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Giro nos Negócios

Giro nos Negócios

Itaú Unibanco apresenta nova bandeira de cartões

No começo de outubro, o Itaú Unibanco apresentou uma nova bandeira de cartões, a Hiper. Segundo o banco, mais de 40 milhões de clientes serão beneficiados com a novidade. O cartão Hiper terá taxa mensal de R$ 10,00, que será convertido em crédito para o celular no valor de R$ 12,00. O Itaú Unibanco busca parceiros varejistas para aumentar a rede de beneficiários.

 

Coca-Cola cai para terceiro no ranking de marcas

Em pesquisa divulgada pela Interbrand, a Apple e o Google, ultrapassaram a Coca-Cola, que está em terceiro no ranking de marcas. A primeira colocada vale aproximadamente US$ 98,3 bilhões. Já o Google, tem um valor de mercado em torno de US$ 93,3 bilhões. A marca que mais caiu foi a Nokia, que perdeu quase dois terços, indo para US$ 7,44 bilhões.

 

Carros que mais dão prejuízo para suas montadoras

Um estudo da Berstein Research, que buscava saber qual veículo dá mais prejuízo à montadora, o Grupo Volkswagen registrou a maior perda. Os números revelam que, a cada unidade produzida do Bugatti Veyron, gera US$ 6,27 milhões de prejuízo.

Levando em conta as despesas acumuladas, o modelo que apresenta o pior desempenho é o smart ForTwo, com US$ 4,55 bilhões perdidos entre 1995 e 2006. Depois, vem o Fiat Stilo (US$ 2,86 bilhões – 2001 a 2009), o VW Phaeton (US$ 2,71 bilhões – atual), o Peugeot 1007 (US$ 2,57 bilhões – 2004 a 2009) e a primeira geração do Mercedes-Benz Classe A (US$ 2,32 bilhões).

 

 

 

FGV é a melhor instituição brasileira para formar CEOS

A Fundação Getulio Vargas é a instituição brasileira mais bem colocada na primeira edição do ranking Alma Mater Index: Global Executives – feito pela revista britância Times Higher Education (THE), que lista os melhores locais para a formação de diretores executivos.

A FGV ficou com a primeira colocação entre as brasileiras e a 35ª do mundo, ficando na frente de tradicionais universidades, como Princeton, nos Estados Unidos, e Cambridge, no Reino Unido. A classificação tem como base a relação das 500 maiores empresas de 2013, elaborada pela revista norte-americana Fortune.

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Capa

Brasil carece de profissionais qualificados em gestão projetos

Novas iniciativas demandam que as organizações se planifiquem com qualidade

Crédito: IMAM
 

Aproximadamente 20% do PIB global são gastos em projetos, segundo dados do PMI

As empresas gastam a maior parte do seu tempo em novas iniciativas, do que em um modelo que elas já conhecem. Dedicam hoje, em geral, mais tempo, esforço e dinheiro em iniciativas temporárias e que não existem, tudo isso para descobrir um novo produto, processo ou em novo nicho no mercado. Para Thiago Ayres, vice-presidente do Project Management Institute-PMI PR, as organizações investem mais tempo em projetos, do que nos seus processos, que são cíclicos, repetitivos e previsíveis. “Vivemos hoje em um mundo projetado, no qual as empresas dedicam muito de sua receita em iniciativas que trazem mudanças, isso está relacionado às constantes alterações no mundo”, afirma Thiago.

O mundo realmente está em constante transformação. A rápida velocidade dos acontecimentos é algo presente em todos os âmbitos, incluindo as empresas nacionais. Mas, a relação da organização com o cliente também está mudando. Cada consumidor tem um tipo determinado de necessidade, isso faz com as empresas busquem sempre agradar (atender e responder) a necessidade dos seus clientes e futuros consumidores, estando, assim, em contínua mutação.

A consultoria de pesquisa em economia, Anderson Economic Group, confirma que nos últimos 10 anos (2006 a 2016), existe um aumento de mais 1/3 da força de trabalho que é dedicada aos projetos, é um aumento de 20 para mais de 32 milhões (1,2 milhões de empregos por ano). Como especialista em projetos, Thiago chama a atenção para esse panorama, e principalmente à necessidade que as empresas brasileiras, e o mercado em geral, têm à qualidade na Gestão de Projetos (GP). Para ele, as instituições ainda não aprenderam a trabalhar com projetos. “Seguimos investindo em iniciativas que são erradas e estão dando errado, em termos empresariais, isso é jogar dinheiro fora”, comenta.

  • “Projeto é aquilo que você faz quando tem uma iniciativa temporária e um objetivo específico.
    O que você vai fazer é chamado de escopo.
    Quanto tempo vai levar é o seu timing (tempo).
    E quanto vai custar será o seu orçamento.”

Essas são as três variáveis mais importantes na GP, por meio do acompanhamento contínuo delas, é controlado o sucesso de uma iniciativa. “Se existem mudanças contínuas nesses pontos a empresa está caminhando para o fracasso”, afirma Thiago. Atualmente, as causas de falhas na gestão de projetos costumam ocorrer por três fatores, estimativas ruins, alterações no escopo durante o projeto e alterações no ambiente.

Práticas em Gestão de Projetos

80% dos projetos de alto desempenho usam gerente de projeto e time certificado, segundo estudo da PricewaterhouseCoopers - PWC, uma das maiores prestadoras de serviços profissionais do mundo. “Existe um diferencial dessas empresas e dessas equipes de projetos que outras não têm. Organizações mais inovadoras em projetos chegam a ampliar o seu pensamento para além de gestão de novas iniciativas, gerenciem também programas e portfólios, quem não faz isso hoje já está para trás”, ressalta Thiago.

Para Ayres, fora do Brasil, não há necessidade de convencer as instituições de que as práticas de gestão de projetos melhoram, inovam e acompanham de maneira contínua as iniciativas organizacionais. “Aqui é uma dificuldade, você tem que convencer da necessidade dele, lá fora isso já é básico. A gestão de projetos calibra os métodos que você vai usar para os objetivos que você está buscando”, conclui.

O valor da GP é o investimento em iniciativas que dão certo e que atingem o que foi previsto no início. Algumas empresas avaliam continuamente o andamento de seus projetos e se aquilo que foi previsto no começo não está dando certo, é cancelado.

A GP serve também para auxiliar o que é prioridade à instituição. Por exemplo, uma empresa tem 20 propostas, mas somente verba para 10. Com a gestão desses projetos é possível planejar melhor e selecionar efetivamente quais são os mais importantes. O especialista afirma que, apesar da instituição de novas ações, todo nosso modelo produtivo e tecnológico é baseado em processos, é repetitivo. Para ele, esse é o jeito de trabalhar que as empresas já aprenderam e sabe como levar, agora o trabalho novo, de iniciativas de mudanças, o Brasil está aprendendo.

Carreira

O mercado tem buscado novos profissionais para GP. Segundo dados do PMI, mais de US$13 trilhões de dólares são gastos em projetos, aproximadamente 20% do PIB global. O Brasil tem recebido verba de fora para realização de projetos de grande porte, como a Copa, Olimpíadas, PAC, PAC2, os créditos agrícolas, entre outros. Essa verba ficará no país. Somando todos esses pontos, tanto Governo como empresas, estão se especializando em projetos para garantir o retorno do seu investimento. Thiago afirma que a dificuldade do mercado agora não é a falta de verba, e sim, a falta de profissionais qualificados para atuarem em novos projetos. “O problema dos projetos no Brasil não é dinheiro, tem muito mais dinheiro do que gente capacitada para tocar os projetos. Ninguém mais quer botar dinheiro para não receber de volta. Agora as empresas têm que comprovar que têm capacidade para gerenciar determinados projetos, por meio de especialização e certificação”.

Demanda generalizada

Ainda existe uma grande concentração de gerentes de projetos nas áreas de Tecnologia da Informação e Engenharia, que foram as primeiras a instituírem a necessidade de gerir projetos estruturados. Mas, agora, outras áreas estão trabalhando com iniciativas temporárias, objetivos únicos e que antes não trabalhavam de maneira estruturada. O mercado começa a reconhecer a GP como uma ciência transversal, que não tem só relação direta com Engenharia, Tecnologia, sendo um tipo de trabalho de alta demanda para gestão em outras áreas, como Administração, Marketing, Finanças, SAC, Responsabilidade Social Corporativa, Comercial, Desenvolvimento e Pesquisa, Gestão de Pessoas, entre outras.

Crédito: Arquivo ISAE

 Thiago Ayres, especialista, docente em Gestão de Projetos, sócio e consultor da PM21 Soluções em Projetos

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Internet

Reclamar dá resultado?

A internet tem sido o meio escolhido pelos consumidores para reclamar contra as empresas

Reclamar funciona? Há aqueles que dizem que sim, outros acham que não. Muitos colocam que as empresas não têm bom pós-venda, ou seja, se há algum problema, não tem ninguém para resolver. Como a internet é um lugar onde a maioria das pessoas está presente, a ferramenta se torna uma grande aliada para quem quer publicar a sua revolta, com problemas relacionados às empresas.

  • Conheça dois casos famosos:

    - “Meu carro falha”. Uma consumidora comprou o veículo e depois de uma série de problemas mecânicos, colocou a organização na justiça e publicou no Youtube um vídeo contando seu caso.

    - Outro caso é o do consumidor que teve um problema técnico com a sua geladeira. Colocou uma faixa na frente da sua casa e também postou um vídeo no Youtube, que já teve mais de 879 mil visualizações.

    As duas situações tiveram um grande número de adeptos que compartilharam e ajudaram a tornar a iniciativa conhecida.  

Com todo esse alarde nas redes sociais, as empresas devem estar atentas e dispostas a responder o consumidor, que tem o poder de fazer um grande estrago nas vendas e na reputação da marca. No Facebook, há diversos grupos para reclamações específicas. O próprio site do “Meu carro falha” virou um lugar onde outros consumidores, que se sentiram lesados pelas fábricas automobilísticas, também deixaram o seu protesto.

A questão é, se as empresas estão antenadas com o que os consumidores, a grande maioria de internautas, tem para falar delas na internet. Muitas não tinham um canal para receber esse tipo de contato e há pouco tempo implantaram, tendo o Facebook como o principal meio.

Pensando nisso, em 2001, foi lançado o Reclame Aqui, um site que reúne diversas reivindicações voltadas às empresas. O canal de comunicação conta com 7 mil queixas por dia e 7 milhões de acessos únicos por mês, em média. Segundo dados do próprio site, há mais de 70 mil empresas cadastradas e o índice médio de solução dos problemas é de 72%.

Por isso, é importante as organizações estarem muito atentas, prezando sempre em atender da melhor forma seu o consumidor, pois ele pode impulsionar a sua marca, como também prejudicar a sua imagem.

Crédito: Reclame aqui

Números refletem a insatisfação do consumidor com os serviços prestados

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Empreendedorismo

Jogo de Damas: a força do empreendedorismo feminino

Projeto enfatiza os aspectos profissionais da vida da mulher como um todo, entendendo as causas e implicações sociais, econômicas e culturais

Crédito: Arquivo pessoal

Deb Xavier detecta a necessidade de atender o mercado de feminino

Mulheres, em geral, são mais colaborativas, trabalham em equipe e de maneira menos hierarquizada. Costumam ser mais flexíveis e atentas aos detalhes. Esta é a opinião de Deb Xavier, empresária, palestrante e entusiasta do empreendedorismo feminino. Deb cursou Empreendedorismo Criativo na Perestroika e atualmente, faz parte do Comitê de Jovens Empreendedoras - CJE, da FIESP.

Aos 26 anos, Débora Xavier criou o “Jogo de Damas”, projeto que leva conteúdo estratégico e de qualidade às mulheres que têm interesse nos assuntos que movem o mercado, como empreendedorismo, carreira, negócios e tecnologia. “Queremos conectar mulheres para que elas troquem experiências e acreditem em seus sonhos, no seu potencial. Tudo isso vinculado ao conteúdo prático, inteligente e com conhecimento”, diz Deb.

O interesse pela iniciativa surgiu com uma situação pessoal da empreendedora, que atuava no meio da tecnologia. “Era uma das poucas mulheres que estava de fato presente em eventos desse âmbito. Comecei a me sentir cada vez mais curiosa por esse meio, de uma forma geral”. A inquietude, a visão de oportunidades no meio dos negócios e o querer conhecer mais, por meio de uma linguagem simples e objetiva, foi o que a impulsionou para criar o projeto Jogo de Damas. A iniciativa se preocupa em abordar todo o conteúdo técnico de uma forma mais dinâmica, clara, baseado em fatos reais e em troca de experiências entre mulheres. 

Mostrar ao mercado a quantidade de mulheres interessadas em empreendedorismo, carreira e negócios é o objetivo do Jogo de Damas. Com a realização de eventos abertos às mulheres dentro do mercado, o projeto fomenta ideias inovadoras, novas atitudes e lideranças entre o público feminino. “Funcionamos como disseminadoras de conteúdo e espaço de conexão entre as diferentes profissionais. Nossa ajuda não é direta”, ressalta a empreendedora.

Crédito: Reprodução/ Jogo de Damas


A startup realiza dois eventos com formatos diferentes, o Jogo de Damas, palestra e mesa redonda durante três horas, que já reuniu mais três mil mulheres; e o Dama Day, programação dedicada durante um dia inteiro com palestrantes renomados. Em todos os eventos, somente mulheres palestram e participam. Até o final deste ano, acontecem oito edições no formato Jogo de Damas. Nomes como Bel Pesce, Sonia Hess (presidente da Dudalina) e Bia Granja (co-criadora e curadora do youPIX),  já participaram dos eventos.

A mulher empreendedora 

A cada dia mais, as mulheres firmam o seu potencial de liderança no mercado e em novos negócios. Segundo um estudo do Sebrae, nos últimos 10 anos, o número de mulheres empreendedoras cresceu em 21%, o dobro do aumento verificado entre o público masculino.

Como especialista no cenário feminino, Deb Xavier acredita que a sociedade precisa dar espaço para que as mulheres inovadoras consigam mostrar o seu trabalho e que esse crescimento está ligado ao desenvolvimento econômico e ao avanço frequente da tecnologia. Para ela, essas áreas estão em constante transformação e vão se adequando às necessidades da sociedade. “O nível de mulheres empreendedoras aumentou, pois elas estão acreditando em seu próprio potencial, estão deixando e fazendo acontecer. Elas estão se arriscando mais, preparando-se melhor e percebendo que o mercado tem espaço pra isso”, explica Deb.

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Números

5º Benchmarking de Recursos Humanos retrata o setor no Paraná

Pesquisa apresenta indicadores e resultados de 2012 das instituições paranaenses na área de Gestão de Pessoas

Crédito: ISAE/FGV

5º Edição do Benchmarking Paranaense de Recursos Humanos

A Bachmann & Associados, organização especializada em indicadores de desempenho e benchmarking, a ABRH-PR e o ISAE lançaram, em setembro, o “5° Benchmarking Paranaense de Recursos Humanos”. O levantamento traz uma análise da gestão de pessoas no Paraná, baseada nos dados de 2012, de 176 instituições, com uma amostra com mais de 200 mil colaboradores.

A pesquisa revela os dados mais importantes do setor de Recursos Humanos (RH) no Estado. Foram avaliados 12 indicadores, como Absenteísmo, Rotatividade e Grau de Terceirização. As informações coletadas, a cada ano, servem como base para a tomada de decisões de gestão estratégica de pessoas às instituições participantes.

Atualmente, a busca pela excelência entre as organizações ainda é pouco referenciada, como se essa fosse uma etapa já vencida pelas empresas nacionais. A verdade é que pequenas empresas, e mesmo de médio porte, ainda não se deram conta da importância de suas informações para a gestão. Esse aspecto é especialmente acentuado nas áreas de RH, segundo o sócio-diretor da Bachmann & Associados, Dórian Bachmann “As demandas para atender às muitas exigências legais associadas à gestão de pessoas, como a complexidade no cálculo da folha de pagamentos – incluindo aí a determinação dos impostos e dos diversos vales – deixa pouco espaço para análises mais táticas e estratégicas, que iriam se beneficiar do conhecimento de indicadores e da comparação com outras organizações (benchmarking)”, afirma Dórian.

As organizações buscam resultados, mas esses são obtidos por meio de pessoas. Conhecer e refletir sobre as práticas de gestão de pessoas, no meio empresarial, é não só importante, como estratégico. Ano a ano, o relato facilita que os profissionais avaliem o seu desenvolvimento, tendo um panorama da área, para que, assim, possam alcançar à melhoria em seus processos.

Para Daviane Chemin, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná (ABRH-PR), com indicadores sólidos de gestão de pessoas, o entendimento organizacional se amplia, possibilitando não só um processo de tomada de decisão com maior assertividade, mas também o desenho de novas estratégias que garantam um futuro promissor para as empresas. “O Benchmarking se torna uma referência importante para os dilemas organizacionais, pois traduz o que é necessário para compreender os impactos da dinâmica de gestão de pessoas e que refletem diretamente no sucesso dos negócios”, afirma.

Indicadores e resultados

A exemplo dos indicadores mais expressivos, na 5ª edição do Benchmarking pode-se destacar a Rotatividade e a Participação feminina na força de trabalho. A média de rotatividade nas organizações, no ano passado, foi de 40,4%, a mais baixa dos últimos anos, segundo o estudo. Para o especialista, a redução na rotatividade reflete o desaquecimento no mercado de trabalho pelo segundo ano consecutivo e analisa.

“Em 2012, foram criadas 88.426 novas vagas no Paraná (29% menos que em 2011). Em alguns setores, como o da construção civil, a oferta de novas vagas declinou de 10.913 (2011) para 5.866 (2012); uma redução de 46,2%. É interessante observar que a rotatividade de 40,4% é uma média. Setores mais competitivos e que fazem forte investimento em capacitação trabalham com valores menores. É o caso da indústria de celulose e papel, que apresentou rotatividade média de 23,1%”.

A participação feminina no mercado tem crescido desde 2009, alcançando 40,2% em 2012. “O levantamento evidenciou que a participação feminina na força de trabalho tem crescido desde 2009, alcançando 40,2% em 2012. O setor de serviços apresentou o maior percentual de mulheres (56,1%), enquanto, no industrial, elas ainda não representam um quarto das equipes (23,7%)”, explica Dórian. O setor com maior oferta de oportunidades para as mulheres foi o hospitalar, conforme o Benchmarking, uma média de 81,2% de mão de obra feminina. Vale observar que até o setor industrial, mais conservador nesse aspecto, ampliou em dois pontos percentuais a quantidade de mulheres em suas equipes, na comparação com 2011.

 

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Economia

A paixão que move a Economia

Mercado dos esportes movimentará bilhões em 2014

Crédito: SXC
 

Pessoas reunidas assistindo partida da Copa do Mundo

O país do futebol! Assim o Brasil é conhecido. Por mais que nos últimos tempos, nossa seleção não esteja mostrando ser a melhor do mundo, continuamos com essa alcunha. Canais esportivos usam slogans como: “Os Fãs de Esportes” ou “Torcemos juntos”. Médicos receitam exercícios físicos para aumentar a qualidade de vida e também para ter menos doenças. Ou seja, o esporte movimenta um bom montante da economia, tanto a mundial, como no Brasil.

Um minucioso levantamento feito pela Sportpar, sobre a indústria do esporte, mostra que as receitas de esportes no mundo vêm crescendo 3,1% ao ano. A projeção é que até 2016, as receitas globais de esportes cresçam 4,8% a.a.

No quesito patrocínio, em 2014, é esperado que o mercado arrecade cerca de 45,6 bilhões de dólares ou 31% do total de receitas do mundo. Em dois anos, o crescimento está previsto para 52 bilhões de dólares, ou seja, 32% do total.

Em 2014 e 2016, acontece dois grandes eventos esportivos no Brasil: a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Todos eles movimentarão muito dinheiro em todo território brasileiro, pois turistas, esportistas e amantes dos esportes estarão no país para acompanhar as disputas. Com isso, a movimentação financeira estará em alta, o que reflete também na economia.

As receitas de esportes no Brasil cresceram cerca de 2,8%, entre os anos de 2006 a 2010. Espera-se que até 2016, ainda deve crescer 9,3% ao ano, também por causa destes eventos.

Crédito: Sportpar

E o meu orçamento como fica?

Enquanto a economia cresce, o endividamento também. Muitos torcedores deixam tudo de lado para acompanhar a sua paixão. No final de 2012, não faltaram pessoas vendendo tudo o que tinham, pedindo demissão ou fazendo enormes empréstimos para acompanhar o seu time no outro lado do mundo. Por isso, muitos orçamentos familiares e pessoais estão defasados, pois a paixão está acima de qualquer coisa.

Também há aqueles que colocam a razão na frente desse forte sentimento pelo clube ou esporte, como o João Gabriel Silva, que compra os seus materiais esportivos sempre que pode, em especial o futebol. “É uma paixão desde a minha infância. Consumo estes produtos por causa do futebol e do meu time do coração, e também para praticar esportes”, afirma. O jornalista conta que nunca deixou as suas responsabilidades para comprar artigos esportivos. “A ideia até já passou pela minha cabeça sim, mas o bom senso prevaleceu”.

Crédito: Sportpar

A projeção é que até 2016, as receitas globais de esportes crescerão 4,8% a.a.

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GBA ISAE de curta duração

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Redes Sociais

A Internet contra a Criminalidade

Portal e Redes Sociais auxiliam pessoas que tiveram os seus bens roubados

Fonte: Reprodução/ Onde fui Roubado

Portal que visa auxiliar os usuários no combate a criminalidade

A criminalidade está aumentado consideravelmente nas grandes cidades e também está chegando as cidades menores. Segundo o levantamento da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), entre janeiro e junho de 2013, mais de 1.200 veículos foram roubados diariamente, em todo território nacional, algo em torno de 38 mil ocorrências mensais.

Em Curitiba, no primeiro trimestre de 2013, foram mais de 3 mil casos de roubo a comércios, enquanto no primeiro semestre de 2012, contou com 2.5 mil, segundo a pesquisa da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). Os números também mostram que a criminalidade subiu em alguns bairros da cidade, como por exemplo, no Jardim Social, que teve um acréscimo de 144% nos roubos, em comparação ao ano passado.

Na tentativa de ajudar, de alguma forma, as pessoas que foram afetadas por esses crimes, dois alunos da Universidade Federal da Bahia (UFBA), criaram a rede colaborativa “Onde fui Roubado”. A ferramenta tem como objetivo mostrar os pontos em que as pessoas foram assaltadas, em qualquer município do Brasil. Segundo o desenvolvedor e cofundador do site, Filipe Norton, esse sistema pode auxiliar no levantamento de dados sobre a criminalidade no país. “Nós acreditamos que, colaborativamente, poderemos reunir frequentemente dados sobre a criminalidade, em cada cidade do Brasil. Gerar estatísticas sobre esses dados é útil para população e para polícia, que pode criar estratégias de combate e prevenção ao crime”, afirma.

O projeto, lançado no final de junho, conta com um ranking que mostra as cidades que tiveram mais registros. Até o momento, 11.148 denúncias já foram registradas e mais de 300 mil pessoas acessaram o site. Em Curitiba, há 288 casos denunciados, sendo o celular o objeto mais roubado e o assalto à mão armada, o mais frequente.

 

Fonte: Onde fui Roubado

 

As redes sociais também se tornam importantes aliadas no momento de propagar os roubos, principalmente no Facebook, onde é possível colocar uma foto do veículo e escrever, com riqueza de detalhes, o local, as características, o horário e etc. Como a maioria dos usuários fica conectado o dia todo, a rapidez com que a informação corre é grande, com isso, a chance de encontrar o veículo aumenta, mesmo sendo pequena.

Felipe Alvarez, estudante, teve o seu carro roubado na frente da casa de parentes. Logo depois postou, no Facebook, a foto do veículo com diversas informações. No dia seguinte, uma pessoa entrou em contato por meio da rede e informou que viu o carro parado na rua. Ele acionou a polícia e conseguiu recuperá-lo. “Sei que meu caso foi atípico, em meio a tantas denúncias, mas pude comprovar que as redes sociais podem funcionar para esses momentos também”, afirma.

O uso das redes sociais e da internet podem se tornar grandes aliados no combate ao crime. Mas, a ferramenta só funcionará a partir do momento em que as pessoas, que foram lesadas de algum modo, comecem a se pronunciar por nesse meio.

 

Fonte: Arquivo ISAE/FGV

Usuários utilizam o Facebook para avisar que o seu veículo foi roubado

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Ping-Pong

O papel do Terceiro Setor e sua influência na sociedade

Os pontos de encontro e desencontro entre o Governo e o mercado. O quê falta realmente nesse âmbito e quais são os seus desafios?

Rafael Finatti é líder do projeto Serviços e Cidadania, iniciativa que tem como objetivo atuar na profissionalização das organizações do Terceiro Setor paranaense. Perfil representativo dentro da Responsabilidade Social em Curitiba, Finatti oferece uma reflexão sobre o panorama do Terceiro Setor e seus atuais paradigmas.

- Perspectiva: Conseguimos definir o que é Terceiro Setor no Brasil ou ainda hoje segue sendo um desafio?

Rafael: Ainda é um desafio, na medida em que não há, na Constituição Federal ou no Código Civil brasileiro, definições claras sobre quais entidades efetivamente compõem o que chamamos de terceiro setor. O marco legal vem sendo discutido há anos e, por enquanto, ainda não há nada de concreto senão duas ou três propostas que concorrem entre si. Essa indefinição dificulta muito a vida de quem trabalha nessa área. Não há segurança jurídica, então também não há segurança tributária – e isso impacta na profissionalização das instituições que fazem parte do terceiro setor. Ainda assim, creio que podemos compreender as organizações do terceiro setor a partir da definição dos outros setores. Se o primeiro setor, que é o governo, são agentes públicos para fins públicos e se o segundo setor, que é o mercado, são agentes privados para fins privados; o terceiro setor pode ser compreendido por agentes privados, com fins públicos. Assim, fica um pouco mais fácil dizer o que não é terceiro setor. Há uma definição mais romântica, que gosto também, do economista estadunidense Jeremy Rifkin, que diz que o terceiro setor é “o domínio no qual padrões de referência dão lugar às relações comunitárias, em que doar do próprio tempo aos outros toma o lugar de relações de mercado impostas artificialmente, baseadas em vender-se a si mesmo ou seus serviços a outros”.

- Perspectiva: O papel estratégico das organizações do terceiro setor é a produção do capital social, isto significa incentivar à formação e animar o funcionamento em redes sociais e processos democrático-participativos. Você percebe o setor assim e disposto a isso, principalmente nos novos empreendedores sociais?

Rafael: Sim. Há diversos exemplos disso, aqui mesmo em Curitiba. Os novos empreendedores sociais são pessoas conectadas, ávidas por fazer acontecer. A junção da hiperconectividade com a inquietude típica das novas gerações não tem outro resultado senão a criação de redes de convergência, com processos que incentivem a participação e, até certo ponto, voltados às práticas concretas. A explicação é que todos gostam de fazer coisas que façam sentido para suas vidas. E o terceiro setor oferece isso. O obstáculo a ser enfrentado, no contexto atual, é o da superficialidade, das relações e das ações. É cada vez maior o número de pessoas interessadas, por exemplo, no voluntariado, mas tenho a impressão de que ainda são poucos os que efetivamente se engajam e se comprometem com a mudança e que se preocupam em realizar atividades de impacto e transformadoras. Apesar das dificuldades, no entanto, o terceiro setor continua crescendo e atraindo mais gente. Aos poucos, os estudantes que se formam nas universidades começam a reconhecer as organizações do terceiro setor como possibilidades concretas de trabalho. E com isso, oxigenam os empreendimentos sociais que aí estão.

- Perspectiva: Quais são os pontos de encontro e desencontro entre o Primeiro, o Segundo e o Terceiro Setor?

Rafael: O ponto de encontro é o bem comum, o desenvolvimento sustentável. Os três setores deveriam se preocupar com isso. Aí estão os objetivos das parcerias e alianças que são firmadas. Contraditoriamente, o que faz com que os setores se desencontrem é justamente o bem individual, o egoísmo, a vontade de apropriar-se e de ganhar em detrimento do bem comum. Isso acontece nos três setores, infelizmente – e dificulta a vida de quem quer trabalhar, de fato, para gerar transformação social. Sob outro ponto de vista, é possível afirmar que cada setor tem algo a ensinar aos outros. Mas, isso sempre dependerá das pessoas que estão envolvidas. As instituições, afinal, são feitas de pessoas.

- Perspectiva: Quanto à gestão organizacional do setor, quais são as maiores dificuldades?

Rafael: No terceiro setor, os recursos são escassos e os desafios são muito complexos. Essa situação se torna ainda mais complicada pelo fato de que, em geral, as pessoas que iniciam trabalhos, visando atender a uma demanda social ou ambiental, não têm formação técnica para administrar. Precisam cuidar da gestão financeira, de processos, de pessoas, da comunicação, entre outras áreas. Tudo isso, enquanto se dedicam à atividade fim. Falta tempo para um olhar mais amplo. Falta planejamento. E não é só isso: há também a insegurança jurídica, que faz com que grande parte das organizações do terceiro setor deixe de atender a certas exigências legais simplesmente por não compreenderem a lei, não por culpa delas, mas pelo fato dos próprios textos gerarem interpretações, muitas vezes, contraditórias. Para completar, a rotatividade de pessoas é grande, haja vista a dificuldade do terceiro setor em pagar aquilo que o mercado paga. Ou seja, o gargalo é a profissionalização. Enquanto não dispuserem de gestores qualificados, que entendam as questões financeiras e jurídicas; e enquanto não tiverem pessoas e parceiros que ajudem a divulgar o que fazem as organizações, essas não terão vida fácil. Por isso, me identifiquei tanto com o projeto Serviços e Cidadania, é a forma que encontrei de contribuir para que as instituições se desenvolvam.

- Perspectiva: Considera que as áreas presentes nas empresas privadas (comercial, financeiro, marketing etc.), assim como suas correspondentes ferramentas em gestão, são aplicáveis em organizações do terceiro setor? Pode dar um exemplo (case).

Rafael: Nem tudo é aplicável. A estrutura e os objetivos são diferentes. Mas, tudo pode servir de inspiração e, claro, algumas ferramentas podem ser usadas. É o caso do planejamento estratégico, que ajuda a instituição a definir o que quer e aonde pretende chegar. A parceria que temos com o ISAE, via projeto Serviços e Cidadania, procura justamente isso: levar às organizações do terceiro setor o conhecimento e as práticas que se discutem em sala de aula, e que na maioria das vezes estão voltadas para a lógica do mercado. Em junho desse ano, por exemplo, os alunos voluntários do projeto Uaná entregaram à Fundação Iniciativa, que é cadastrada no Serviços e Cidadania e promove acolhimento a crianças em situação de risco, um estudo de custos e uma proposta para captação de recursos. A Fundação existe há 15 anos e não tinha nenhuma ação estruturada para captar recursos; com a assessoria, já começou a aplicar o projeto e conseguiu parcerias que cobrirão às atividades de lazer e os custos em alimentação das crianças. É só um exemplo. As organizações do terceiro setor podem e devem se apropriar daquilo que funciona nas empresas do segundo setor, desde que adaptem às suas realidades. Não adianta, por exemplo, querer fazer uma campanha de divulgação para colocar no intervalo da novela, se não tiver uma estrutura administrativa que dê conta das expectativas que irá criar com esta ação. A comunicação, para ser assertiva, precisa de planejamento e a característica do trabalho do terceiro setor não comporta a ideia de sair fazendo e esperar ser tão conhecido quanto a marca de margarina. Vale mais seguir a lógica dos quatro “pês”: começar pequeno, fazendo pouco e somente o possível, de forma que se torne progressivo.

- Perspectiva: Falta algo no diálogo entre o Terceiro Setor e a sociedade? É possível melhorá-lo? Como?

Rafael: Falta à sociedade reconhecer o importante papel que o terceiro setor desempenha, para apoiar mais as iniciativas socioambientais que existem por aí. Por outro lado, creio que falte ao terceiro setor, de maneira geral, reconhecer que aquilo que faz é tão importante que merece ser mais compartilhado, ser mais público. Muitas vezes, falta transparência e abertura para envolver mais gente interessada. Assim, da mesma forma que a sociedade poderia se envolver e se engajar mais, quem administra uma organização do terceiro setor também precisaria despir-se mais das vaidades, esquecer que é “dono” ou fundador do projeto, e estar mais aberto a estabelecer parcerias mais transformadoras –especialmente aquelas que podem envolver outras organizações que também fazem parte do terceiro setor-. O que vejo por aí são instituições semelhantes, fazendo a mesma coisa, às vezes para o mesmo público alvo. Trabalhando em separado, elas acabam se tornando concorrentes na captação de recursos, na hora de ter visibilidade ou de captar voluntários, parceiros, etc. Porém, se unirem forças e trabalharem juntas, suas atividades passam a ser complementares e os resultados se potencializam. 

Crédito: Arquivo pessoal
 

Rafael Riva Finatti é Analista de Responsabilidade Social do Instituto GRPCOM. É o atual Coordenador Estadual do projeto Serviços e Cidadania. Graduado em Jornalismo, pela Universidade Positivo e em Ciências Econômicas, pela Universidade Federal do Paraná, Rafael atua no Terceiro Setor desde 2007.

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Capacitação

Mestrado Profissional: conhecimento voltado ao trabalho

Capacitação para a prática avançada, por meio da introdução ao método científico, possibilita ao profissional atuar em procedimentos e processos de inovação

Crédito: SXC
 

Mestrado Profissional: a ponte entre a academia e o mercado

O Mestrado Profissional (MP) é um programa de Pós-Graduação stricto sensu que estimula a formação de mestres profissionais. A modalidade ganha força no Brasil, principalmente por fomentar o diálogo mais próximo entre o meio acadêmico e os setores produtivos.

Cada vez mais, as pessoas buscam agregar conhecimento à sua vida de forma prática. Porém, a falta de tempo faz com que o foco seja o elemento mais importante na hora de uma formação. Utilizar a referência acadêmica no dia a dia laboral é, hoje, a habilidade desejada pelos profissionais.

O coordenador do mestrado profissional em Governança e Sustentabilidade, do Instituto Superior de Administração e Economia - ISAE, Antônio Raimundo dos Santos afirma que, “O mestrado profissional leva consigo um desafio de diminuir o distanciamento entre a empresa e a academia. Nasce com a missão de ser uma ponte entre o que a academia produz e aquilo que a empresa também precisa produzir”, diz.

Mesmo ainda pouco conhecida, esse tipo de formação vem ganhando espaço no país. Em 10 anos, a quantidade de alunos, que cursaram o MP, cresceu mais de 190%. O crescimento está refletido também na quantidade de programas ofertados, hoje são 395, e em 2003, eram 62 programas, uma variação de mais de 537%, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES.

O MP é também uma via para a inserção de novos mestres no mercado de trabalho. O título é o mesmo que no mestrado acadêmico e permite a continuação dos estudos rumo ao doutorado. Ao finalizarem o curso, os mestrandos saem habilitados para desenvolver atividades técnico-científicas, com competências para integrar competitividade, possibilitando o aumento da produtividade nas organizações nas quais atuam.

 

A diferença

A diferença entre os dois tipos de mestrado, o acadêmico e o profissional, está no resultado produzido. O Mestrado Acadêmico (MA) pretende formar um pesquisador com foco na realização de estudos em uma área específica do conhecimento. Já o MP, é dirigido ao mundo profissional, por meio da pesquisa aplicada, proporciona uma formação integrada (científica e profissional), consolidando conhecimentos capazes de tornar o profissional apto a adotar novas técnicas e processos.

Diferente do MA, no qual o aluno deve se adaptar a horários pouco compatíveis, no MP os horários se encaixam melhor na vida de um profissional. As aulas, geralmente, são à noite ou nos fins de semana. Outra flexibilidade é quanto ao projeto no final do curso, no qual o mestrando pode relaciona-lo à sua atividade ou área de trabalho. “Espera-se que o projeto do aluno não termine na defesa bem sucedida de uma dissertação como no acadêmico. O MP permite o aluno ir além. Após a defesa da tese, o aluno ainda tem o compromisso de implantar essa ideia que ele produziu”, comenta Antônio Raimundo.

Oportunidades

Os mestrados profissionais representam a possibilidade de criação de referencial teórico brasileiro, abrindo espaço para o fortalecimento de um modelo de gestão nacional e, porque não regional, como analisa o coordenador. “No momento, a produção brasileira está precisando de mais MPs para o aprofundamento de problemáticas do meio empresarial. Precisamos nos debruçar efetivamente sobre peculiaridades culturais da gestão feita no Brasil. Aliás, dependendo da abordagem, adaptar as formas de produção regionais. É necessária uma regionalização, e temas amplos e transversais, como governança e sustentabilidade, possibilitam adaptar a gestão às peculiaridades regionais”, afirma ao fazer referência ao MP do ISAE.

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Perspectiva na Conferência Ethos

Conferência Ethos 2013: chamada à sustentabilidade

Empresa, sociedade e governo se reúnem em uma única conferência para debater a sustentabilidade. O resultado? Esperança de um futuro mais responsável

Crédito: ISAE/FGV

Entre os assuntos da pauta estavam: crédito de carbono, direitos humanos e conexões transnacionais

Com o tema “Negócios Sustentáveis e Responsáveis: oportunidades para as empresas e para o Brasil”, a Conferência Ethos 2013, que aconteceu entre os dias 3 e 5 de setembro, fez um chamado às empresas brasileiras sobre a necessidade de repensar seus atuais modelos de gestão e a remodelar sua estratégia a fim de garantir, não só a preservação do planeta, mas também lucro, por meio de negócios sustentáveis.

Referência em gestão sustentável, o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social tem como missão mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa. “O objetivo do Ethos é contribuir com o desenvolvimento sustentável das empresas e contribuir com a criação de ambientes favoráveis para esse desenvolvimento”, explicou o diretor-presidente do Instituto, Jorge Abrahão. Há 10 anos, o Instituto organiza a Conferência Ethos que oferece debates, palestras e discussões, de diferentes perspectivas, sobre a modelagem de negócios mais sustentáveis.

Em 2013, foram três dias de discussões intensas. Na pauta: crédito de carbono, direitos humanos, conexões transnacionais, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, produtos e negócios sustentáveis. Os temas eram expostos sobre o ponto de vista de diversos palestrantes e debatidos na sequência com a plateia, o que trouxe a dinâmica da Conferência. Além da plenária principal, haviam discussões paralelas, organizadas pelos patrocinadores do evento, que se revezaram entre debates grandiosos e discussões institucionais.

A Revista Perspectiva ISAE acompanhou essa última Conferência e traz agora as principais discussões do encontro. Confira: 

Ampliando a competitividade do País por meio de suas empresas transnacionais

Parte da programação, elaborada pela Caixa Econômica Federal e BNDES, a palestra trouxe ao palco o Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Gilberto Carvalho; o Subsecretário-Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores, José Antônio De Carvalho; o Diretor-Presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão; a Superintendente Nacional de Operações Internacionais da Caixa Econômica Federal, Beatriz Rodrigues; com mediação da jornalista da Globonews, Cristiana Lôbo.

A discussão girou em torno do comportamento ético das empresas quando ultrapassam barreiras geográficas. “As empresas levam a imagem do seu país. Sendo assim, elas devem ter o cuidado, quando atuam em outro continente, de manter o mesmo padrão de serviço que ofertam em seu país de origem. Deixar de seguir esses padrões leva ao erro, como o caso da fábrica de Bangladesh (fábrica que produzia roupas para grandes grifes internacionais, que desabou e matou aproximadamente 800 pessoas)”, explicou o diretor-presidente do Ethos. Para que isso aconteça, de acordo com o Ministro Gilberto Carvalho, o Brasil precisa se colocar a caminho de um processo onde o Governo, empresa e sociedade assumam a reponsabilidade particular com o desenvolvimento sustentável.

Macroeconomia e sustentabilidade: o tamanho e a qualidade do crescimento brasileiro

A palestra do painel da CPFL Energia trouxe os grandes nomes da Macroeconomia, com a intermediação do jornalista Ricardo Voltolini.  Sergio Besserman Vianna, Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro, e Ricardo Abramovay, professor do Departamento de Economia e do Instituto de Relações Internacionais da FEA/USP apresentaram visão pessimistas a respeito do desenvolvimento sustentável. “A dinâmica da economia brasileira é primária, ao invés de ser inovadora. Para se ter uma ideia, em 2012, a exportação de produtos contaminantes cresceu, enquanto a de produtos tecnológicos caiu. Isso reflete no desenvolvimento do país”, garantiu Abramovay. Vianna foi ainda além, ao apontar a nossa crise como uma soma de problemas econômicos e ecológicos, e citou Fritjof Capra para apontar os erros nas soluções que a sociedade tem adotado para conter a crise. “Não adianta resolver crises que não são só econômicas, com soluções econômicas”.

Esferas de progresso socioambiental: empresas, cidades e países

Uma das palestras mais esperadas de toda a Conferência, sem dúvida, foi a do professor da Harvard Business School, Michael Porter. Com o auditório do evento lotado, Porter lançou o seu Índice de Progresso Social. “Para mensurar o desenvolvimento de uma nação é preciso analisar os aspectos econômicos e sociais. Porém, até hoje, não existia um indicador que analisasse o progresso social de forma holística”. E foi exatamente isso que Porter fez: criou um indicador social baseado nas necessidades humanas básicas, no alicerce do bem estar e na oportunidade, excluindo os aspectos econômicos. O indicador traz resultados interessantes quando mostra que existe a relação entre o social e o econômico, mas em alguns aspectos eles não estão necessariamente ligados. Países bem desenvolvidos economicamente, não foram bem avaliados socialmente, assim como países com baixo desempenho econômico, apresentaram bons índices sociais. “Os governos investem em recursos, mas o índice de progresso social mostra que não basta só investir”, explicou Porter, que na sequência foi sabatinado pelo presidente do Conselho de Administração da Fibria, José Luciano Penido, e pela Diretora Executiva da ABONG, Vera Masagão Ribeiro.

  • Impressões da Perspectiva ISAE sobre a conferência

    Sempre que representantes de diversas empresas se reúnem para discutir sustentabilidade, o saldo é positivo. Observar instituições preocupadas com o seu papel frente ao desenvolvimento sustentável do país é inspirador. E esse resultado é mérito das Conferências do Instituto Ethos.

    Durante os três dias do evento, mais de 600 pessoas participaram de discussões e palestras em prol da sustentabilidade, do futuro do planeta, do desenvolvimento econômico. De fato, boas práticas foram compartilhadas por especialistas e grandes organizações referência na área, e podem e devem ser implementadas nas empresas ali presentes.

    Embora com grande público presente, a impressão é que a Conferência “enxugou”, mas que fique claro que o termo se refere ao público, afinal as discussões mantiveram a qualidade. Esse ano ficou claro a preocupação com os direitos humanos e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS). Assim como o lançamento dos novos Indicadores, Ethos mostrou ainda a preocupação com a mensuração das práticas sustentáveis.

    Apesar de grandes resultados terem sido atingidos, ficam lições aprendidas. Muitos palestrantes dividindo o mesmo palco comprometeram algumas discussões. Além disso, para engrandecer alguns debates, faltaram participantes com pontos de vista distintos.

*A jornalista Gabriella Pita esteve presente na Conferência Ethos 2013, representando a Perspectiva ISAE.

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Especial

Inclusão nas empresas

As empresas ainda encontram dificuldades no momento de contratar pessoas com deficiência

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Indica

Perspectiva Indica

O Fim dos Empregos - Jeremy Rifkins - Editora Markon Books  

O impacto das novas tecnologias da informação e comunicação na sociedade norte-americana dos anos 90. O estímulo das relações sociais e a mudança da relação trabalhista. O autor analisa a revolução tecnológica como uma ameaça ao emprego na sociedade atual.

 

The Tipping Point - Malcolm Gladwell - Editora Little Brown

Como descrever as mudanças que marcam a vida cotidiana?

Malcolm Gladwell analisa, por meio de exemplos, tais mudanças, evidenciando o aumento da popularidade e vendas de sapatos da “Hush Puppies”, na década de 1990 e a baixa no índice de criminalidade em Nova York.

O best-seller instiga a entender fenômenos sociais como epidemias.

Como fazer amigos e influenciar pessoas - Dale Carnegie - Editora Nacional

A obra apresenta técnicas simples, mas efetivas de como relacionar-se com as pessoas. Como podemos melhorar as nossas atitudes e como mostrar para outras pessoas que também podem melhora-las?

Por meio de uma linguagem objetiva, junto às experiências vividas por Dale Carnegie, o livro exalta a arte do relacionamento pessoal.

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Artigo

O futuro da Educação Empreendedora

Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar os modelos de negócios para que se tornem sustentáveis

Crédito: SXC
 

O futuro da educação pede suporte de inovação

*Por Arsenio (Rick) Becker

Enquanto o cenário atual é tomado pelas tecnologias, pelos sistemas e pela informação, a educação rasteja ainda no tempo da folha de papel e lápis. Uso o verbo rastejar no figurativo, ou seja, dominantemente em nível inferior, tratando-se de qualidade tecnológica e inovadora. Enquanto a disseminação da informação sofreu um grande avanço tecnológico, a educação tradicional seguiu na contramão.

Esses avanços tecnológicos começaram a partir da última década do século passado. Para nos situarmos no tempo, até então as tecnologias existentes eram maiores que a expectativa de vida populacional. Carros, aviões, televisores e uma infinidade de tecnologias, naturalmente se substituíam lentamente, sem perder a essência e com pouca inovação. Quanto tempo demorou para o cinema migrar para a televisão, e a própria televisão, quanto tempo demorou para evoluir. No início do século, tivemos exatamente o contrário. Conseguimos observar o começo de uma nova era tecnológica – a Internet, e logo em seguida a sua substituição por uma com maior valor agregado ou completamente nova e que muda paradigmas, mudando também o processo de informação e inovação. As pessoas queriam – e querem cada vez mais – informações em tempo real, e a plataforma digital foi um precursor das mudanças que temos hoje. Dentro da expectativa de vida atual, vimos e veremos ainda as inovações tecnológicas surgirem, tão rápidas que algumas não chegam a completar um ano antes de se tornarem obsoletas.

Voltando à educação, no cenário nacional, principalmente no ensino intermediário ao de base, não houve avanço. Temos um modelo tradicional, com alunos inseridos em uma sociedade tecnologicamente mais avançada e que tem uma infinidade de recursos para buscar na rede – e aqui me refiro basicamente a Internet – mais informações do que se pode transmitir em uma sala de aula que, simplesmente, parou no tempo. Em resumo, não adianta ter um televisor multimídia em uma sala de aula, se não há plataforma ou educadores para gerar conteúdo e orientar sobre o caminho a seguir, e o pior, esse conteúdo foi procurado pelos alunos fora do ambiente educacional tradicional, principalmente por meio de redes sociais e buscadores, com trocas de mensagens instantâneas e por e-mails, com grupos de um mesmo interesse – ou idade. 

Mas, a internet é um paraíso de dúvidas sobre conteúdos. Se por um lado, o modelo de educação tradicional deixou a desejar, não oferecendo de forma correta e linear a transferência de conhecimentos, a internet o fez, mas de forma completamente verticalizada.

A educação pós fundamental ou até mesmo a educação superior, ainda se fundamentam em provas escritas e testes do ensino unilateral, e não em projetos, práticas e pesquisas, sejam já iniciados ou inovadores, que eleve o conhecimento, que promova a inteligência coletiva e a disseminação de conteúdo, e que busque empreender ao invés de apenas, operacionalizar.

Enquanto no Brasil temos conteúdos de pouca relevância na maioria da rede, não despertando a consciência coletiva de compartilhamento de ideias empreendedoras, e tratando a educação como uma via de mão única, no MIT (Massachusetts Institute of Technology), instituto que já condecorou 78 Prêmios Nobel ao longo dos 150 anos de existência, conta hoje com mais de uma centena de projetos inéditos em andamento, interligados com graduandos, mestres e doutores, nas mais diversas áreas do conhecimento, e com capacidade de geração de novas ideias em inovação e empreendedorismo, incentivadas e patrocinadas por empresas interessadas na inovação tecnológica. Um bom exemplo são as impressoras 3D, desenvolvidas há mais de 30 anos pelo MIT, e utilizadas no campo das pesquisas tecnológicas. Enquanto ainda muitos sequer sabem que isso existe, por lá já há impressoras fazendo o 4D, permitindo que objetos tomem formas sozinhos. Nesses moldes, seguem outros países como Romênia, Lituânia e outras dezenas de países que pensam no futuro, ou melhor, em formar empreendimentos competitivos.

Isto significa dizer que, um projeto bem elaborado e com resultados positivos permite que o aluno prossiga a sua jornada educacional, em níveis superiores, com pesquisas e práticas. A eficácia do seu projeto determina o grau de conhecimento que ele tem, ou seja, a interação entre a educação intelectual e o projeto livre, mas que se transforme em resultados, permite que se formem aptidões e interesses por determinados assuntos com objetivismo, e consequentemente, mais inovação.

Essa é a educação baseada no compartilhamento de informações. As plataformas digitais permitem isso, mas como já dito, não no ambiente da atual escola, e sim nas plataformas digitais espalhadas “na nuvem” (do termo em inglês cloud computing). Se a transferência desse conhecimento se baseasse em uma plataforma mais centralizada, na qual as informações inerentes àquele tipo de pesquisa ou ainda de conhecimento estivessem à disposição com conteúdos relevantes e verificados quanto a sua autenticidade e eficácia, nesse ponto certamente teríamos uma perfeita convergência entre a educação convencional com a digital.

Com conteúdo programado de forma eficaz nas plataformas digitais, mais o experimento prático, aliado às ferramentas que notadamente não serão substituídas, como a forma de comércio, finanças, controladoria e administração – o que notadamente são estratégias off-line, poderia ser a fórmula primária para a educação empreendedora.

De outro lado, para as empresas, as plataformas digitais tiveram um poder imenso, mas apenas de difusão e propagação da publicidade ou propaganda, o que até então com as mídias convencionais - dispendiosas para qualquer planejamento era inviável, e que hoje com poucos recursos pode tornar-se viável e publicável por meio das plataformas digitais. Mas, é preciso ter o intelectual off-line e a experiência vinda com a educação para tornar estratégias (off-line) em ações online. Uma estratégia ou ainda um empreendimento que nasce (ou nasceu) mal feito, não será consertado pelo digital, e pelo contrário, poderá piorá-lo ainda mais. É preciso lembrar que todo o digital é plataforma, e ainda vivemos em um mundo físico, necessitando de produtos, além do ambiente digital. E também é bom citar que dependemos de estratégias feitas por pessoas, suas experiências e talento intelectual. Portanto, uma comunicação adequada, associada às estratégias convencionais, intelectualidade e multidisciplinaridade, e com a utilização de plataformas digitais, tende a tornar as empresas mais bem sucedidas.

Dentro do contexto do empreendedorismo, e seus tantos significados, a capacidade de criar e gerir um núcleo de negócios para obter resultados positivos é o mais adequado para o momento. Para que isso seja possível, é necessário acima de tudo que o intelectual e o multidisciplinar, atuem acima de qualquer tecnologia. O convencional deve se sobrepor ao digital, que por sua vez deve ser usado como ferramenta ou ainda, como plataforma e não como premissa do negócio ou da estratégia de uma empresa. A educação empreendedora precisa ser despertada assim que a educação convencional note que as plataformas digitais estão sendo mais importantes que o professor em sala de aula.

Se não houver os cuidados necessários para levar o conhecimento do empreendedorismo aplicado diretamente na educação, abrindo espaço para a inovação e a utilização de ferramentas digitais de comunicação, mesclando a forma tradicional, necessária para que possamos elevar o pensamento e à tomada de decisão, poderemos formar líderes digitais e não líderes intelectuais, incapazes de inovar ou de transmitir o seu próprio conhecimento para o futuro dos negócios, tornando empreendedores frágeis às mudanças macro e microeconômicas, cenário que hoje vemos com frequência no Brasil.

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7º Prêmio Ozires Silva de Empreendedorismo Sustentável