aumentaram 11% em 2012, diz Serasa

Os pedidos de falência aumentaram 11% em 2012, para 1.929, ante 1.737 requerimentos em 2011, de acordo com dados divulgados em janeiro pela Serasa Experian. Do total do ano passado, 1.086 pedidos partiram de micro e pequenas empresas, 530 de médias e 313 de grandes companhias. A Serasa Experian avalia que a elevação deve-se ao ambiente desfavorável para a geração de receitas e gestão do fluxo de caixa das empresas em 2012.

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Capa

Economia brasileira chega tímida em 2013

2012 fecha com apenas 1% de crescimento econômico. 2013 também promete ser discreto

Crédito: SXC


Crise mundial afetará a economia brasileira em 2013

 

De acordo com o relatório Focus, do Banco Central do Brasil, a economia brasileira fecha o ano de 2012 com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 1%. O número está bem abaixo das expectativas iniciais do governo, que apontavam um crescimento em torno dos 3%. Mas, a dúvida que fica é: e quanto a 2013? Será que o ano que se inicia seguirá os padrões de 2012 – e as expectativas da economia mundial – e apresentará um crescimento pouco representativo, ou desponta e, indo contra a maré, se mostrará um ano extremamente positivo? A Perspectiva ISAE traz nessa matéria as expectativas oficiais e de alguns economistas sobre o mercado brasileiro de 2013.

Com base nas projeções do FMI e do Banco Mundial, as expectativas de crescimento em relação ao PIB mundial estão entre 3% e 3,6%. Já para a área do Euro, entre 0,2% e 0,7%. Para os países em desenvolvimento, entre 5,6% e 5,9%, e para a América Latina, entre 3,9% e 4,1%.

Com a economia mundial em ritmo lento, o Brasil deve crescer pouco esse ano, 3,3%, e com uma inflação, consideravelmente, alta. De acordo com balanço divulgado pelo Governo, o índice de preços IPCA ficará apenas em torno de 5%. Porém, há quem discorde dessa afirmativa, uma vez que a taxa de desemprego segue muito baixa e a oferta de crédito deve crescer um pouco mais neste ano, fazendo com que os consumidores continuem correndo às lojas, estimulando, dessa forma, o reajuste constante dos preços dos produtos. “Devemos atentar para o nível de inflação. A projeção para esse ano, 5,47%, está muito próxima ao índice de 2012, de 5,69%. Já sofremos muito no passado com os altos índices de inflação, que prejudicavam todos os agentes econômicos, corroendo, principalmente, o poder de compra da classe trabalhadora, e não queremos mais que ela volte. Uma das grandes riquezas de uma nação é a estabilidade do valor da moeda. O Banco Central do Brasil deve continuar zelando pela manutenção do valor da nossa moeda”, alerta o economista José Eduardo Nalini.

Além da inflação, outro fato que deve preocupar diz respeito à redução da atividade econômica no mundo, fato que costuma afetar a balança comercial brasileira – o que reflete a diferença entre exportações e importações - uma vez que o país exporta menos, por conta da demanda internacional retraída. Enquanto no ano passado a balança comercial fechou com um saldo próximo a US$ 20 bilhões, a projeção para 2013 é de uma queda para US$ 16 bilhões. “A Europa segue refém de seus déficits fiscais e orçamentários, somados ao desemprego e ao excesso de benesses históricas fornecidas pelos governos. Os Estados Unidos possuem uma capacidade incrível de se reinventar, mas o desemprego urbano ainda está acima dos limites. A China reduzirá a trajetória de crescimento e terá que enfrentar a elevação interna de preços. Em suma, 2013 não será um ano de grandes mudanças de cenário, isto porque os problemas internacionais são profundos e o ‘tempo’ da economia costuma ser mais lento que o tempo cronológico, infelizmente”, explica a economista, Carla Beni.

Crédito: SXC

Poupar é a palavra de ordem de 2013

 

Disciplina Financeira

Apesar do fraco crescimento previsto, o crédito continuará a todo vapor. Porém, é preciso ter cuidado com a abertura desenfreada e a contratação em grande escala. “Os brasileiros precisam ficar atentos ao seu nível de endividamento e quanto pagam de juros nas prestações, e não se preocuparem, somente, se as mesmas cabem no orçamento doméstico mensal. As taxas de juros do financiamento imobiliário também ainda são muito altas, oscilando em torno de 9%, dependendo do banco”, ressalta Nalini. Beni é ainda mais enfática com relação ao crédito. “O acesso ao crédito é, sem dúvida alguma, a mola propulsora do capitalismo. Isto é muito bom para a população inteira, mas há um período de ajuste onde a inadimplência aparece e tira um pouco a graça da brincadeira. Isto é normal, porque a disciplina financeira não é uma característica do nosso povo e, infelizmente, não temos o aprendizado de finanças pessoais na escola. Gastar é ótimo, mas temos que aprender que ‘cheque especial’ não é renda. Aquele valor não te pertence, e o custo do dinheiro – juros – é o preço que se paga pelo imediatismo”.

Sendo assim, o segredo para o esse ano é poupar. “Com o crescimento da renda dos brasileiros, temos que aprender a fazer poupança. O país é carente de poupança privada, seja para investimentos por meio de fundos de previdência privada, compra de ações ou ainda títulos de dívida – conhecidos como debêntures - de empresas de capital aberto, ou listadas em Bolsa de Valores. O mercado de capitais ainda tem muito espaço para crescer no Brasil e, com a queda drástica da taxa básica da economia, as aplicações de renda fixa estão rendendo bem menos que antes, levando à diversificação dos investimentos. Isso forma uma carteira de investimentos com renda fixa e renda variável, de maior risco, para obter um retorno maior”, finaliza, Nalini. 

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Orçamento

Tá na hora de descansar

Com as férias chegando, é necessário se planejar e poupar

Crédito: SXC

Férias têm que ser planejadas para não haver sustos na hora do pagamento

Chegaram as férias, hora de se desligar um pouco de tudo, colocar as ideias no lugar e viajar sem preocupações, certo? Para o consultor na área de finanças, Jerry Kato, desde que haja um planejamento antecipado e um valor reservado e poupado por mês de forma disciplinada, há inúmeras possibilidades para que as férias sejam bem divertidas e proveitosas.

O professor de finanças do ISAE/FGV, Marco Cunha, alerta para as despesas de começo do ano como IPTU, IPVA, material escolar e uniforme. “Para podermos sair de férias e aproveitar com tranquilidade, deve-se estabelecer quanto podemos gastar durante elas, considerando então os parcelamentos já assumidos e essas despesas extras de início de ano. Senão, pode acontecer de descansarmos nas férias e precisarmos de muito trabalho para pagá-las logo depois”, afirma.

Por isso, a melhor alternativa é se planejar desde o início do ano anterior, quando se pode poupar alguma quantia para esta atividade. Sabendo o quanto pode gastar, fica mais fácil definir que destino as férias terão. Para aproveitarmos mais nossos momentos de descanso, basta planejá-los com antecedência, ao longo do ano anterior. As passagens aéreas e pacotes turísticos têm preços mais atrativos para quem compra antecipadamente, e também pode-se pesquisar e escolher o local, as datas, o hotel e passeios que gostamos e queremos fazer com mais tranquilidade”, afima Marco Cunha.

Mas, para planejar é necessário ter cuidados que, se não forem percebidos, podem atrapalhar em alguns momentos. “Uma das ações é gastar menos do que se ganha. Muitas vezes, há gastos desnecessários que atrapalham o orçamento, não conseguindo pagar as dívidas adquiridas. O dinheiro pode se tornar um grande inimigo da família”, aponta Kato.

Segundo Marco Cunha, o importante para esse planejamento é “anotar tudo”, desde o pagamento de contas já conhecidas, como água e luz, até pequenas despesas, como um simples cafezinho. Esse controle de despesas é o primeiro passo no processo chamado de educação financeira, que todos precisam conhecer. Com isso, será possível entender onde está indo o dinheiro mensalmente e tornar possível um planejamento de gastos, analisando as despesas por grupo e estabelecendo prioridades e limites. “Um segundo passo é comparar os ganhos e despesas mensais, e verificar se há espaço para poupar ou planejar a liquidação de alguma possível dívida”, finaliza.

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Tecnologia

Nova legislação para crimes online

Apelidada de lei Carolina Dieckmann, a nova lei pune uma série de atividades ilegais realizadas no ambiente virtual

Crédito: SXC

Lei mais severa para crimes cometidos no meio virtual

Em maio de 2012, 36 fotos da atriz Carolina Dieckmann nua foram divulgadas na internet. Segundo as investigações, dois hackers teriam enviado um spam para a atriz que, sem querer, clicou e abriu o arquivo em seu computador, permitindo que os hackers tivessem acesso à máquina e furtassem cerca de 60 arquivos. As fotos foram compartilhadas em sites pornográficos e a atriz ainda foi chantageada para que as demais fotos não chegassem à rede. Com a ajuda da polícia, os suspeitos foram identificados e, como até então no Brasil ainda não existia uma lei específica para crimes de informática, indiciados por furto, extorsão qualificada e difamação.

Porém, impulsionada pelo caso, que teve grande apelo midiático, em novembro do mesmo ano, a Câmara dos Deputados aprovou duas leis que alteram o Código Penal para estabelecer aos crimes eletrônicos e na internet suas respectivas sanções. Na sequência, os projetos foram aprovados pela presidente Dilma Rousseff. De acordo com o professor de Direito Eletrônico da FGV e sócio da Ópice Blum Advogados Associados, Rony Vainzof, antes da aprovação dessa lei, a legislação vigente poderia ser aplicada, na maioria dos casos, para crimes virtuais. “Para 95% dos crimes que aconteciam no virtual já havia prescrição penal, já que o que mudava era apenas o meio para a prática do crime. Mas, realmente, não havia algo específico referente ao meio eletrônico”, explica Vainzof.   

Uma das leis é a de número 12.737, que ganhou o apelido de Lei Carolina Dieckmann. A lei tipifica crimes como uso de dados de cartões de débito e crédito sem autorização do proprietário, invasão de dispositivos eletrônicos como celulares, notebooks, desktops, tablets ou caixas eletrônicos para obter ou adulterar dados e conseguir vantagens ilícitas. As penas podem variar de três meses a dois anos de prisão e multa. Além de tornar crime a invasão, a lei também prevê pena de até um ano de prisão para "quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde programa de computador" com objetivo de causar dano. “O objetivo é punir quem cria e dissemina vírus de computador e códigos maliciosos para o roubo de senhas, por exemplo”, ressalta Vainzof. As penas podem aumentar se o crime for contra políticos como vereadores, deputados federais e estaduais, senadores e o presidente da República, ou se a invasão resultar em prejuízo financeiro.

A outra lei sancionada por Dilma determina que a polícia se estruture com equipes especializadas para combater crimes em rede de computadores ou em sistemas informatizados.

  • Como se proteger

    Para os que usam um computador com sistema operacional Windows, vale a pena seguir as dicas de controle abaixo, para evitar que seu computador sofra com ações de hackers:

    1. O Windows vem com a conta de administrador desativada e sem senha. Sendo assim, ative a conta de administrador do sistema e utilize uma senha com mais de oito dígitos, mesclando letras e números;

    2. Limite o acesso de todos os outros usuários do computador, retire, inclusive, qualquer um que esteja com permissões de “administrador” que não seja o proprietário do aparelho;

    3. Instale um firewall – programa que verifica as informações recebidas a partir da internet ou de uma rede e bloqueia ou permite a respectiva passagem para o computador. Um firewall pode ajudar a impedir que hackers ou softwares maliciosos tenham acesso ao computador por meio de uma rede ou da internet. Um firewall também pode ajudar a impedir que o computador envie software malicioso para outros computadores;

    4. Instale um antivírus. Enquanto o firewall faz o controle de acesso das portas do computador na rede, o antivírus monitora a ação de programas maliciosos no computador;

    5. Cuidado com os arquivos anexados e links de e-mails de pessoas desconhecidas. Mas, também preste atenção em links estranhos enviados por seus amigos. O computador deles também pode ter sido contaminado por algum vírus e enviado e-mails maliciosos.

    6. Observe aplicativos e serviços desconhecidos que iniciam junto com o Windows;

    7. Faça todas as atualizações que o Windows exigir.

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MBA ISAE/FGV

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Políticas Públicas

Políticas Públicas: a participação da sociedade

O avanço da democracia participativa aumenta a eficácia e o alcance das atividades e programas governamentais

Crédito: Divulgação

A página da estudante Isadora Faber no Facebook, Diário de Classe, já conta com 530 mil opções “curtir”

Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Programa Nacional de Habitação, Plano de Expansão das Universidades Públicas, ProUni, Sistema Único de Assistência Social (Suas) e Políticas Afirmativas contra a discriminação racial, de mulheres e minorias sexuais. O que essas ações governamentais têm em comum? Todas foram formuladas e decididas com a participação direta de milhões de brasileiros. 

A participação popular nas políticas públicas brasileiras vem ganhando cada vez mais adeptos e contribuindo para aumentar a eficácia e alcance das atividades e programas governamentais. “Por falta de acesso às informações em muitas situações, o cidadão comum deixava de participar das decisões coletivas. As mudanças observadas nas últimas duas ou três décadas modificaram esta situação. Hoje, o cidadão dispõe de informação provida, não pelos meios de comunicação, mas também pelos próprios órgãos da administração pública. O Portal da Transparência, a Infraestrutura Nacional de Dados Abertos e a recente Lei de Acesso à Informação são três exemplos deste posicionamento da administração pública no sentido de permitir à sociedade o controle - legítimo - de se seus atos”, explica Fernando Travassos, professor de Gestão Pública na Era Digital. 

Um estudo do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), que tinha como objetivo medir o impacto da participação popular nas discussões do Legislativo, apontou que um quinto dos projetos de lei e quase metade das propostas de emenda constitucional que tramitavam no Congresso, em outubro de 2009, apresentavam convergência com debates realizados pela sociedade civil em conferências de políticas públicas.

Hoje, já existem diversos canais de interlocução com o Estado: conferências, conselhos, ouvidorias, mesas de diálogo. Para se ter uma ideia do avanço da democracia participativa, em 2009, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foram realizadas 73 conferências nacionais sobre políticas públicas, o que representa 64% do total de reuniões realizadas nos últimos 60 anos. Em média, as reuniões nacionais costumam reunir entre 600 e cinco mil pessoas, para debater temas que vão desde a geração de emprego e renda até a defesa da igualdade racial.

Foi por meio de um desses canais de comunicação, por exemplo, que foi criada a lei da Ficha Limpa. Em 2008, a Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (ABRACCI) e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), com a ajuda de cidadãos, lançaram a campanha Ficha Limpa com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de Iniciativa Popular (instrumento previsto na Constituição que permite que um projeto de lei seja apresentado ao Congresso Nacional desde que, entre outras condições, apresente as assinaturas de 1% de todos os eleitores do Brasil), que, após circular pelo país, conseguiu coletar mais de 1,3 milhões de assinaturas. Ele foi entregue e aprovado pela Câmara dos Deputados e no Senado, e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No início desse ano, ela foi declarada constitucional pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e começou a ser colocada em prática nas últimas eleições.

Internet

Mas as conferências nacionais e os debates não são os únicos canais de participação e comunicação com o Estado. A internet, mais fortemente por meio das redes sociais, tem desenvolvido um papel importante nesse cenário. “As tecnologias, em especial as relacionadas à comunicação e à disseminação de informações, ocupam papel fundamental nas mudanças observadas na sociedade. A internet, como infraestrutura, foi decisiva para estes avanços. Mas as redes sociais, em especial, sedimentam a formação de grupos de interesse e promovem a rápida comunicação”, determina Travassos.

Prova disso, foi a iniciativa da jovem Isadora Faber, de apenas 13 anos, que provocou grandes mudanças em sua escola, após a criação de uma página no Facebook que divulgava as péssimas instalações do colégio. “Estou fazendo essa página sozinha pra mostrar a verdade sobre as escolas públicas. Quero o melhor não só para mim, mas para todos”, diz Isadora no texto de abertura da fanpage chamada de “Diário de Classe”. "Olha, temos um orelhão na escola, mas quem disse que funciona? (sic)”, questionava em um dos posts. Nem os professores e as aulas escaparam ilesos da estudante. "De 5 aulas de hoje, só tivemos 2 com os professores titulares, as outras 3 foram com professoras substitutas. Quando temos aulas com auxiliares elas dão um texto e uma pergunta e é sempre isso, acho que o tempo poderia ser melhor aproveitado (sic)". As reclamações surtiram efeito e portas, maçanetas, fios desencapados e um ventilador já foram trocados, e o corpo docente da escola já sofreu alterações. Todas as modificações aconteceram após as reclamações chegarem até a Secretaria de Educação do município em que a aluna reside.

Outra iniciativa que utiliza a tecnologia como forma de mudança das políticas públicas é a Avaaz. A ONG é, hoje, a mais influente plataforma de web ativismo no mundo. Fundada em 2007, já coleciona 16 milhões de membros e 94 mil ações.Atualmente, cada campanha abraçada pela Avaaz passa de 1 milhão de assinaturas. A própria campanha da Ficha Limpa, mencionada anteriormente, contou com 800 mil assinaturas coletadas pela ONG. As ações ciberativistas da organização envolvem campanhas publicitárias, os voluntários enviam e-mails e telefonam para os governantes, também fazem eventos e protestos nas ruas em prol de uma causa. O site da organização já opera em 15 línguas por uma equipe profissional dividida em quatro continentes.

 

Crédito: SXC

As manifestações populares também exercem forte papel nas políticas públicas

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Educação

A educação em parceria com a tecnologia

Perspectivas de futuro envolvem desde intercâmbio a tecnologia para adquirir conhecimento

A cada dia que passa, a tecnologia tem invadido as salas de aula. São tablets, quadros eletrônicos, smartphones, entre outras tecnologias que auxiliam no aprendizado.

Para Carlos Frederico de Andrade, gestor do Grupo de Professores e Consultores (GPCon), a utilização de novos meios de acesso à informação e ao conhecimento auxiliam na evolução. “A utilização de equipamentos como os tablets e smartphones torna o acesso ao material disponibilizado pelos professores, como artigos, livros e aulas, mais fácil”, afirma.

Segundo o diretor de educação do ISAE/FGV, Antonio Raimundo dos Santos, os eletrônicos são apenas ferramentas. A educação é responsável pela mudança do referencial de avaliação da vida. Em termos de negócios, por exemplo, a educação com certeza é a alavanca da melhoria da produtividade, a capacidade de fazermos muito mais com menos.

Mas, para que esses equipamentos tenham um uso efetivo é necessário acertar alguns pontos na educação. Antonio aborda que as principais melhorias que devem ser feitas são qualitativas. “O componente mais crítico é o cultural, ou seja, continuar pensando educação como ‘escola + informação + certificação’. Isso criou o conhecido ‘cartorialismo’ educacional. Conta menos o que se sabe e muito mais o ‘papel’ que diz que você sabe”, afirma.

Crédito: SXC

Aluno pode acessar informações passadas por professores de qualquer lugar do mundo

Perspectivas para o Futuro

Para Frederico, a possibilidade de estudar em outro país é cada vez mais presente para o estudante brasileiro, o futuro da educação já está ocorrendo e é um fato. Mas, quem decide pelo Brasil também tem suas chances. “Para quem fica no país, o acesso ao ensino superior tem mais opções de instituições, cursos e formas de acesso, assim como de financiamento. Cabe agora escolher a melhor instituição e curso. Para isto, existem indicadores que podem auxiliar. O planejamento em educação é constante, assim como as ações. Este é o futuro”, complementa.

Para Antonio Raimundo, o local físico de aula perderá espaço. “Juntar-se fisicamente para receber informação, ou seja, ir para a sala de aula, foi o desafio superado pela escola que a revolução industrial criou, e que ainda nos serve. Mas, para ‘receber a informação’ na era do conhecimento, como nos dias de hoje, há inúmeras maneiras mais atrativas e efetivas - como ter aulas por Skype, filmes educativos, vídeo interativo - do que a clássica aula expositiva”, finaliza.

Educação no papel social

Muito se tem discutido sobre o papel da educação na sociedade. Alguns dizem que ela pode transformar a realidade da população, outros falam que pode auxiliar na queda do número de criminalidade, enfim, há várias teses, mas nenhuma que seja aceita em sua totalidade.

Segundo Antonio Raimundo dos Santos, a educação é criadora de referencias para o cidadão. “Quanto mais deseducada é uma população, menor é a capacidade de mudar o ponto de vista. Pessoas com conhecimento robusto conseguem transformá-lo e disponibilizá-lo como um grande conjunto de informação”, afirma.

Para Frederico, os investimentos que apresentam e mantêm este desenvolvimento por décadas traduzem, mais do que discursos, o que a educação representa para um país. “As novas perspectivas a partir do conhecimento é que permitem o almejado crescimento e desenvolvimento, o que torna a educação o melhor investimento para o cidadão e para o seu país”, finaliza.

 Crédito: SXC

Educação pode mudar o futuro do país se for feita de forma correta

 

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Gestão

Graça Foster: o rosto feminino da Petrobras

Demissões, diminuição de despesas, aumento de investimentos e um novo modelo de gestão

Crédito: Petrobras

A mulher à frente da Petrobras

Mineira, mas carioca de coração, botafoguense, casada, dois filhos e uma neta. Na área acadêmica, acumula uma graduação em Engenharia Química, uma pós-graduação em Energia Nuclear, um mestrado em Engenharia de Fluidos – ambos pela UFRJ – e um MBA em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV/RJ). Profissionalmente, passou por empresas como Nuclebras e Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia. Entre as características pessoais, pode ser mencionado o seu bom humor, a sua adoração pelos Beatles e seu pulso filme no trabalho. Esse poderia ser o retrato de vida de muitas mulheres brasileiras da atualidade, que têm que conciliar uma vida profissional bem ativa, com a vida pessoal. Seria uma história comum, se não fosse por um detalhe que ficou de fora da biografia descrita: essa mesma mulher é o braço de ferro de uma das 10 maiores empresas do mundo, Graça Foster, atual presidente da Petrobras.

A primeira mulher a ocupar a presidência da empresa entrou na companhia em 1978, mas entre 2003 e 2005 assessorou Dilma Roussef no Ministério das Minas e Energia. Essa experiência acumulada torna Graça competente para o cargo. Mas, engana-se quem pensa que os anos de empresa possam estar associados a comodismo: mudança é a palavra de ordem na Petrobras hoje.

Ao assumir a antiga cadeira de José Sérgio Gabrielli Azevedo, Graça fez mudanças significativas na estrutura, embora ainda consideradas poucas por especialistas. Trocou três grandes diretores da organização e dezenas de gerentes, enxugou despesas que resultarão em uma economia de R$ 15 bilhões ao ano, refez o plano estratégico da Bacia de Campos para evitar o declínio ainda maior da eficiência dos poços, agendou reuniões com toda a diretoria duas vezes por semana, ameaçou aumentar o preço da gasolina e aumentou o orçamento da área de exploração e produção. Só isso já seria o bastante, mas as mudanças não ficam por aí.

A Petrobras passa a atuar sob um novo modelo de gestão: a curva S. “Este modelo consiste na gestão da inovação de um produto ou de sua tecnologia. Ele avalia e controla projetos de produtos/serviços, desde o momento embrionário, passando pelo crescimento, maturidade, até a sua queda. No momento de maturidade, onde a curva S irá começar a cair, o projeto deve ser revisto e inovações devem ser implantadas para que se renove o seu ciclo de vida”, explica o especialista em marketing, Alexandre de Souza Teixeira.

Crédito: Petrobras

A Bacia dos Campos teve seu plano estratégico revisto

O modelo já se mostra operante, uma vez que todas as metas da empresa foram revistas. O plano de produção de petróleo para o quadriênio 2012-2016 teve seus objetivos reduzidos, já que há mais de uma década a Petrobras não atinge suas metas. Ainda assim, há um risco, segundo especialistas. “Um gestor corre riscos ao reduzir metas, na medida em que dá ao mercado sinalização de piora do resultado. E esse resultado pode ser um downgrading - piora nas notas de classificação de risco por parte das agências de classificação, como Moody’s, Fitch. Também há o risco de o investidor não mais se interessar pelas ações da empresa e iniciar um movimento de venda, que pode ganhar corpo e forçar o preço da ação para baixo”, explica o diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Carlos Ercolin.

Graça já admitiu que conforto não é uma palavra mencionada da Petrobras. A política da presidente é sob pressão. Ela acompanha de perto os principais projetos da companhia e se mantém alerta em tempo integral. “Trabalhamos sob total desconforto. É desconforto 365 dias por ano, 24 horas por dia”, declarou a presidente à Revista Época Negócios, no ano passado. Mas, será a tática certa para trazer a empresa de volta aos holofotes? “Esta política e conduta de gestão forma a cultura organizacional. Existem empresas que podem ter sucesso ou não com este tipo de clima corporativo. Normalmente, empresas que vivem num ambiente muito competitivo no mercado e controlam tudo por resultados têm políticas mais agressivas e controladoras, mas não necessariamente atingem sucesso somente com esta prática de gestão do medo e pressão. Normalmente, o resultado é em curto prazo com este modelo, e não se sustenta por muito tempo se a empresa não tem isso no seu DNA cultural histórico”, interpreta Teixeira.

Todas essas ações são uma tentativa de reverter o momento relativamente ruim que a empresa tem passado. Nos últimos quatro anos, a companhia perdeu R$ 220 bilhões em valor de mercado, deixando de ser a maior empresa brasileira na Bolsa de Valores, dando o posto para a Ambev. E reverter essa situação diante de uma economia mundial em crise, e com o mercado brasileiro com uma perspectiva de crescimento de apenas 3%, não será fácil. Pelo visto, Graça Foster ainda tem um desafio grande pela frente.

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V Módulo Internacional em Gerenciamento de Projetos

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Projetos Inovadores

Crowdsourcing

Atividade tem ajudado empresas e empreendedores na viabilização de projetos inovadores

Crédito: SXX

Crowdsource: o uso do conhecimento coletivo para solução de problemas 

 

“É o uso do conhecimento coletivo para a solução de problemas ou busca de novas ideias. Segundo a Wikipedia, significa utilizar a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários, para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias. Por sinal, a própria Wikipedia é baseada nesse conceito”. É com essas palavras que a consultora e palestrante sobre marketing digital e e-commerce, Sandra Turchi, define uma das tendências que temos observado no mercado, o crowdsourcing.

Até 2006, o termo utilizado para definir a atividade das empresas de procurar mão de obra terceirizada para realizar determinados serviços era o outsourcing. Porém, quando o jornalista Jeff Howe escreveu um artigo onde denominou crowdsourcing uma ramificação do outsourcing, em que as pessoas colaboravam com as empresas, o termo virou tendência.

Na prática, o crowdsourcing acontece quando uma organização faz um convite, seja para clientes ou colaboradores, para executar uma tarefa específica. A ideia é que esses participantes proponham sugestões a respeito da ação proposta e a empresa selecione a melhor.  Existem dois formatos diferentes quando tratamos de crowdsourcing. “No open innovation, a organização adota propostas externas de inovação e as desenvolve, aumentando seu portfólio de inovação. Ou então, a organização cede suas propostas de inovação para que outros as desenvolvam, gerando negócios a partir de propriedade intelectual que ficaria ‘na gaveta’. No modelo open source, um grupo aberto de voluntários se organiza e desenvolve um projeto que não é propriedade de ninguém”, explica Turchi.

Na linha do open innovation, temos a fabricante de brinquedos dinamarquesa Lego. Em 2011, na tentativa de engajar seus clientes com a marca, ela convidou sua clientela a sugerir um novo produto para empresa. Após a inscrição dos projetos no site Lego Curso, uma espécie de rede social desenvolvida pela empresa, eles eram submetidos a uma votação pública, e os que atingissem o número mínimo de 10 mil votos teriam sua sugestão avaliada pelos engenheiros da Lego. Se o projeto fosse colocado em prática, o autor do novo produto ganharia 1% das vendas. O concurso rendeu a produção de uma versão Lego para o popular jogo de computador Minecraft, que esgotou poucas horas depois de chegar às lojas. Já no segmento open source, podemos citar o exemplo do sistema operacional Linux, que foi criado por voluntários ao redor do mundo.

No Brasil, a iniciativa ainda é tímida, mas já existem empresas explorando o modelo de open innovation. A Tecnisa lançou em 2009, em comunidades do Orkut, um projeto na qual a construtora procurava identificar junto aos usuários da rede quais adaptações poderiam ser feitas nos empreendimentos voltados ao público de terceira idade ou com mobilidade reduzida. Com mais de 200 sugestões levantadas, a construtora conseguiu desenvolver produtos como corrimões em piscinas, fechaduras das portas acima das maçanetas, tomadas mais altas, além de diversas outras inclusões. “Falando em Tecnisa, sua experiência foi tão positiva - nos últimos dois anos, mais de dez processos foram remodelados - que a empresa decidiu lançar seu próprio portal de inovação em 2010, o ‘Tecnisa Ideias’, sendo que o seu principal interesse é aproximar-se de grandes talentos”, ressalta Sandra.

Crowdfunding

Uma das modalidades do crowdsourcing é o crowdfunding ou, como tem sido popularmente conhecido, a “vaquinha virtual”. O segmento tem se difundido nas redes sociais e, até mesmo, em portais especializados. “O crowdfunding é o uso da contribuição coletiva para viabilizar financeiramente algum projeto, seja para desenvolvimento de novas empresas/produtos, ou mesmo para viabilizar a realização de projetos culturais, como shows de bandas que não tenham patrocínio, por exemplo”, define Sandra.

Um dos modelos de crowdfunding mais famosos é o Kickstarter. O site não cobra para colocar um projeto no ar, mas se a ideia for bem sucedida, ele fica, em geral, com uma comissão entre 5% e 7% do valor arrecadado. Também existe uma taxa a ser paga à processadora dos pagamentos. Enquanto isso, o idealizador recebe o dinheiro restante e tem domínio total sobre a propriedade intelectual e autoral. Se a meta da arrecadação não for atingida, o dono da ideia sai sem nada e os investidores recebem o dinheiro de volta. O Kickstarter já possui mais de 380 mil projetos viabilizados na bagagem.

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Startup

Quem quer criar uma startup?

Investidores, momento favorável e jovens empreendedores fazem o mercado de startups crescer no Brasil

Crédito: SXC
 

Startups de tecnologia são as que mais recebem investimento 

Foi a partir de uma conversa com duas brasileiras que os empresários norte-americanos Ira Liran e Michael Kirban decidiram investir em um negócio que tinha como foco a água de coco. Após descobrirem a falta que o produto fazia aos brasileiros que residiam nos Estados Unidos, os dois amigos vieram ao país para conhecer a bebida. Em Pernambuco, descobriram que o produto podia ser comercializado em embalagens de tetra pak e, em 2004, fizeram um investimento inicial de US$ 100 mil para montar a startup Vita Coco, responsável por levar a iguaria aos Estados Unidos. Três anos após a criação, os proprietários venderam 25% das ações para a firma de investimentos Verlinvest, da Bélgica, por US$ 7 milhões. Atualmente, a Vita Coco é líder de mercado, com faturamento anual de US$100 milhões e entre seus demais sócios estão, ninguém menos que, Madonna, o ator Matthew McConaughey e a estilista Diane von Furstenberg.

Cases de startups de sucesso têm se tornado comuns. Mas, afinal, o que significa o termo cada vez mais presente no dia a dia midiático? “O empreendedorismo se apossou do termo startup para significar uma nova instituição atuante – um sistema de suporte e alavancagem de novos empreendedores e negócios. Em resumo, o termo startup está relacionado a empresas novas com custos muito baixos e crescimento muito rápido”, explica Miguel Scotti, professor de Estratégia Empresarial do ISAE/FGV.

O modelo de negócios tem feito sucesso e atraído milhares de investidores, privados e públicos. De acordo com dados da Anjos do Brasil - entidade sem fins lucrativos que fomenta o investimento feito por pessoas nas startups - o número de pessoas físicas que aplicaram recursos e conhecimento em empresas iniciantes aumentou em 18%, passando de 5.300 para 6.300, de 2010 para 2011. Ainda segundo a organização, o volume de capital total investido também cresceu em 10%, subindo de R$ 450 milhões para R$ 495 milhões. O próprio Governo Federal, de olho na tendência, criou um programa de estímulo às startups. O Start Up Brasil conta com um pacote de investimentos no valor de quase meio bilhão de reais para incentivar a indústria de tecnologia, a formação de empresas e o crescimento do mercado de softwares no Brasil. O BNDES, desde 2007, mantém um fundo de capital de risco com o objetivo de investir, ao longo de 10 anos, 100 milhões de reais em startups.

Os setores de tecnologia e inovação têm sido grandes beneficiados pelos apoiadores das startups. Dadosdo Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da FGV - Eaesp mostra que o montante destinado às empresas iniciantes da área de tecnologia e web superou os US$ 750 milhões em 2011, ante os cerca de US$ 300 milhões obtidos entre 2005 e 2008.

Mas nem só de investidores se faz uma startup. A disposição do capital humano é indispensável. E, quanto a isso, o Brasil parece estar bem servido. Um estudo recente da Endeavor, organização global de apoio aos novos empresários, revelou que 65% dos universitários brasileiros desejam ter um negócio próprio no futuro. De acordo com o Banco Mundial, o Brasil já é o terceiro país mais empreendedor do mundo, atrás só dos EUA e do Reino Unido.

  • Como abrir uma startup

    Creio que, entre as premissas fundamentais para a criação de uma startup, estão as de sempre: o empreendedor e a identificação de um problema no mercado a ser resolvido. Já os conceitos de baixo custo e crescimento rápido exigem a clara definição do modelo de negócio e alianças estratégicas. O modelo de negócio envolve os conceitos de negócio e as escolhas estratégicas, tais como: quem são os parceiros estratégicos; qual é o público alvo da empresa; qual é a estratégia; qual é a proposta de valor aos clientes; como a empresa vai se relacionar com os clientes; quais são os canais de distribuição; que atividades críticas precisam ser desenvolvidas; quais as competências e recursos necessários para isso; quais são as receitas; e qual a estrutura de custos necessária e adequada a viabilizar o projeto. Já  o estabelecimento de alianças estratégicas pode impulsionar desde a definição do próprio modelo de negócios, até criar relacionamentos com investidores, sócios, clientes, distribuidores, fornecedores e desenvolvedores. O mercado de apoio ao empreendedor e ao desenvolvimento de startups no Brasil ganha grande impulso com a redução da possibilidade de ganhos com aplicações no mercado financeiro. São muitas as associações de investidores e outros interessados nos retornos possíveis e nas possibilidades de negócio no entorno das startups: investidores, escolas de empreendedorismo, consultores, incubadoras, escolas de negócio, fornecedores de infraestrutura compartilhada e virtual de baixo custo, organizadores de eventos de relacionamento e fornecedores de serviços. Alguns desses, associados e organizados sob o nome de aceleradoras.

    Miguel Scotti

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Oportunidades

Empreendendo em 2013

Em quais investimentos os empreendedores podem “apostar suas fichas” neste ano?

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Há muitos mercados para investir em 2013

Muitas áreas têm sofrido um boom em investimentos e vendas, como automóveis, imóveis e linha branca. A contribuição maior foi a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e linha branca, estendido pelo governo até o final de 2012. Em 2013, o IPI terá aumento gradual (como citado na matéria, Giro nos Negócios) .Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional para 2013 saiu dos 3,40% para 3,30%, como também mostra a matéria da Perspectiva sobre as expectativas para 2013, na página 2.

Para o professor de gestão e finanças do ISAE/FGV, Sérgio Bessa, a chegada da Copa do Mundo e o início da segunda metade do governo da presidente Dilma devem ser alavancadores de crescimento. “Tradicionalmente, no Brasil, a segunda metade de um governo presidencial é melhor do que a primeira. O governo, normalmente, é mais benevolente em termos de liberação de recursos e facilidades para os empresários”, afirma.

Mas, com todo este panorama que foi apresentado para este ano, como identificar as oportunidades de investimento? Alivinio Almeida, afirma que o investidor tem que estar atento às janelas de oportunidade que a economia oferece em todos os setores de atividade. “Vale lembrar que, no Brasil atual, a combinação de renda baixa e mal distribuída criou um estoque vigoroso de demanda reprimida por quase todos os bens e serviços da economia”, comenta.

Previsões de especialistas em análise de mercado mostram que há oportunidades em diversos setores e lugares, menos para aventureiros que não têm muito conhecimento e querem “tirar a sorte grande”. Fundos de renda fixa, fundo imobiliário, fundo multimercados e fundos de ações diferenciados são alguns dos lugares onde se pode ter um bom retorno nos investimentos. Almeida explica que os mercados mais alavancados são os que incluem a nova classe média brasileira, que está ávida por recuperar anos de atraso em consumo. “Neste aspecto, a comercialização de bens e serviços que atendam alimentação, habitação, vestuário e transporte são muito interessantes para exploração empresarial. Atividades de lazer e de turismo também são boas pedidas”, afirma.

Porém, para que o empreendimento e o investimento se mantenham sempre rendendo bem, é necessário que o empreendedor tenha cuidado com a gestão. Segundo Bessa, se qualificar permanentemente, em termos de gestão, é extremamente necessário. “Qualificação na gestão financeira, mercadológica, marketing e conhecimento do mercado em que atua, são necessários para manter o negócio tranquilamente”, finaliza.

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Ping-Pong

Como motivar seus colaboradores?

Altos salários, reconhecimento, plano de carreira. Afinal, o que querem os colaboradores?

Que a produtividade dos colaboradores está diretamente ligada à motivação, não é novidade. Mas, é possível medir o peso da motivação nos resultados da empresa? Sim. A consultoria Right Management consultou 30 mil pessoas de 15 países - 100 delas brasileiras – e constatou que pessoas motivadas são 50% mais produtivas. E ainda, de acordo com o levantamento, os salários não são os únicos impulsionadores dos funcionários de uma empresa: recompensas sociais, simbólicas e não materiais também são levadas em conta.

Para entender do que os colaboradores estão em busca e o que as empresas podem oferecer, a revista Perspectiva ISAE conversou com a diretora da AssimAssad Desenvolvimento Humano, Alessandra Assad. Professora no MBA de Gestão Comercial do ISAE/FGV, consultora sênior do Instituto MVC, palestrante e autora do livro “Atreva-se a Mudar! – Como praticar a melhor gestão de pessoas e processos”, Alessandra fala sobre a estratégia motivacional. Acompanhe:

Revista Perspectiva – As empresas têm procurado manter seus profissionais cada vez mais motivados, mas nem sempre as ações de estímulo geram os resultados esperados. O que os colaboradores esperam das empresas quando se fala sobre motivação?

Alessandra Assad - Existe um paradoxo enorme hoje no corporativo quando o tema é motivação. Os empresários acham que frases motivacionais nas paredes da empresa, algumas palestras e pequenas ações de endomarketing deveriam manter os funcionários motivados por um longo período. Na prática, não é isso que acontece e já explico o porquê. Por sua vez, os funcionários esperam algumas ações motivacionais por parte da empresa, mas não é isso o que vai despertar a motivação interior dos profissionais da era do conhecimento. Recentes pesquisas comprovam que o salário não é o principal motivador, mas respeito, consideração e reconhecimento podem fazer uma grande diferença. Fiz uma pesquisa em campo com profissionais de diversas regiões brasileiras e diferentes níveis hierárquicos, estudo e condições de desenvolvimento e fiquei bastante assustada ao constatar que a principal frustração da maioria é acreditar que a empresa onde trabalham não aproveita mais do que 40% da capacidade produtiva que eles têm para oferecer. Ou seja, o que mais desmotiva hoje um profissional não é trabalhar em fim de semana ou muitas horas seguidas, mas é saber o quanto o seu talento é mal aproveitado pelos seus líderes. Os profissionais esperam e precisam de líderes mais qualificados para saber reconhecer os talentos de cada um da equipe, para poder liderá-los adequadamente e obter uma equipe reconhecidamente de alta performance.

RP - As empresas identificam essas expectativas dos profissionais ou ainda existe uma lacuna nessa questão?

AA - Algumas poucas eu diria que sim, mas a maioria, infelizmente não. Ainda existe uma lacuna gigante que envolve o desenvolvimento das pessoas. É preciso ir além do treinamento, é preciso tratar a autoestima, a afetividade e a empatia dos profissionais. Ou seja, é preciso cuidar deles. Se você simplesmente treinar, não terá garantia alguma de que ele vai ficar na empresa. Se você apenas cuidar, terá a gratidão, mas não necessariamente vai conseguir segurá-lo e é o que normalmente acontece e faz com que muitos empresários reclamem de investir em desenvolvimento de pessoas. É preciso entender que de nada adianta treinar e não cuidar. Ou seja, é preciso mostrar que na empresa as pessoas terão oportunidades de crescimento, mas, principalmente, que o clima organizacional e o sentir-se bem no ambiente, tendo paz de espírito, e gostando do que faz, isso sim fará toda a diferença.

RP - Uma empresa que implanta uma estratégia de motivação - seja um pacote de benefícios ou um programa de treinamentos - e não dá continuidade ao processo com outras atividades complementares, está perdendo tempo e investimento?

AA - Não necessariamente. Tudo é válido quando sabemos que pessoas valorizam coisas diferentes. É preciso começar de alguma forma, ainda que não existam empresas perfeitas. Gosto de enfatizar o tripé de Jack Welch, que traduz uma fórmula simples e eficaz para se fazer gestão de pessoas. Ele diz que é preciso desafiar, remunerar e celebrar. Então, quem conseguir fazer isso, ainda que com ações simples, tem mais chances de ver seus investimentos darem os retornos esperados.

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Alessandra Assad: "É preciso entender as necessidades básicas das pessoas"

 

RP - Qual a maior dificuldade que as empresas enfrentam quando tomam a iniciativa de implantar um programa motivacional?

AA - A principal dificuldade está no diálogo, na comunicação. Muitas vezes, o marketing investe grandes cifras em campanhas lindas e cheias de boas intenções que acabam virando um fiasco, porque são apresentadas de maneira imposta para a coletividade. Já vi equipes boicotarem campanhas legais, simplesmente pela forma como foi apresentada. Ninguém comprou a ideia ou sentiu-se motivado. O que parece legal pode ser um tiro no pé. E a pessoa que mais pode ajudar neste caso é o líder, que precisa saber e conhecer as necessidades de sua equipe. O sucesso de uma campanha motivacional está diretamente relacionado ao quanto tudo isso está alinhado com as expectativas e necessidade da equipe. Por isso, transparência e diálogo são fundamentais. Este papel e esta proximidade são responsabilidades do líder. Hoje, 85% das pessoas que pedem demissão o fazem por causa de seus líderes, e não por causa das empresas em si. Isto significa que um bom líder numa empresa razoável consegue fazer mais retenção de talento que um líder razoável numa empresa sensacional. Precisamos pensar mais sobre a qualidade dos líderes que temos.

RP - Que fatores são indispensáveis no momento de montar a estratégia motivacional?

AA - Entender as necessidades básicas de cada pessoa. Em uma mesma equipe você pode ter uma diversidade enorme de fatores motivacionais, e nunca a empresa vai conseguir satisfazer a todos. Mas, é importante que se conheça o sonho e as expectativas de cada um, para minimizar o máximo possível de frustrações. É a soma das frustrações e a falta de um plano de carreira e desenvolvimento que mais desmotivam as pessoas. Então, ao elaborar uma ação motivacional, é imprescindível saber o que realmente motiva aquele grupo, porque erramos muito ao acharmos que coisas que seriam legais para nós motivam outras pessoas. Quanto mais os envolvidos participarem da escolha e do processo, maior será o sucesso da ação. O primeiro passo é fazer a pergunta: “o que motiva você?”. E estar preparado para ouvir a resposta e mudar alguns paradigmas, caso isso seja necessário.

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Pós-Graduação ISAE/FGV

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Case

A Startup Lemon

Brasileira é uma das líderes da empresa que planeja a criação da “carteira virtual”

Pegar um recibo, fotografá-lo com a câmera do celular, enviá-lo para uma central que identifica os dados e valores e os organiza em uma planilha de gastos extremamente organizada no seu celular. Imaginação? Não. Na prática, ele já existe e é um produto da startup Lemon, que tem como uma das sócias a jovem brasileira Isabel Pesce.

Fundada em 2011, a plataforma criada pela Lemon ajuda a, além de organizar recibos, rastrear gastos e a aprender a monitorar como você gasta seu dinheiro. A ideia é que o aplicativo, disponível para smartphones (iPhone, Android, Windows Phone, Blackberry e Symbian), muito em breve funcione como uma carteira digital, que permite organizar os dados de todos os cartões, de crédito ou até mesmo de contato ou de fidelidade, que o usuário carrega.

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O aplicativo da Lemon

Recentemente, a empresa recebeu uma rodada de financiamento de US$ 8 milhões, liderada por Howard Schultz, o fundador da rede de cafés Starbucks. O dinheiro será usado para a contratação de novos engenheiros, que irão trabalhar no desenvolvimento dos produtos da empresa. A intenção é criar um ambiente em que todos os cartões possam operar, eliminando a necessidade de os usuários terem de carregá-los em suas carteiras. Atualmente, o aplicativo opera, somente, como uma forma segura de carregar os dados e, por enquanto, está disponível apenas nos EUA. Atualmente, os aplicativos da companhia já têm mais de 1,6 milhões de downloads.

Isabel Pesce

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A brasileira à frente da Lemon

Entre as mentes por trás da Lemon está “Bel” Pesce, como é mais conhecida a ex-aluna do Massachusetts Institute of Technology (MIT). A brasileira sonhava em fazer parte do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), até ser convencida por um professor a tentar uma vaga na prestigiada universidade americana.

Quando foi aceita, chegou a cursar 13 disciplinas regulares, enquanto a própria universidade indicava apenas quatro. Ainda na faculdade, adicionou ao seu currículo passagens por empresas como Microsoft, Google e Deutsche Bank. Já graduada, se mudou para o Vale do Silício e voltou a trabalhar para a empresa gigante de buscas, até que decidiu se juntar a um sócio e fundar a Lemon.

A história completa da garota de apenas 24 anos é descrita no livro "A Menina do Vale" que, após ser lançado no Facebook, já possui mais de 1 milhão de downloads.

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Especial

Adquirindo Conhecimento

Profissionais buscam atualização constante para se manter no mercado de trabalho

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Indica

Perspectiva Indica

Business Model Generation (Inovação em Modelos de Negócios) - Alexander Osterwalder

Modelos de negócios provocadores podem transformar a paisagem competitiva nas indústrias. 'Business Model Generation' pretende oferecer ferramentas testadas para compreender, projetar, retrabalhar e implementar modelos de negócio.

 

 

As 10 Faces da Inovação: Estratégias para Turbinar a Criatividade - Tom Kelley

Apresentando dez personalidades da inovação (colaboradores, diretores, contadores de histórias, etc.), Tom Kelley revela a cultura organizacional que faz da Ideo uma das empresas de design mais reconhecidas do mundo. Este livro mostra casos recentes de inovação - como da Scotch Tape, da 3M e do cinto de segurança three-point da Volvo - que deram certo e transformaram a trajetória de grandes empresas.

 

Cartas a um Jovem Empreendedor - Ozires Silva

Ozires Silva é oriundo de família da classe média, construiu um projeto, montou uma equipe e transformou em realidade um segmento da construção aeronáutica nacional, com a constituição da EMBRAER. Foi presidente da Petrobras e Ministro da Infraestrutura. Ao longo dessa jornada, o autor mostra paisagens e também desafios que serão enfrentados pelo jovem empreendedor, como a dúvida quanto à escolha, o ceticismo, a necessidade contínua de saber formar pessoas e trabalhar em equipe, permanecer atento à inovação, valorizar a criatividade, ser organizado e buscar sempre máxima eficiência ao menor custo possível.

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Artigo

Gestão de Oportunidades

Crédito: Arquivo

Sérgio Itamar é professor e consultor na área de gestão de riscos e estratégia

 

Desde o início dos tempos, nesta nossa aventura no planeta que convencionamos chamar de Terra, nós, os seres humanos, mostramos uma colossal habilidade para ultrapassar obstáculos e vencer desafios. Muito mais do que uma simples característica ou mera resposta ao ambiente, nossa espécie possui uma fascinante qualidade: a característica de cultivar a ousadia.

A ousadia está, de certa forma, enraizada em nosso código genético, somando-se ao desejo pelo desconhecido e pela aptidão para o risco. A imaginação, a coragem e o desejo fizeram e ainda nos fazem companhia em nossa história, quer seja por meio de visões, como as de Julio Verne e seu “Gun Club”, quer seja em realizações como as de Neil Armstrong, que infelizmente faleceu em agosto deste ano. Inspirados pela imaginação e pela criatividade, ousamos realizar. Esta é nossa essência, este é o nosso legado.

Assim como a ousadia se mostrou um dos pilares para que o homem superasse as adversidades a ele apresentadas diariamente pelo ambiente e, assim, consequentemente, pudesse evoluir, hoje ela se mostra uma das principais características empresariais das corporações que buscam superar seus desafios e atingir novos objetivos. Este fato se materializa em percepções, hoje amplamente discutidas em fóruns empresariais com temas relacionados à gestão estratégica de riscos, inovação e oportunidades.

Para inovar e estar apto a aproveitar as oportunidades, as empresas, independente de seu porte, precisam necessariamente estar dispostas a enfrentar alguns riscos. As oportunidades possuem perfis tênues que são visíveis somente por olhos preparados para percebê-los, porém são completamente invisíveis para olhares desprovidos de ousadia.

No complexo e competitivo contexto moderno de mercado, cada vez mais dinâmico e agressivo, é preciso ser capaz de agir com rapidez e precisão, empreender com eficácia e buscar resultados concretos, sem descuidar em nenhum momento da prévia identificação, quantificação e elaboração da mais adequada resposta aos riscos. Além disso, é altamente necessária e recomendável a identificação das oportunidades, por meio de uma metodologia personalizada e integrada.

Prevenir os possíveis eventos capazes, direta ou indiretamente, de constituir uma ameaça (ou prejuízo) a algum objetivo já é uma realidade em boa parte das empresas mais preocupadas com a previsibilidade e controle de suas vulnerabilidades e pontos críticos. No entanto, ainda é muito frágil a iniciativa de se criar mecanismos de incentivo que chamo de "busca das flores em meio aos espinhos", ou seja, das oportunidades que se escondem entre os riscos. É cada vez mais essencial para as organizações que buscam a excelência em suas atividades o cultivo de um verdadeiro “ecossistema de ideias” dentro da empresa, um ambiente multidisciplinar, voltado à geração de oportunidades e de novas possibilidades.

Ousar é a tendência e a palavra chave para 2013. Focar na realização de ideias inovadoras, estudando seus riscos com uma visão atenta à gestão de oportunidades. Este é o meu conselho para as empresas que entram no novo ano com o compromisso de crescimento e de diferenciação. Mas, é importante não esquecer que a ousadia aplicada sem a aquisição planejada e criteriosa de amplo conhecimento é extremamente perigosa, mas obter este conhecimento e não ousar é, com certeza, sempre um grande desperdício.

As empresas mais valorizadas e respeitadas de hoje não são as empresas que se escondem ou evitam os riscos. Pelo contrario, a vanguarda está diretamente vinculada às empresas que melhor convivem com os riscos e que conseguem retirar deles as oportunidades que outras empresas mal perceberam. A vantagem competitiva está nesta busca metódica, não passiva das oportunidades.

Ouse.

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GBA ISAE