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Giro nos Negócios

Giro nos Negócios

 

O ressurgimento da Gradiente

A Gradiente está de volta. Por meio de uma startup, criada pelo o ex-presidente, Eugênio Staub, a marca de eletrônicos volta e mantêm o foco nas classes emergentes. Smartphones, aparelhos de blu-ray, acessórios e o LinkBox, um set-top box que transforma TVs de tela plana em SmartTVs, são os produtos que serão comercializados. Para chegar ao consumidor, a nova Gradiente tem investido em canais diretos, seja pelo e-commerce ou por quiosques próprios. O plano é expandir por meio de franquias, por todo o Brasil.

 

Crédito: Info/Abril

Aparelho acusa se combustível foi adulterado

Um sensor que acusa a adulteração de combustíveis: essa foi a ideia vencedora do Desafio Intel. Uma disputa que envolveu 10 startups de universidades de todo o Brasil. O responsável pelo projeto vitorioso vai passar um mês no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e terá a chance de disputar um prêmio de US$ 100 mil. A equipe vencedora é formada por universitários da Unicamp e desenvolveu um sensor que analisa líquidos e gases, que permite, entre outras coisas, controlar a qualidade da gasolina e do etanol.

Crescimento na produção industrial brasileira deve-se a baixa do IPI

Em 4 de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou o levantamento que mostra que a produção de automóveis, em abril, foi favorecida pela manutenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em um patamar inferior. Também pesou sobre o resultado, a melhora da produção de autopeças, que impulsionou todo o setor. A melhora do setor automotivo puxou outros segmentos, com isso influenciou positivamente uma grande parcela da indústria.

Crédito: Lorenzetti

 

 

Lorenzetti completa 90 anos

Em 2013, a Lorenzetti completa 90 anos. A empresa, que se destacou por produzir duchas elétricas, planeja a entrada em novos segmentos relacionados a construção civil e coloca o foco na sustentabilidade. Neste ano, a companhia celebra seu atual crescimento na categoria de metais sanitários e prevê a expansão para outros segmentos, como a construção civil, por exemplo. Os investimentos também se voltam para pesquisas de mercado e opinião do público final, para se alinhar às tendências de produtos e design. Espera-se um crescimento médio de 12% no faturamento anual em novos produtos, com base nos R$ 850 milhões de receita esperados para 2013.

Governo combate tarifas abusivas nas ligações de celulares pré-pagos

Cerca de 80% dos clientes brasileiros utilizam sistemas de telefonia pré-pagos, mesmo com os valores das tarifas sendo muito mais altos, chegando a quase 330% de diferença. Com estes números, a Comissão da Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara de Deputados, aprovou o projeto que coíbe a diferença abusiva entre os preços das tarifas de serviço pós e pré-pago. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações, em abril, 80% das 264 milhões de linhas móveis, no Brasil, usavam sistema pré-pago.

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Capa

A gestão por processos pode ajudar no desenvolvimento organizacional

Os processos podem eliminar eventuais improvisos no cotidiano das empresas

A gestão por processos é essencial para o aumento da produtividade dos colaboradores de uma organização, tanto para aqueles que desempenham funções gerenciais como para as funções operacionais. “Na medida em que os colaboradores liberam seu tempo precioso, que antes era dedicado às rotinas, a preciosidade deste tempo liberado, cada vez mais escasso, reforça a importância dos processos numa organização”, explica Silvio Costa, sócio-diretor do Instituto MVC e professor da FGV.

Segundo Silvio, a gestão adequada dos processos elimina eventuais improvisos no cotidiano das empresas, já que os procedimentos estão previamente definidos e padronizados. Isso acontece porque, ainda na fase de planejamento, já existe uma definição dos métodos para solução dos problemas, antes deles acontecerem.

Nesse cenário, o professor garante que é possível perceber que as soluções dos problemas tem menor dependência dos talentos humanos, pois se baseiam no plano de trabalho previamente definido. Por depender menos da capacidade de solução de problemas individuais dos profissionais, a instituição pode ter desempenho superior mesmo com uma equipe menos experiente ou que tenha recebido menos treinamento.

Para adoção da gestão por processos, a conscientização da organização como um todo é muito importante à tomada de decisão. Toda mudança em um sistema pode gerar desconforto e pode não ser tão bem recebida, dessa maneira, a informação prévia sobre a relevância da nova estrutura é fundamental.

A adaptação ou não da estruturação dos processos está relacionada à cultura organizacional. A posição de seus líderes é refletida na cultura da empresa, por isso, se principalmente a liderança não se envolver no desenvolvimento e implantação dos processos de trabalho, a instituição não alcançará a eficácia desejada.

Informar, capacitar, acompanhar as atividades e definir formas de avaliação pode ajudar na busca pela excelência dos processos. “Ao definir que a empresa vai implantar a estrutura por processos como modelo de gestão, a liderança precisa adotar um formato eficaz de comunicação a todos os envolvidos, direta e indiretamente”, orienta Silvio.

O consultor enfatiza que a implantação da gestão por processos deve fazer parte do planejamento estratégico da empresa. Após a decisão de querer adaptar a nova estrutura, é preciso estabelecer um plano de ação para análise das principais rotinas e atividades da empresa, gerando um cronograma e definindo prioridades. Com a definição das atividades que serão priorizadas, inicia-se o mapeamento das rotinas daquelas atividades, identificando os stakeholders envolvidos, os prazos e os resultados desejados. Este mapeamento tem como objetivo desenhar a sequência lógica de um passo a passo de cada atividade desempenhada.

Em seguida vem a etapa que definirá como as atividades devem ser, preferencialmente, desenvolvidas, com o apontamento das alternativas de condutas recomendadas e esperadas dos profissionais envolvidos. “Estas decisões e comportamentos possíveis precisam estar alinhados com os cenários, previamente identificados”, comenta o professor.

Em instituições com ambientes conturbados, a estruturação das atividades pode ser uma ferramenta capaz de reverter a situação. “Quando o processo de trabalho está previamente definido, as pessoas se sentem mais seguras, pois já sabem de antemão o que devem fazer e o que podem esperar de seus pares, superiores e subordinados. Não definir o procedimento de cada atividade da empresa aumenta a chance de conturbar ainda mais o ambiente e ainda desgastar os colaboradores ou as áreas”, afirma Silvio.

Muitas vezes, nas organizações, investe-se mais tempo e atenção em consertar algum equívoco no fluxo laboral, do que propriamente organizá-lo, evitando que o erro aconteça. Isso acaba gerando um ciclo, conforme afirma o consultor. “Este ciclo é um redutor permanente de produtividade, que perpetua o baixo desempenho com alto nível de exigência da presença do líder”.

Em todos os tipos e tamanhos de corporações pode-se engajar o uso dos processos de trabalho. Em atividades que dependem de criatividade, o uso se limita, já que esses, de certa forma, “engessam” a atividade dos profissionais.

“Instituições, áreas ou atividades que dependem da criatividade e improvisação para obter sucesso apresentam um espaço mais restrito para a implantação dos processos, mas ainda assim, sempre é possível implantar processos de trabalho para organizar os procedimentos mais comuns nessas áreas”. 

Crédito: Arquivo ISAE/FGV

Silvio Costa garante que as soluções dos problemas se baseiam no plano de trabalho previamente definido

A estruturação por processos em organizações nacionais e estrangeiras

Muitas empresas brasileiras têm buscado a inovação, porém poucas são as que investem em suas estruturas organizacionais. “Os resultados obtidos por estas empresas ainda se baseiam na criatividade do profissional brasileiro, dependendo muito da capacidade individual de lidar com os desafios do cotidiano”, explica Silvio.

A atuação em mercados com maior regulação por regras, normas e leis específicas de atuação, colabora para que essas empresas reduzam ou até eliminem, a presença de atividades desestruturadas ou não suportadas por processos de trabalho. “As empresas que atuam em economias mais desenvolvidas que a brasileira, tendem a operar com estruturas menos flexíveis. Acredito que há uma grande quantidade de empresas que apresentam um grau maior de estruturação por processos de trabalho implantados na maioria de suas áreas”, afirma o consultor.

Processos em PME's

No contexto das pequenas e médias empresas (PME’s), os processos também podem trazer soluções. Comparadas com as corporações de maior porte, as PME’s apresentam um orçamento menor para o desenvolvimento de suas equipes. Investir na gestão por processos é garantir que, mesmo durante a fase de desenvolvimento da equipe, os resultados sejam alcançados com o menor nível de intervenção da liderança.

“Os líderes têm papel fundamental na empresa, devendo se dedicar prioritariamente ao planejamento estratégico e ao contato com os clientes, devendo garantir seu menor envolvimento possível na rotina. Se estas estiverem mapeadas e estruturadas pelos processos de trabalho, penso que a presença da liderança será exigida em menor escala, oferecendo o suporte necessário para que os colaboradores possam produzir resultados superiores”, orienta Silvio.

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Marketing

Reposicionando minha marca

Organizações optam por mudanças para alavancar seus negócios

Crédito: SXC

Marcas se reposicionam para serem mais valiosas

Reposicionamento de marca. Em que momento isso deve ocorrer? Quem quero atingir? Qual é o propósito? Essas são perguntas que surgem no momento em que a liderança da organização quer mudar, tanto para aumentar seus rendimentos, como para conquistar uma nova fatia dos consumidores. O novo posicionamento integra os três fatores que determinam o futuro de uma empresa: estratégia competitiva; domínio setorial e atributos da marca. Essa visão compreende as lições demonstradas por Michael Porter, Peter Drucker e Philip Kotler. Já os autores, Al Ries e Jack Trout, dizem que o posicionamento é a maneira como o produto é percebido pelo indivíduo. O principal diferencial competitivo, segundo eles, é posicionar-se na mente do consumidor. Segundo o professor doutor, Eduardo Maróstica, “com o foco no cliente e validando com quem vai consumir seu produto ou serviço, a empresa deve primeiro entender a demanda para depois atender”.

Uma empresa que apostou em mudar é a Havaianas, que no início de 2000 se reposicionou e começou a comercializar suas sandálias, inicialmente no Havaí, Austrália, França, e hoje é vendida em mais de 60 países. Em 2004, decidiu vender seus produtos no mercado de luxo e abriu lojas nas avenidas mais movimentadas do mundo. A organização quis tirar o estereótipo de marca para classes baixas e atingir as mais altas, mas sem descuidar dos clientes fiéis.

Outras marcas também passaram por diversas mudanças, tanto em suas logomarcas, como no reposicionamento de seus produtos, passando também por mudança do público-alvo. Em 2011, após 34 anos no mercado brasileiro, O Boticário mudou sua comunicação visual e seu posicionamento, com o objetivo de fortalecer a marca entre seus consumidores. Na logomarca, a letra B passou a ser o ícone da marca, que também deixou de lado o tradicional verde e ganhou várias combinações de cores e formas mais modernas. Criada pela AlmapBBDO, a nova “cara” da empresa foi definida após mais de dois anos de pesquisas, qualitativas e quantitativas, realizadas com os consumidores, principalmente o público feminino.

Crédito: O Boticário

Após diversos estudos, uma das mudanças que ocorreu foi em sua logomarca

A Puma, uma das marcas mais famosas de artigos esportivos e roupas, reposicionou sua imagem baseando-se em três elementos: esporte, estilo de vida e moda. A estratégia da marca foi se tornar a opção mais “cool” e não a melhor ou mais moderna. Dirigida para um público entre 15 e 35 anos, a marca tornou-se um “estilo de vida”.

Crise gera mudança

Muitas vezes, uma mudança na rota da empresa, pode ser atrelada a uma crise. Segundo Allan Reis, gerente de Marketing da rede Vininha Minissanduíches, em mercados mais sofisticados, como de service food, isso acontece a todo momento, porque a fidelização do cliente é mais difícil. “Um exemplo é o próprio McDonalds, que teve que posicionar-se diferente por conta de toda a questão da qualidade de alimentação”, explica.

Saber o caminho exato que deve ser traçado é um dos desafios para as organizações que querem passar por esse processo. Allan comenta que, no ano passado, o Vininha, utilizou o marketing plan, projeto que detalha as ações necessárias para atingir um ou mais objetivos de marketing, pois o histórico da empresa não apontava que caminhos seguir. “Aconselho a empresa passar por um marketing plan. O Vininha passou por um processo desses no ano passado e nos ajudou muito no posicionamento”, afirma.

Mas, então há algum passo a passo a seguir? Segundo Maróstica, o Brand é o caminho. “Ou seja, entender como se tornar Top of Mind na ótica do consumidor”. Allan tem a mesma opinião, para tudo existe uma metodologia, um posicionamento diferente, um desprendimento e investimento por parte das empresas. “Por isso, não se pode fazer de qualquer maneira e sem embasamento”, finaliza.

A marca de uma empresa é a imagem dela perante o público. Zelar e administrar faz parte do dia a dia de seus líderes. Qualquer erro pode manchar a reputação de uma organização, que foi construída durante longos anos. Por isso, antes de pensar em mudar, é necessário pesquisar e ouvir aquilo que o consumidor quer e espera da “nova” marca.

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Investimentos

Investir? Onde?

Pesquisa revela que brasileiros não sabem investir

Crédito: SXC

Guia básico e consultoria sempre pode auxiliar quem não sabe investir

Saber investir, um dos maiores problemas dos brasileiros. Uma pesquisa, encomendada pela BM&F Bovespa, mostra um quadro desolador. Realizado pelo Instituto de Pesquisas Rosenfield, o estudo traz as respostas de duas mil pessoas, ouvidas em 100 cidades, no final de 2012. Os resultados trazem um panorama de pessoas que ignoram os princípios financeiros mais elementares. Para 27% dos entrevistados, a caderneta de poupança, na qual o retorno pode se considerar o mesmo, mês após mês, é o investimento mais arriscado do mercado, mais até do que a bolsa.

Já 44% disseram ter dinheiro na caderneta, enquanto apenas 4% afirmaram ter recursos na renda fixa e 1% na bolsa. Segundo a pesquisa, pode-se dizer que o brasileiro não gosta de arriscar. Mas, a maioria investe em um fundo que acha arriscado, no caso, a caderneta de poupança. Uma das explicações pode ser que essa aplicação seja a mais conhecida, pois 97% declararam conhece-la, mas menos de 10% sabem o que é um fundo DI (são fundos atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário - CDI e têm o objetivo de acompanhar os juros do mercado).

Segundo o especialista em Gestão de Riscos, Sérgio Itamar, o investidor deve estar atento ao conhecimento de suas próprias características, para que o seu perfil esteja em harmonia com os investimentos com os quais se relaciona. “Conservadores, moderados e arrojados possuem formas diferentes de perceber e tolerar os riscos, por isso devem estar atentos à manutenção desta sintonia, para que não se sintam desconfortáveis com a forma de condução ou insatisfeitos, com o passar do tempo, com o resultado das opções de investimento que foram colocados a sua disposição”, afirma.

Para o administrador de empresas e professor do ISAE/FGV, Carlos Alberto Ercolin, risco é uma coisa que pouca gente se preocupa. “As pessoas pensam: ‘não invisto em bolsa de valores, logo meu risco é zero’. Ledo engano. Aqui não estamos falando de risco em bolsa apenas, mas de risco de perda”. O administrador ainda explica que as pessoas têm que saber qual é o objetivo e se querem correr o risco. “No caso de dúvida, deve-se fugir dos investimentos em renda variável, aquele cujo rendimento ainda não se conhece ao fazer a aplicação. Deve permanecer, neste caso, na renda fixa ou mesmo na velha e segura Caderneta de Poupança, mas longe dos Títulos de Capitalização, que rendem próximo à poupança, mas se assemelham a uma loteria”, afirma.

Ercolin também frisa que algumas perguntas têm que ser feitas antes de “encarar” o mundo dos investimentos. Elas podem dar parâmetros e uma melhor orientação neste momento. “Qual é o objetivo, quanto tempo tenho para investir, quais riscos correrei, consigo gerenciar, uso uma estratégia minha ou procuro ajuda e qual minha idade, são alguns questionamentos que devem ser feitos antes de investir”.

Definir qual tipo de aplicação utilizar é uma das decisões a ser tomada. Ações, Fundos de Investimento, Renda Fixa, Previdência, Fundos Imobiliários e Poupança, são alguns dos caminhos a serem seguidos. Abaixo entenda o que compõe cada aplicação:

  • Ações

    Papéis de empresas que estão na bolsa de valores. No Brasil é a BM&F Bovespa.

Fundos de Investimento

Um Fundo de Investimento é uma forma de aplicação financeira, formada pela união de vários investidores que se juntam para a realização de um investimento financeiro, organizada sob a forma de pessoa jurídica. Visa um determinado objetivo ou retorno esperado, dividindo as receitas geradas e as despesas necessárias para o empreendimento.

  • Renda Fixa

    Os fundos de Renda Fixa aplicam no mínimo 51% de seu patrimônio em títulos pré ou pós-fixados. Existem vários tipos de fundos de renda fixa: FIF (Fundos de Investimento Financeiro), FAC (Fundos de Aplicação em Cotas), Fundos DI, Fundos Cambiais, Fiex (Fundo de Investimento no Exterior).

Previdência

A Previdência permite acumular recursos e o valor pode ser resgatado ou transformado em renda mensal. Além disso, oferece benefícios fiscais, auxilia no planejamento sucessório e proporciona proteção patrimonial ao investidor.

  • Fundos Imobiliários

    São fundos que aplicam em imóveis e têm a sua rentabilidade baseada no recebimento de aluguéis, além da valorização dos bens.

Poupança

Modalidade de investimento facilmente acessível a todos os investidores. É o investimento mais popular do país, apesar da baixa rentabilidade. Entre suas vantagens estão a liquidez diária, isenção de IOF, garantia pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e cômputo em programas de relacionamento com a instituição financeira.

Para investir, é necessário saber que está correndo riscos. A ajuda de um especialista é importante para as pessoas que estão entrando nesse novo segmento. O importante é saber que esses investimentos são um modo rentável para ganhar dinheiro, desde que saiba o que está fazendo.

 

  • Crédito: Exame/Instituto Rosenfield
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V Módulo Internacional em Gerenciamento de Projetos

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Ping-Pong

Participação cidadã

O poder da educação e da cultura para a evolução social.

O mestre e especialista em Direitos Humanos, Thiago Assunção, dá a sua opinião sobre o cenário nacional e explica como podemos mudar a nossa realidade. 

PERSPECTIVA: Professor, em sua opinião, qual é realidade da sociedade brasileira atualmente?

Thiago: O Brasil se encontra num momento de estabilidade econômica e democrática. Busca maior projeção no cenário internacional e vem recebendo cada vez mais atenção aos olhos do mundo. Começamos a atuar como líderes na América do Sul e entre os países chamados emergentes. A renda média aumentou e o nível de emprego não tem precedente. No entanto, do ponto de vista do cidadão, nota-se que o individualismo e a competitividade aumentaram muito. Competir até certa medida é bom, pois estimula o sujeito a querer fazer mais e melhor, até para melhorar sua condição social. Mas, como dizem as avós, “tudo o que é demais faz mal”. Vivemos um momento onde muitas pessoas se sentem insatisfeitas, seja por que não têm tempo suficiente para cuidar de si e aproveitar as coisas simples da vida, seja por que mesmo tendo conquistado uma situação financeira confortável, sentem que falta algo. Precisamos de mais cooperação e solidariedade. A coesão social passa por uma convivência mais equilibrada no dia a dia, com respeito e tolerância uns em relação aos outros. Ou seja, a melhora da qualidade de vida também passa por construirmos uma realidade socialmente justa em nosso entorno.

PERSPECTIVA: Conhecendo essa realidade, o que podemos fazer para melhorá-la?

Thiago: Nosso maior desafio agora é melhorar a qualidade do Estado, dos serviços públicos e aqui estamos falando de gestão pública. É preciso que a população desperte para a necessidade de acompanhar mais de perto a atuação dos agentes públicos e não só os políticos em época de eleição.

PERSPECTIVA: As pessoas perderam a confiança na política e isso tem prejudicado bastante no exercício da cidadania. O que fazer?

Thiago: Seria importante que o indivíduo percebesse o poder que possui, indiretamente, quando faz escolhas. O nosso estilo de vida e hábitos de consumo, por exemplo, têm um papel fundamental e um impacto muito maior do que imaginamos. É preciso alongar o olhar, deixando de pensar apenas na maximização dos ganhos imediatos. Quando compramos alimentos orgânicos, por exemplo, estamos não apenas cuidando da nossa saúde, mas também ajudando a preservar o meio ambiente e promovendo uma economia solidária. Ainda que se gaste um pouco mais para isso.

Quanto à participação cidadã, é preciso cobrar mais, levando sugestões e colaborando com o Poder Público. Existem muitos canais de comunicação hoje em dia que são subutilizados pelo cidadão para exigir melhorias e fiscalizar o Estado. Por exemplo, as Ouvidorias e as Corregedorias, órgãos presentes em quase todos os órgãos públicos, mas que são pouco conhecidos e aproveitados pela população. Ademais, existem hoje para praticamente todos os assuntos de responsabilidade do Poder Público, audiências públicas, conferências e conselhos, em âmbitos municipal, estadual e federal, onde são debatidos com a sociedade temas relevantes para a construção das ações, programas e projetos públicos. Acontece que esses espaços, na maioria das vezes, ou são ocupados sempre pelas mesmas pessoas (alguns interessados apenas em conseguir benesses pessoais ou exclusivamente para a sua categoria), ou por cidadãos que usam desses encontros para fazer reclamações pontuais a respeito de interesses particulares. Ou seja, poucos são os que vislumbram a possibilidade de discutir de forma mais ampla o bem-estar da comunidade, por meio do questionamento crítico e proposição construtiva de soluções, o que acaba por desqualificar os debates nesses fóruns.

Por último, é preciso que nos apropriemos mais do espaço público. Temos que aprender a não ir só do condomínio para o shopping. Pesquisas comprovam que quanto mais gente nas ruas, menos perigosas elas se tornam. Curitiba tem dado os primeiros passos com a multiplicação de eventos públicos ao ar livre, como é o caso da “Virada Cultural” ou o movimento “Ocupe o Passeio”, entre outros. Uma parcela da população tem cobrado ideias inovadoras, como o incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte. Temos que aprender a lutar por melhorias e isso se faz vivenciando as dificuldades, ao contrário daquela postura distante, que diz: “não dá para deixar o carro em casa enquanto não houver transporte público de qualidade”. É hora de assumirmos a cidade como espaço de convivência, onde se possa usufruir de cultura, arte e lazer. Já existem muitas cidades assim no mundo e o resultado evidente é uma maior qualidade de vida e menor segregação social. É preciso encontrar e olhar nos olhos do outro, os “desconhecidos” com quem, no entanto, compartilhamos o mesmo espaço geográfico. Para tanto, é necessário ter iniciativa para tentar o novo, aproveitando as várias possibilidades que a cidade oferece, desde visitar o parque, o teatro ou o museu, até mudar o trajeto ou o meio de transporte de vez em quando. Essas pequenas atitudes, até do ponto de vista psicológico, podem ser uma experiência prazerosa e libertadora.

PERSPECTIVA: E as ações do Estado?

Thiago: O Estado brasileiro precisa aprender a fazer melhor uso do dinheiro público. Isso passa pelo combate à corrupção, área que temos avançado, mas também por resolver alguns gargalos. Precisamos diminuir os cargos em comissão e contratar mais funcionários por concurso público, já que esses se prestam a selecionar de modo impessoal os candidatos mais preparados do ponto de vista técnico para as funções que irão desempenhar. É necessário também aumentar os quadros funcionais em atividades essenciais, onde a falta de pessoal é determinante na baixa qualidade ou lentidão dos serviços prestados. Estamos falando de contratar mais professores de ensino básico, médicos e enfermeiros, juízes, analistas e gestores públicos. O Poder Executivo, responsável direto pela prestação dos serviços públicos, deveria contar com um número maior de profissionais especializados em suas áreas de atuação (finanças, direito, comunicação, segurança, meio ambiente, engenharias, sociologia, etc.) e em compensação reduzir drasticamente o número de cargos em comissão, que são utilizados muitas vezes para acomodar interesses privados e eleitorais, com pessoas desqualificadas para as funções que são chamadas a desempenhar. Assessores, alguns especialistas e diretores até podem ser contratados dessa forma, em casos excepcionais, mas o que se observa no Brasil é o exagero e mau uso desta possibilidade, em todos os níveis. Por outro lado, seria preciso que o dinheiro fosse melhor aplicado, evitando desperdícios, o que pode ser feito por meio de um controle mais rígido das contas públicas. Deveríamos aprender a nos mobilizar, principalmente nas discussões quanto à formulação e execução do orçamento público, e nos manifestar, fazendo pressão nos casos de desvios e abusos. Avançamos um pouco neste sentido nos últimos anos, mas ainda falta muito.

PERSPECTIVA: O investimento em educação seria um meio de se provocar a evolução da sociedade? E a cultura?

Thiago: O que se percebe é que falta educação para o exercício da cidadania, ou seja, informação e principalmente consciência não apenas para participar, mas para saber participar de modo construtivo e civilizado. Já se sabe que não basta apenas aumentar o investimento em educação. A melhoria na qualidade do ensino se dá com mais recursos, mas também com a valorização do profissional da educação (infelizmente o que vemos hoje é justamente o contrário), com o apoio e participação ativa da sociedade e da família no ambiente escolar, com infraestrutura adequada e atividades de contra turno, enfim, depende de uma verdadeira mobilização de todos pela educação de qualidade. E de preferência, que a escola pública deixasse de ser desacreditada como é hoje, pois a separação que existe entre escolas particulares para quem pode pagar, e escolas públicas, apenas para quem não pode, acaba gerando dois mundos que não se comunicam, perpetuando as desigualdades. Os currículos também teriam que ser revisados, já que temos ouvido muitos jovens reclamarem que o que aprendem na escola de modo geral não ajuda na vida prática. Seria mais interessante hoje aprender sobre educação financeira, como por exemplo, juros, inflação, não gastar mais do que ganha, aprender a poupar para ter tranquilidade no futuro, do que aprender a resolver equações matemáticas abstratas que hoje são solucionadas por computadores. No mesmo sentido se houvesse uma educação para a cidadania (noções da Constituição Federal, direitos e deveres enquanto cidadão), educação para a sustentabilidade e assim por diante. O fato é que todos são obrigados (por lei inclusive) a terminar a escola, portanto é uma instituição onde passamos muito tempo de nossas vidas e em uma época em que o nosso caráter ainda está em formação. É por isso que nessa fase reside a oportunidade de construir uma geração mais consciente e atuante. Nesta fase, está a origem da criminalidade e do uso abusivo de drogas, por exemplo, já que jovens sem perspectivas enveredam mais facilmente para a delinquência. No entanto, quando a pessoa já é adulta, não há outro modo de sensibilizá-la para tudo isso, senão a não ser por meio da cultura. Por cultura, entendemos cinema, música, literatura, artes plásticas, mas também quadrinhos, graffitis, dança, esportes, enfim, qualquer coisa que o sujeito goste de fazer e o tire da mera condição de consumidor. São atividades para que ele possa aproveitar seu tempo com qualidade, de modo a promover a autoeducação, o autoconhecimento, para que ele possa trabalhar a criatividade e a imaginação, o que o ajuda a sonhar, a recuperar a autoestima e a autoconfiança. Desse modo, passamos a ser sujeitos ativos do nosso próprio destino e não meros telespectadores. 

 

  • Crédito: Arquivo ISAE/FGV

    Thiago Assunção, Mestre em Educação para a Paz: Cooperação Internacional, Direitos Humanos e Políticas da União Europeia, pela Universidade de Roma III, Especialista em Docência no Ensino Superior e graduado em Direito. Professor e Pesquisador de Direitos Humanos e Integração Regional no Centro Universitário Curitiba (Unicuritiba). Coordenador do Grupo de Pesquisa “Educação para a paz: ética, cidadania e direitos humanos” na mesma instituição. Concluiu o curso de Direito Internacional e Comparado dos Direitos Humanos, no Institut International des Droits de l’Homme, em Estrasburgo, na França.
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Tecnologia

O tamanho diminuiu, mas a capacidade aumentou

Dispositivos de armazenamento diminuem de tamanho e agora cabem até em roupas de bebê

Crédito: Adidas/ Divulgação

Tênis tem sensor na sola que envia informações para um aplicativo no celular

A tecnologia se faz presente em nossas vidas diariamente. Quase todos os eletrodomésticos contam com sistemas informatizados e podem ser acessados com um clique ou um toque. Os dispositivos de armazenamento também estão passando por essas evoluções. O primeiro computador que trabalhou com Hard Disk (HD) foi um IBM 305 RAMAC, de 1956. O disco rígido pesava cerca de uma tonelada e tinha a capacidade de cinco megabytes (Mb). Hoje, temos o pen drive, com menos de dois centímetros e um terabyte de memória, o que equivale a 1024 gigabytes (Gb). Com essa evolução na capacidade e no tamanho dos dispositivos, guardar informações ficou muito mais fácil.

Em 2012, a Nike criou uma pulseira que calcula as calorias perdidas nas atividades físicas. Ela também conta com um programa, o Nike+, que incentiva e auxilia a traçar metas para os exercícios. Neste ano, a Adidas criou o Boost, um tênis que têm sensores na sola que rastreiam e enviam dados ao aplicativo miCoach, no celular. A Misfit criou o Shine, sensor do tamanho de uma moeda que também auxilia no monitoramento das atividades. Ele pode ser usado no bolso ou no pulso. 

Nessa ”onda” de sensores, a empresa norte-americana de biomedicina Exmovere criou um macacão para bebês que evita as preocupações desnecessárias. Por fora, a roupa parece normal, mas o Exmobaby carrega em seu tecido uma série de sensores que medem a temperatura, os batimentos cardíacos do bebê e até reconhecem os padrões de movimento da criança. Qualquer movimento que seja anormal no bebê é captada pelos sensores e dispara um alerta via mensagem para o smartphone dos pais e do pediatra. O projeto está em aprovação e inicia uma nova era na tecnologia, a wearable devices, em tradução livre, “aparelhos que podem ser vestidos”.

A empresa de pesquisas IHS, fez um levantamento que mostra o mercado mundial de wearable devices, que em 2011, vendeu cerca de 14 milhões de aparelhos das mais diversas categorias e deverá comercializar 171 milhões de produtos em 2016. Em termos financeiros, a projeção é que, em três anos, esse mercado supere, anualmente, 6 bilhões de dólares anuais. Por enquanto, a maioria dessas novas tecnologias contemplam os esportes e os cuidados com a saúde. Porém, as próximas gerações desses acessórios conectados permitirá que uma série de tarefas, hoje exclusivas a computadores e celulares, sejam feitas por meio desses dispositivos.

A grande diferença para os consumidores, pode ser atrelada a facilidade que esses dispositivos trarão ao dia a dia. Com o crescente número de smartphones, o uso dessas ferramentas será cada vez mais comum. Seja em um treinamento físico, no cuidado com a saúde ou em alguma atividade do cotidiano, os chips auxiliarão, e muito, quem utilizá-los.

Crédito: Misfit/Divulgação

Acessório pode ser usado no bolso, no pulso ou pendurado na roupa

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Lei do bem

Lei incentiva o P, D&I nacional

Pouco conhecida entre as organizações, a legislação contempla incentivos fiscais para o desenvolvimento da tecnologia nacional

Crédito: SXC

As empresas geralmente têm receio em desenvolver projetos por conta dos riscos tecnológicos envolvidos

 

Criada em 2006, a Lei nº 11.196, conhecida também como Lei do Bem, foi instituída com intuito de fomentar a inovação tecnológica por meio de investimentos privados em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I), no âmbito empresarial. A Lei possibilita incentivos fiscais às empresas que apostam em inovação e tecnologia.

Com o conceito de que o avanço tecnológico de um país está vinculado ao seu investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI, busca aproximar as organizações das universidades e institutos de pesquisa e tecnologia, potencializando os resultados em P,D&I.

A Lei do Bem é um instrumento de apoio à incorporação da inovação tecnológica no meio empresarial. As instituições, em qualquer área de atuação, que apostem em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, seja na criação ou inovação de novos produtos, como por exemplo, no processo de fabricação, e estejam inseridas em regime tributário de lucro real, podem ser beneficiadas por meio da Lei. Os benefícios visam estimular à fase de maior incerteza, junto ao desenvolvimento e pesquisa, quanto à obtenção de resultados econômicos e financeiros pelas organizações no processo de criação e testes de novos produtos, processos ou aperfeiçoamento dos mesmos.

A conquista do incentivo

Em seu segundo o artigo -17§ 1º-, a legislação cita: "Considera-se inovação tecnológica a concepção de novo produto ou processo de fabricação, bem como a agregação de novas funcionalidades, características ao produto ou processo que implique melhorias incrementais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade, resultando maior competitividade no mercado". Com essa citação diversas empresas se consideram aptas a conquistarem o incentivo.

A AP Winner, empresa de Ponta Grossa (PR), a cada ano adota projetos para desenvolvimento de seus novos produtos. Em 2012, a empresa apresentou 11 projetos pela Lei nos segmentos automotivo, manutenção industrial e construção civil, setores em que a organização atua. Responsável pela área de administração e finanças da AP, Weliton Barreiros explica “A partir da dedução das bases de cálculos do IRPJ e CSLL, por consequência da redução dos pagamentos desses tributos, foi possível, em contrapartida, ampliar a destinação de recursos para P, D&I”.

 

A empresa faz seu planejamento tributário por meio de uma assessoria externa para acompanhamento das alterações legais e oportunidades de benefícios. Segundo Weliton, em relação à legislação específica, não foi difícil obter informações para desenvolver o processo, por conta da natureza da organização e por não necessitar habilitação prévia, a implementação da Lei não foi complexa. Mesmo com o suporte da assessoria, Weliton comenta “Por outro lado, ano a ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia tem executado acompanhamentos mais detalhados e formulários mais complexos”.

 

 

Crédito: AP Winner

A empresa apresentou 11 projetos pela Lei em 2012

Segundo o Relatório de 2011 da Lei do Bem, com dados analisados em 2012, o MCTI recebeu 962 formulários de pessoas jurídicas que declararam ter usufruído dos incentivos da Lei. Segundo o mesmo relatório, houve um aumento de participação de 10%, comparado ao ano anterior, 2010. Os investimentos em P,D&I no mesmo ano foram de R$ 8,5 bilhões e a renúncia fiscal no montante de R$ 1,6 bilhão, segundo o Ministério.

  • Fonte: MCTI

    NÚMERO DE EMPRESAS CADASTRADAS POR REGIÕES

    Anos

    2006

    2007

    2008

    2009

    2010

    2011

    Sudeste

    73

    192

    311

    366

    502

    567

    Sul

    52

    121

    204

    230

    326

    324

    Centro-Oeste

    1

    1

    1

    8

    8

    18

    Norte

    1

    3

    9

    7

    9

    16

    Nordeste

    3

    16

    27

    24

    30

    37

    Total

    130

    333

    552

    635

    875

    962

     

A empresa Peróxidos do Brasil, de Curitiba, também foi beneficiada pela Lei.  O gerente de RH, Marco Silva, acredita que a legislação favorece para que as empresas invistam em inovação e projetos que tenham esta finalidade “Esta situação proporciona mais empregos e incrementos às industrias”, explica. Marco ainda acredita que a não participação das empresas está relacionada à falta de pessoas capacitadas dentro das organizações para conduzir esse tipo de processo.

Para Weliton, da AP Winner, a Lei do Bem teve como mérito a simplificação inicial na sua aplicação, em especial por dispensar a necessidade de habilitação prévia. Porém por conta da “simplicidade”, muitos requisitos eram subjetivos e passíveis de interpretação diferente por parte da empresa, Ministério da Ciência e Tecnologia e em especial, da Receita Federal. “Recentemente, a Receita Federal tem divulgado Instruções Normativas, IN´s, que são a interpretação em relação alguns pontos da Lei do Bem, considerando inclusive com retroatividade a sua análise. Acreditamos que uma uniformização das interpretações e mais clareza nas responsabilidades de cada órgão, poderia resolver boa parte da insegurança jurídica”, comenta Weliton.

Investimentos

Em 2011, os gastos das instituições que se apresentaram na Lei do Bem foram de R$ 6,84 bilhões e a renúncia fiscal de R$ 1,40 bilhões. Os setores que geraram mais demandas pelos incentivos fiscais da Lei foram Transportes, Mecânica, Eletroeletrônica e Petroquímica.

A inovação e a concorrência comercial tecnológica têm aumentado a necessidade de busca por mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento no âmbito empresarial.  Por esse motivo, o MCTI acredita que, a cada ano, o número de organizações no programa seja mais expressivo. Em 2013, a participação por parte das empresas interessadas nos benefícios fiscais concedidos pela legislação deve ser feita até 31 de julho. 

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Energias

As energias renováveis

Projetos visam desenvolver novas formas de reter energia por meio de fontes renováveis

Crédito: SXC

Energia eólica é uma das fontes renováveis já utilizada em diversos países

No momento em que cada vez mais a sustentabilidade e a conservação do planeta estão em evidência, as energias renováveis aparecem como uma das alternativas. Existem muitos debates sobre o uso do biodiesel e do álcool para os automóveis, além da energia eólica como fonte de energia elétrica. Aproveitando este momento, o Governo do Estado do Paraná juntamente com Instituto de Tecnologia do Paraná, o Tecpar, desenvolveram um programa que busca colocar o Estado, estrategicamente, em um período de 10 anos, em uma posição competitiva mundial com relação à geração distribuída renovável interconectada a redes inteligentes, que também são conhecidas como smart grids. Elas servem como redes de distribuição informativas, que podem ser usadas também para geração de energia elétrica em pequenas escalas. Em pouco tempo, empresas, casas, edifícios, podem auxiliar nesta produção de energia.

No Brasil, segundo o relatório divulgado pela Copel e o balanço energético nacional de 2010, observa-se que, do total, 53% é obtido de fontes não renováveis de energia, o petróleo e seus derivados (38%), gás natural (9%), carvão mineral e urânio (6%), sendo que os setores que mais consomem energia são o industrial e de transportes.

O “Smart Energy Paraná” reúne em seu comitê, gestores representantes do Governo, do setor empresarial,  da academia e instituições de pesquisa. Segundo Daniel Fraxino, gerente de projetos do Tecpar, o Paraná, por ter uma característica muito particular, que é ter sete universidades estaduais em seu território, além da estrutura universitária da capital, facilita um alinhamento estratégico que ordene e crie sinergias entre os gestores públicos, centros de pesquisa, indústria e mercado.

O projeto foi lançado em 29 de junho de 2012, com a responsabilidade repartida pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) e tendo a sua Secretaria Executiva no Tecpar. Os trabalhos estão no período de construção da constituição da governança do programa, na negociação de acordos nacionais e internacionais para desenvolvimento de projetos piloto e cursos de capacitação. “Estamos buscando a instalação de uma estação solarimétrica padrão SONDA, que será a primeira em nosso Estado, na criação de uma plataforma tecnológica para teste, demonstração e certificação de equipamentos e processos, e no apoio à organização do Congresso Internacional de Energias Inteligentes 2013”, afirma Fraxino.

A intenção do programa é utilizar as fontes de energias limpas. Em um primeiro momento será dado ênfase nas fontes fotovoltaica e eólica. “Mas, também nos interessa conhecer mais sobre as fontes maremotriz e undimotriz, por exemplo”, finaliza.

Itaipu também conta com um projeto para energias renováveis

A Itaipu Binacional, maior geradora de hidroeletricidade do mundo, criou a Plataforma Itaipu de Energias Renováveis, que tem como objetivo criar novas oportunidades de negócio e proporcionar autonomia energética para os setores agropecuário e agroindustrial da região Oeste do Paraná, paralelamente a um processo de saneamento ambiental, utilizando as energias eólica, biomassa, solar e hidráulica.

Em energia eólica, até 2030, o Governo brasileiro espera ter capacidade instalada de 3,3 gigawatts em todo território nacional. O Paraná tem um potencial estimado em 3,5 gigawatts. Para se ter uma ideia, as 17 hidrelétricas e uma termelétrica da Companhia Paranaense de Energia (Copel) somam uma capacidade instalada de 4,5 gigawatts.

Do ponto de vista energético, a geração de eletricidade, a partir da biomassa nova, encontra um cenário bastante favorável, dada a forte produção agropecuária local e suas características fundiárias. 

Outro aspecto positivo da geração de energia a partir da biomassa é que essa tem grande potencial para irrigar a economia local, fomentando os setores de indústria e comércio (fabricação e venda de equipamentos) e também de serviços (elaboração de projetos).

Por outro lado, a energia solar é a solução ideal para áreas afastadas e que ainda não dispõe de energia elétrica. Destaca-se também por ser um tipo de energia alternativa, limpa e benéfica ao meio ambiente. Para cada quadrado de coletor solar instalado, evita-se a inundação de 56 metros quadrados de terras férteis para a construção de usinas hidrelétricas.

Já a contribuição da energia hidráulica na matriz energética nacional, segundo o Balanço Energético Nacional, é de 14%, participando com mais de 74% de toda a energia gerada no País. Cada tipo de energia tem seu projeto independente. Mas, todos englobam um só, a busca por energias limpas e que auxiliem na conservação do planeta.

 

Crédito: Siemens

Smart Grids ou redes inteligentes podem fazer com que qualquer estabelecimento seja gerador de energia

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MBA FGV

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Especial

Como fazer uma boa apresentação

Boa postura e linguagem clara são alguns dos aspectos a serem cuidados

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Case

Apoio aos artesãos vira negócio

A comunidade online, Solidarium, conquista artesãos, clientes e rede varejistas do Brasil e do mundo

Crédito: Solidarium

Produtos feitos à mão, disponíveis na plataforma da Solidarium

A Solidarium é uma comunidade virtual que reúne clientes de todo o mundo, interessados por artesanatos de qualidade. O projeto foi idealizado por Tiago Dalvi, no em 2007, em Curitiba (PR), quando tinha apenas 19 anos.

O jovem empreendedor e atual CEO da empresa, explica que, nos últimos dois anos, a Solidarium mudou bastante, mas tem mantido seu objetivo, que é valorizar o artesão e seu produto “A nossa intenção é transformar esta realidade e fazer do artesanato um produto com alto valor agregado, design e de interesse do consumidor brasileiro”, explica.

No Brasil, estima-se que, hoje, existem 8,5 milhões de artesãos, sendo que cerca de 2 milhões vivem abaixo da linha de pobreza. A ideia da Solidarium é aproximar essa comunidade artesã de qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, que se interesse por produtos feitos à mão. “O artesão pode entrar na plataforma virtual, cadastrar-se e começar a vender para consumidores e redes varejistas do Brasil e do mundo”, explica Tiago.

A Solidarium é uma empresa com fins lucrativos e deve gerar retorno financeiro como qualquer outra, mas tenta conseguir isso por meio do Comércio Justo - um conjunto de práticas que tornam a cadeia mais igualitária. “Por exemplo, hoje no Walmart, o preço do produto final é definido em conjunto entre Solidarium, artesão e Walmart. Nesta cadeia, todos ganham”, exemplifica.

Tiago comenta que muitos artesãos brasileiros possuem um bom produto, com um bom design, um preço competitivo, porém não sabem como vendê-los. Pela comunidade online, os próprios consumidores e usuários filtram os melhores artesanatos para conseguir um bom posicionamento na plataforma virtual. “Em alguns casos, o artesão nunca saiu da própria comunidade. A Solidarium conecta essa pessoa com o mercado e dá asas para os negócios prosperarem. Somos uma alavanca para que cresçam e se desenvolvam”, ressalta Tiago.

Parceria

A empresa começou como uma área dentro da Aliança Empreendedora e, atualmente, conta ainda com o apoio da organização e de vários parceiros, entre eles o Instituto Walmart, Instituto Camargo Corrêa, Sitawi e Sebrae. Alguns desses parceiros, como Aliança Empreendedora e o Sebrae, oferecem suporte à capacitação e gestão de negócios aos artesãos vinculados à Solidarium.

Além exportar artesanatos brasileiros para vários países, como França, Itália, Luxemburgo, Bélgica, Jordânia e Estados Unidos, a empresa foi premiada dentro e fora do Brasil. Um exemplo é o prêmio da aceleradora de negócios Unreasonable Institut, dos Estados Unidos e o prêmio Empreendedor Social de Sucesso, pela revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios.

  • O empreendedor

     

    Para os próximos cinco anos, a meta da Solidarium é tornar-se a principal plataforma de artesanato e produtos criativos do Brasil.

    O jovem e idealizador de um negócio social de sucesso, Tiago Dalvi, hoje, com 26 anos, aconselha a quem quer abrir a sua própria empresa: estude o que já foi feito no setor. “Testar vários modelos e não perder muito tempo com um plano de negócios. Na prática, a teoria sempre é diferente”, finaliza.

     

     

     

    Crédito: Mat Nager

    O jovem empreendedor, Tiago Dalvi

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Indica

Perspectiva Indica

 

Iacocca - Uma autobiografia - Lee Iacocca e William Novak - Editora Cultura

 

Considerado o pai do Mustang, Lee Iacocca, filho de imigrantes Italianos, foi presidente da Ford durante oito anos. Com 32 anos de casa, Lee foi demitido. Porém, tornou-se presidente e CEO da Chrysler Corporation, reerguendo a organização nos anos 80 até sua aposentadoria, em 1992. A história de vida de Iacocca, apresentada no livro, é uma inspiração para os leitores. Lee também é um conhecido autor best-seller de negócios, liderança e governança corporativa.

 

Decifrar Pessoas: Como entender e prever o comportamento humano - Jo-Ellan Dimitrius e Mark Mazzarella - Editora Alegro

Em Decifrar Pessoas, entendemos que a vida é uma constante negociação. Estamos o tempo todo negociando com esposa, filhos, babá, irmãos, subordinados, superiores etc. Esse livro te ajudará a entender um pouco mais das pessoas e como funciona a nossa mente.

O Livro da filosofia - Douglas Burnham e Will Buckingham - Editora Globo

Reunidas nas mesmas obras, O Livro da Filosofia traz as opiniões de grandes filósofos sobre os mais diversos assuntos, por exemplo, a existência de Deus, a morte, o trabalho, o sexo, entre outros assuntos que inquietam a sociedade contemporânea. 

 

 

  • Leitor da Perspectiva ISAE dê a sua dica de leitura para a nossa próxima edição. Escreva para: imprensaisae@isaebrasil.com.br

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Artigo

Gerenciamento de Projetos Inovadores

Fomentados com Recursos Públicos Não Reembolsáveis

Crédito: SXC

Projetos devem seguir regras rígidas de prestação de contas do escopo

Autores: André Sanches Fonseca Sobrinho, Caio Dalla Zanna e Denise Margareth Oldenburg Basgal

Periodicamente é disponibilizado, pelo Poder Público, um grande volume de recursos não reembolsáveis para o fomento da inovação tecnológica em empresas de pequeno, grande e médio porte. Estes recursos podem alavancar o desenvolvimento de empresas que têm ideias inovadoras, mas que não podem assumir os riscos e custos inerentes à inovação tecnológica. Com a disponibilidade de recursos, não há uma divisão destes riscos entre a sociedade e as empresas. Em contrapartida, produtos e processos inovadores alavancam a economia e trazem benefícios para a sociedade.

Contudo, projetos fomentados têm grande restrição a mudanças e devem seguir regras rígidas de prestação de contas do escopo, custo e tempo durante sua execução. Se estas restrições não forem observadas e gerenciadas adequadamente, o repasse de recursos por parte do órgão fomentador pode não acontecer ou ser interrompido, comprometendo todo o projeto e o seu objetivo.

Inovação e o impacto dos recursos não reembolsáveis

Inovação pressupõe risco, uma vez que o resultado final do esforço para a inovação é extremamente incerto. A alta administração de empresas, geralmente tem receio em desenvolver projetos de inovação tecnológica por conta dos riscos envolvidos. Com o intuito de dividir este risco, são disponibilizados recursos governamentais sob forma de subvenção visando alavancar projetos de inovação tecnológica nas empresas.

Porém, de acordo com a matéria “País gasta mal com pesquisas e perde competitividade, mostra Fiesp”, publicada pelo Jornal Valor Econômico em 18/11/11, o Brasil destina 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para pesquisa e desenvolvimento, número pouco inferior à média mundial que é de 1,5%. Porém, enquanto as exportações de produtos de alta tecnologia representaram 15,5% do PIB na média de todos os países pesquisados e 21,7% na média daqueles mais competitivos, como Estados Unidos e Alemanha, no Brasil, ficou em 4,5% em 2010.

De acordo com a matéria, uma das principais causas relacionadas ao baixo percentual de produtos de alta tecnologia exportados, engloba desde o mau direcionamento dos recursos até a má-utilização dos mesmos. Principalmente pela falta de experiência do coordenador em gestão de projetos, má elaboração dos projetos, entraves burocráticos, pedidos frequentes de remanejamento financeiro, problemas em elaborar relatórios técnicos, dificuldade de interação entre instituições, modificação de metas aprovadas, alteração de equipe, etc. (AUGUSTO; LOURES; BOHNENBERGER, 2011)

Superar estas dificuldades e ser capaz de captar e utilizar esses recursos são a porta de entrada de muitas empresas para desenvolver uma cultura interna de inovação tecnológica, produtos e processos novos e mais competitivos, além de alavancar seus negócios.

As organizações têm percebido a importância da inovação e do desenvolvimento de novos produtos, processos e tecnologias, não só como diferencial competitivo, mas sim para manterem-se competitivas. Com base nessa percepção, as empresas têm buscado saber como obter recursos para desenvolver projetos de inovação tecnológica, como captar recursos governamentais de forma eficiente e também como buscar parcerias com Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT’s) para desenvolver projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P, D & I).

Para que as organizações consigam captar esses recursos disponíveis de forma eficiente, é necessário que elas estejam estruturadas e organizadas o suficiente para atender aos requisitos dos editais de fomento e também gerenciar seus projetos de forma eficiente utilizando da melhor forma estes recursos.

Para tanto, as empresas devem desenvolver uma cultura de inovação e de projetos. Segundo a empresa Inventta, em seu informe intitulado “Como Fomentar Mais e Melhor as Empresas”, a maturidade em projetos de inovação nas empresas foi identificada em três níveis (Operacional, Estrutural e Estratégico), como apresenta a figura.

Fonte: (AUGUSTO; LOURES; BOHNENBERGER, 2011)

Fases de maturidade

Na fase operacional a empresa não possui capital próprio e não sabe buscar recursos de terceiros. Também não possui processos para guiar a captação de recursos e atua de forma reativa, ou seja, aguarda a publicação de editais para desenvolver projetos. Por esses motivos, tem grande dificuldade em obter os recursos disponibilizados para inovação tecnológica.

Em empresas com um nível de maturidade estrutural, há uma organização interna que busca potencializar a obtenção de recursos governamentais e um planejamento e estruturação dos processos de captação de recursos. Também existe uma aproximação dos órgãos de fomento e capacitação dos colaboradores.

Na fase estratégica, as empresas não aguardam a liberação de recursos, investem em P, D & I, possuem equipe própria e capacitada para captar recursos e já tem parcerias com ICTs e empresas de base tecnológica. Existe um relacionamento com os órgãos de fomento bem estabelecido a ponto de influenciar as linhas de financiamento oferecidas. (AUGUSTO; LOURES; BOHNENBERGER, 2011)

Gerenciamento de projetos

Com o passar do tempo, foi evidenciada a necessidade de se organizar os projetos objetivando melhores resultados, evitando perdas de tempo, recursos e retrabalhos. Ao perceber isto, foram criadas técnicas e ferramentas para auxiliar no gerenciamento dos mais diferentes tipos de projetos existentes. A este método foi denominado Gerenciamento de Projetos pelo PMBOK. (PMI, 2008)

Ciclo de vida dos projetos

No gerenciamento de projetos, para facilitar o planejamento e o controle dos mesmos, ficou consagrado dividi-los em fases, também chamadas de Ciclo de Vida de Projetos. As fases ligam do início ao fim do projeto e ajudam os gerentes conduzi-los melhor.

A transição de uma fase para outra, dentro do ciclo de vida de um projeto em geral, envolve e normalmente é definida, por alguma forma de transferência técnica ou entrega. (PMI, 2008) O ciclo de vida do Gerenciamento do Projeto descreve um conjunto de processos que devem ser seguidos, para que o projeto seja bem gerenciado.

 

 

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GBA ISAE - cursos de curta duração